No Dia Nacional da Catalunha, um milhão de pessoas expressa apoio ao referendo de independência numa festa alegre, pacífica e cívica em Barcelona

Pelas cenas protagonizadas no Dia Nacional da Catalunha, celebrado nesta segunda-feira (11), não resta dúvida sobre o apoio popular à realização do referendo sobre a independência, marcado para 1º de outubro. Uma multidão estimada em um milhão de pessoas, segundo a polícia, atendeu ao chamado da Assembleia Nacional Catalã (ANC) e foi às ruas centrais de Barcelona defender o direito à autodeterminação.
O ponto culminante do evento aconteceu às 17h14 (12h14 no horário de Brasília), quando os manifestantes formaram uma grande cruz simbolizando a vontade de somar em positivo. Ou seja, expressaram o suporte ao governo e ao parlamento na decisão de realizar a consulta na qual a população será questionada se quer que a Catalunha seja uma nação independente em forma de república.

Foto aérea da mobilização organizada pela Assembleia Nacional Catalã mostra a cruz formada pelos manifestantes expressando a vontade de somar em positivo, em apoio à decisão do governo de realizar referendo de independência

Desde as primeiras horas da manhã já havia gente no centro da capital catalã. Muitos participaram da cerimônia de oferenda floral aos heróis da Guerra de 1714, data em que a Catalunha perdeu a soberania para a Espanha.
Pouco a pouco, a área destinada à manifestação foi lotando pela gente que se expressou de diversas maneiras. Vestindo a camisa oficial do evento, cobrindo o corpo com a estelada (a bandeira independestista), pintando o rosto ou portando e empunhando cartazes e bandeiras.

Manifestantes exibiam esteladas, as bandeiras independentitas, enquanto grupos faziam “castelos”, uma das expressões populares mais típicas da Catalunha

As imagens registradas pelos mais de 800 meios de comunicação acreditados pela organização do evento são impressionantes. Primeiro porque do alto mostram realmente uma expressiva aglomeração de gente. Segundo, porque registram um ato alegre, pacífico e cívico, sem incedente algum apesar do grande número de pessoas reunidas.
Famílias inteiras foram juntas ao evento, muitas com crianças de colo, idosos, pessoas com dificuldade de mobilidade, transitando e manifestantado-se tranquilamente. Cantando hinos, entoando gritos em favor da independência, aplaudindo os discursos e as apresetações musicais.

Cartaz simulando cédula de votação era empunhado pelo grupo de joven que participou da Diada do Sim

No início da apresentação do evento foi dedicado um minuto de silêncio em homenagem às vítimas dos atentados terroristas de 17 de agosto. Depois teve início a série de discursos e apresentações musicais programadas.
O presidente Carles Puigdemont e a presidente do Parlamento da Catalunha, Carme Forcadell, acompanharam o evento junto à multidão. No palco central, o presidente da ANC, Jordi Sánchez, garantiu que no dia 1º de outubro haverá sim colégios eleitorais abertos e urnas à disposição dos que desejam votar sobre o futuro político da região.
ESTRATÉGIA DO MEDO – O governo da Espanha se opõe ao referendo catalão e está recorrendo à justiça contra membros do governo, do parlamento e “quaisquer outras pessoas” que tenham participado ativamente da decisão. Por ordem judicial, a Guarda Civil realizou na semana passada batidas em gráficas e redações de jornais catalães em busca de cédulas eleitorais e urnas que estariam sendo preparadas para a votação.
A ação repressiva, segundo analistas políticos, é uma estratégia do governo espanhol de criminalização dos principais atores do proceso soberanista e também de quem os siga. E visa a impor o medo aos cidadãos comuns que pretendem participar da votação.
“A democracia é imparável”, destacou esta semana o presidente Carles Puigdemont, ao garantir que realizará o referendo. Pela mobilização o que se viu é que o medo não fez efeito sobre gente que foi às ruas hoje. Pelo contrário, acendeu ainda mais o anseio de liberdade e a vontade de expressá-lo nas urnas.