Ataques através do Twitter pelo presidente dos Estados Unidos contra Paquistão, Palestina, Irã e Coréia do Norte pulveriza legado diplomático de Barack Obama e coloca mundo em alerta

Uma das postagens mais polêmicas de Trump em sua conta no Twitter foi direcionado ao ditador da Corea do Norte, Kim Jong-un

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, iniciou o ano de 2018 com uma desenfreada ofensiva através do Twitter contra governos de países em pontos nelvrálgicos do planeta. Os alvos foram Paquistão, Palestina, Irã e Corea do Norte.
Todas as mensagens de Trump apontam na mesma direção, pesem as disparidades geográficas, rompendo pontes, ameaçando equilíbrios de alta complexidade e pulverizando o legado diplomático de Barack Obama.
Entre os que causaram mais estupor está a mensagem direcionada ao ditador norte-coreano Kim Jong-un: “Meu botão nuclear é muito maior e poderoso que o seu”, que chega à caricatura e recebeu críticas em todo o mundo pela “infantilidade” do chefe de estado do país mais poderoso do mundo.
O primeiro disparo do ano foi em direção ao Paquistão. “Estados Unidos proporcionou de forma estúpida ao Paquistão mais de 33 bilhões de dólares durante os últimos 15 anos e eles nos deram apenas mentiras e enganos, tomando a nossos líderes por tolos”, tuitou Trump.
Torpedo similar foi lançado em direção aos palestinos: “Pagamos aos palestinos milhões de dólares ao ano e não obtemos apreço nem respeito. Nem sequer querem negociar um tratado de paz com Israel […] Porque  temos então que efetuar estes pagamentos massivos?”, disse Trump em referência aos 623 milhões de dólares (568 milhões de euros) que Washington destina por diferentes vias aos territórios palestinos.
Ao contrário de Obama em 2009, que se manteve neutro em relação aos protestos no Irã, Trump se lançou em apoio aos manifestantes que há uma semana sacodem aquele país. Atacou com dureza o regime dos aiatolás.  “O povo do Irã está finalmente atuando contra o brutal e corrupto regime. Todo o dinheiro que o presidente Obama deu de forma enlouquecida foi para o terrorismo e para os seus bolsos. A gente tem pouca comida, muita inflação e carece de direitos humanos. Estados Unidos está vigiando!”, tuitou.
Os recados enviados por Trump através do Twitter têm uma objetivo claro: afastar-se de tudo que tem alguma relação com Obama. No caso do Irã, se soma uma questão estratégica relativa ao acordo nuclear de 2015. Quando estouraram os protestos no Irã por suposta fraude eleitoral na reeleição de Mahmud Ahmadineyad, a Casa Branca deu as costas aos manifestantes. Este comportamento diante de um movimento massivo e com forte apoio nas elites moderadas iranianas desatou a ira dos republicanos norteamericanos.
Agora, Trump aposta pela revolta, sem muitas chances de arrebatar simpatias em um país alvo de veto migratório. Contudo, há um sentido estratégico: oferece a Trump uma via para acabar com o acordo nuclear de 2015. Um passo que não se atreveu a dar em outubro passado e que, neste momento, é mais possível que nunca. A ameaça ao Irã é clara, bem como aos demais países com quem busca intriga através das redes sociais. Num jogo perigoso que pode ter consequências nefastas em várias partes do planeta.