Maior derrotado nas eleições catalãs foi o Partido Popular (PP) do primeiro ministro Mariano Rajoy, que elegeu apenas três deputados. Forças independentistas conseguem maioria com 70 cadeiras e pedem desativação da intervenção

Carles Puigdemont, exilado em Bruxelas, pediu que governo espanhol desative intervenção da Catalunha diante do resultado das eleições

Nem a interveção do governo, as prisões, as perseguições judiciais, a censura e o exílio de Carles Puigdemont foram suficientes para derrotar o independentismo, que saiu vitorioso das eleições da Catalunha nesta quinta-feira (21). Com uma participação histórica de 81,95%, Juntos pela Catalunha (JxCAT) com Puigdemont à frente, se tornou a primeira força entre os soberanistas, com 34 deputados, seguido por Esquerda Republicana (ERC) de Oriol Junqueras com 32, e Candidatura de Unidade Popular (CUP), de Carles Riera com quatro.
A soma de 70 deputados garante a maioria absoluta no Parlamento da Catalunha e dá o direitos às forças independentistas de indicar o presidente. Com isso, tornam inútil a primeira posição do Cidadãos de Ines Arrimadas, que ficou à frente no cômputo geral com 37 deputados, mas sem possibilidade de formar governo por conta do desempenho pifío dos demais partidos unionistas.

Ganhou, mas não levou: Ines Arrimadas conseguiu que seu partifo elegesse 37 deputados, ficando à frente na contagem geral, mas sem maioria no Parlamento, que será liderado pelos independentistas

Junto com o Partido Social Cristão (PSC) de Miguel Iceta, que fez 17 deputados, e o Partido Popular (PP) de Xavier, que conseguiu apenas três, somam apenas 57 cadeiras, ficando em minoria no parlamento. Contra os dois blocos, Catalunha em Comum, de Xavier Domènech, ficou com oito deputados, mas deve se manter equidistante de independentistas e de unionistas.
Após a divulgação dos resultados, as forças independentistas fizeram um chamado ao primeiro ministro da Espanha, Mariano Rajoy (PP) a desativar o artigo 155 da Constituição que permitiu a intervenção na Catalunha. O governo espanhol tomou o controle da região após a proclamação da república, em 27 de outubro passado, aplicando uma série de medidas repressivas contra membros o governo, o parlamento, entidades soberanistas e meios de comunicação pública.
De Bruxelas, onde está exilado desde a intervenção espanhola, Puigdemont pediu “restituição e reparação” ao primeiro ministro da Espanha, Mariano Rajoy. “O 155 tem que ser anulado, os presos devem voltar para casa, nós temos que voltar. A receita de Rajoy piorou as coisas e trouxe violência, repressão”, vaticinou o líder catalão, que está acompanhado na cidade belga de quatro ex-secretários de seu governo que também optaram pelo exílio.
Na prisão, além de Junqueiras, está o ex-secretário de Interior, Joaquim Forn, e os ativistas Jordi Cuixart, presidente de Òmnim Cultural, e Jordi Sanchez, ex-presidente da Assembleia Nacional Catalã (ANC). Os demais ex-secretários que haviam sido presos estão em liberdade condicional após pagamento de fiança individual de 100 mil euros.

Marta Rovira, a número dois d lista de Junqueras, disse que governo da Espanha deve sentar para dialogar

Marta Rovira, a número dois da lista de Oriol Junqueiras, que está preso em Madri, seguiu o mesmo tom de Puigdemont e instou Rajoy “a sentar-se em uma mesa de negociação como tantas vezes pedimos”. “Em contraste com as ações do governo espanhol os cidadãos votaram a favor de uma via pacífica, dialogada e negociada”, disse.
Rajoy foi o maior derrotado nas urnas, pois além da vitória independentista viu o PP ficar em último elegendo apenas três deputados. Xavier Albiol, que liderava a chapa da sigla, admitiu o fracasso e ainda soltou dardos contra Ines arrimadas de Cidadãos. “Serão apenas 5 minutos de glória, depois virá a a realidade”, criticou, em referência ao fato de Arrimadas ter ficado à frente na contagem geral, mas a vitória ser apenas simbólica.