Ao sair da cadeia na Alemanha, líder catalão estende mais uma vez mão ao diálogo com o governo da Espanha, que vem atuando em conjunto com a justiça para criminalizar líderes independentistas

Enquanto multidões se manifestavam no Brasil contra ou a favor da prisão do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, na Espanha os olhares estavam voltados para a Alemanha, onde o presidente cessado da Catalunha, Carles Puigdemont, que estava preso desde 25 de março, foi solto. A decisão da justiça alemã, sob fiança de 75 mil euros, foi um duro golpe no governo espanhol que já dava como certa a extradição do líder catalão. Teve ainda maior impacto porque houve o descarte da acusação de rebelião e foram solicitadas mais informaçõs para análise da argumentação referente à malversação de fundos públicos.
Pouco depois das 14h da manhã (9h em Brasília), Puigdemont atravessou os portões da pentitenciária e fez um breve, porém contundente discurso diante dos jornalistas que o esperavam. Falando alternadamente em alemão e inglês, agradeceu pela ajuda e solidariedade recebida nos dias de cárcere. Destacou a profissionalidade dos funcionários da prisão e o trato respeitoso. Também agradeceu a solidariedade dos internos e saudou suas famílias.
Após os agrdecimentos, voltou seu foco para o governo da Espanha, que vem ampliando o desapreço internacional pela dura forma como vem tratando os líderes catalães que proclamaram a república frustrada em outubro passado. “Peço a soltura imediata de todos os meus companheirtos que continuam nas prisões espanholas”, disse, em referência aos nove líderes catalães detidos em Madri.
“É uma vergonha para a Europa ter presos políticos em uma democracia. Nossa luta não é apenas pela autodeterminação, mas também pela democracia, o que afeta aos cidadãos europeus. Não há desculpas para que as autoridades espanholas comecem um diálogo com os líderes catalães. É necessária uma solução política”, ressaltou.
Contudo, o recado de Puigdemont parece não ter sido entendido pelo estado espanhol. O juiz Pablo Llarena, que comanda a causa na corte suprema contra os idependetistas, fezsaber através da imprensa que estuda recorrer da decisão alemã no Tribunal Superior Europeu. Já os porta-vozes do primeiro ministro Mariano Rajoy, minimizaram o impacto da decisão clasificando o tribunal alemã como instância inferior, esquecendo-se que num estado federado tais cortes só têm acima o Tribunal Constitucional.
A soltura de Puigdemont repercutiu fortemente na Europa, onde muitas vozes começam a cobrar da Espanha que deixe de criminalizar os líderes catalães e empreenda o caminho do diálogo. Por enquanto, o único gesto de mão estendida é o do líder catalão que cada vez mais ganha projeção.
Puigdemont seguiu para Berlim, onde foi recebido pelos deputados do Juntos pelo Sim, o seu grupo no Parlamento da Catalunha, onde conquistou cadeira de deputado nas últimas eleições de 21 de dezembro.
O ex-presidente terá que ficar na Alemanha até o final do julagamento da euroordem de prisão, que debe ser analisada num prazo de dois meses. Enquanto isso, deverá comparecer uma vez por semana diante da justiça e não poderá sair da Alemanha.