Protesto com participação de mais de 45 mil pessoas foi liderada pela Assembleia Nacional Catalã, que instou os políticos independentistas a implementarem a república

Cerca de 45 mil pessoas participaram da manifestação organizada pela ANC sob o lema “República agora”

Mais de 45 mil pessoas tomaram as ruas de Barcelona neste domingo (11) para exigir que os partidos independentistas – Juntos Por Catalunha, Esquerda Repúblicana (ERC) e CUP – implementem a República da Catalunha proclamada em outubro passado. Os manifestantes atenderam ao chamado da Assembleia Nacional Catalã (ANC), que defendendo o lema “República agora” lançou duras críticas aos deputados eleitos em 21 de dezembro que até agoram não entraram em acordo para eleger o novo presidente e formar governo.
“Nós somos o povo do 1º de outubro”, disse o vice-presidenete da ANC, Agustí Alcoberro, em referência à valentia dos que participaram do referendo sobre a independência, marcado pela violenta repressão policial contra os eleitores, dos quais mais de mil foram feridos. Na data, mais de dois milhões de pessoas compareceram as urnas, dando vitória ao sim à independência. “Não nos sentimos cidadãos do reino da Espanha. Nós somos e nos sentimos cidadãos da República da Catalunha”, disse Alcoberro (foto), ao exigir que as forças repúblicanas trabalhem para restaurar a legalidade que havia antes da aplicação do artigo 155, que permitiu a intervenção do governo espanhol na Catalunha, e que avancem decisivamente para a implementação da República.
Alcoberro reiterou a ideia de que o presidente da Generalitat deve ser eleito pelo Parlamento da Catalunha e descreveu como “ultrajante” a situação atual, na qual o judiciário está constantemente intervindo nas decisões do parlamento. Na última semana, o Supremo Tribunal de Justiça proibiu que Jordi Sànchez, ex-presidente da ANC eleito deputado, preso sob a acusção de sedição e rebelião, fosse liberado para participar da sessão de investidura que estava marcada para amanhã.
Antes disso a justiça espanhola já havia impedido que o presidente cessado, Carles Puigdemont, deputado eleito e que está no exílio em Bruxelas, comparecesse à sessão de investidura. Com isso, passados dois meses das eleições não há presidente eleito nem governo formado, e o governo espanhol continua dando as cartas na administração local.
Alcoberro finalizou pedindo para que os partidos independentias atuem de forma unida com as entidades da sociedade civil que trabalham pela República, garantindo que o tecido social atuará em paralelo com a maioria do Parlamento para avançar. “Nossa única arma é o povo”, concluiu.

Avenida Drassanes lotada durante a manifestação que exigiu implementação da república aos partidos independentistas. Foto: ANC

As palavras de Alcoberro vieram depois do discurso de Jordi Pairó, coordenador do comitê de incidência política da ANC, que advertiu que não se pode ceder diante do estado e lamentou não ver esta determinação no Parlamento. Para Pairó, a soberania não é exigida, é exercida, e se o parlamento quer decidir soberanamente o presidente “faz e ponto”.
Pairó lembrou que o movimento republicano é a maioria e que está disposto a defender a República nas ruas. “Nossa receita é clara: somos fortes quando estamos juntos”. Ele pediu para retomar o caminho de 27 de outubro, apoiar o governo da República e seguir em diante.
Antes do discurso dos membros da ANC, cidadãos que participaram direta e indiretamente do referendo de 1º de outubro subiram ao palco para contar suas histórias. Eles pediram que os políticos que os representam também se arrisquem. “Defendi com meu corpo uma escola no 1º de outubro. Eu me arrisquei e agora quero que meus representantes também se arrisquem”, disse uma das cidadãs que falou.
Na manifestação, que lotou o Passeig de Colom desde o cruzamento com Drassanes até o Parque Ciutadella, também se exigiu a liberdade dos presos políticos – além de Jordi Sànchez, estão encarcerados Jordi Cuixart (Òmnium), Oriol Junqueiras (vice-presidente cessado e deputado eleito de ERC) e Joaquim Forn, ex-secretário de interior. No exílio estão Puigdemont e os ex-secretários Meritell Serret, Toni Comín e Lluís Puig (Bélgica), Clara Ponsatí (Reino unido) e Ana Gabriel (Suiça).