Multidão estimada em 750 mil pessoas enche ruas de Barcelona num clamor pela liberdade dos presos políticos, volta dos exilados e solução dialogada para o conflito entre Catalunha e Espanha 

Os independentistas catalães demonstraram hoje que não estão dispostos a baixarem a cabeça diante do estado espanhol, mesmo sob intervenção e a forte repressão judicial que já dura seis meses após a frustrada proclemação da república em outubro passado. Mais de 750 mil pessoas lotaram as ruas de Barcelona para pedir liberdade dos presos políticos, a volta dos exilados e uma solução dialogada para o conflito.

O protesto sob o lema “Os queremos em casa”, convocada pelo movimento Espaço Democracia e Convivência, teve início por volta do meio-dia na Praça Espanha e percorreu os mais de dois quilômetros da avenida Paralelo, sendo encerrado pouco depois das 14h. Em meio à maré humana grupos populares realizaram apresentações, como os tradicionais castellers (castelos). 

Grupo de castellers fazendo apresentação em meio à manifestação em Barcelona

Batucadas animaram os manifestantes que levavam diversos cartazes, faixas e bandeiras. Entre as mensagens, muitas diziam “República agora”, “Liberdade presos políticos“ e “Puigdemont nosso presidente “. O amarelo, cor símbolo da campanha, dominou nas vestimentas e adereços.

Fotos dos nove políticos e ativistas presos em Madri encabeçavam uma das alas da manifestação em Barcelona

Na primeira fila da manifestação estavam parentes dos presos políticos e exilados, entre eles dos ativistas Jordi Sàchez e Jordi Cuixart, que amanhã completam seis meses de prisão provisória. Os dois são acusados de rebelião e sedição pela organização de manifestações pró-independência. A esposa de Jordi Cuixart, Meritxell Bonet, e o filho de Jordi Sànchez, Oriol Sànchez, leram mensagens enviadas da prisão. Os dois reiteraram o caráter pacífico do movimento soberanista e a disposição de lutar por liberdade.

Oriol Sànchez e Meritexell Bonet (à direita) leram mensagens enviadas por Jordi Sànchez e Jordi Cuixart

Foram feitas homenagens aos demais presos, entre eles membros do governo cessado como o ex-vice-presidente Oriol Junqueras, e a ex-presidente do Parlamento da Catalunha, Carme Forcadell. A manifestação clamou ainda pela volta dos exilados que estão na Bélgica, Reino Unido e Suíça.

Os manifestantes também pediram a volta do presidente cessado, Carles Puigdemont, que está na Alemanha à espera de decisão da justiça sobre a ordem de prisão internacional emitida pela corte espanhola. O líder catalão foi solto no último dia 6 de abril sob fiança, tendo descartada pela corte da Alemanha o crime de rebelião, mas ainda corre o risco de ser extraditado pelo crime de malversação de fundos públicos.


Na sua conta do Twitter, Puigdemont divulgou fotos da manifestação e escreveu em alemão e inglês: “Mais uma vez, uma grande demonstração cívica e democrática. #Catalunha está pedindo #freedom. Somos cidadãos europeus que só queremos viver em paz, livres e sem medo #UsVolemACasa”