*Por Flávio Carvalho

Hoje comemoramos 130 anos da Exposição Universal de Barcelona, com seus cinco motivos turísticos mais significativos para apaixonar-se pela capital catalã

Não existia evento turístico mais importante que a Exposição Universal, naquela época. Dois milhões de pessoas (!) visitaram Barcelona naquele ano de 1888. Imaginem que hoje a Catalunha inteira tem sete milhões e meio de habitantes. Agora imagine que naquela época não havia voos low cost nem Internet. A capital da Catalunha, sempre presente no ranking das cidades mais visitadas de toda a Europa, é hoje bela herança de um evento mundialmente importante.

Você sabia que pelo menos cinco maravilhas da capital catalã foram inauguradas durante a Exposição Universal de 1888?

Primeiro, o mais importante parque, o Parque da Ciutadella. O que para os moradores de Barcelona antes era uma fortaleza militar vigilante e ameaçadora (a monarquia espanhola já vem vigiando e ameaçando os catalães desde séculos) foi reconstruído como uma maravilhosa área verde. Para mim, sem dúvida, o melhor. Aniversários infantis, classes abertas de ioga, espetáculos teatrais, feiras ecológicas, Zoológico… Eu já fui a tudo isso na Ciutadella.

Logo, o que era a porta de entrada da Exposição: o Arco do Triunfo. Não dá pra vir a Barcelona sem passar sob o arco e parar para observar seus detalhes. Naquela época se dizia que qualquer cidade europeia deveria ter seu particular Arco do Triunfo. Berlim, Paris… Barcelona! Mas o de Barcelona tem uma diferença original. Foi dos primeiros a não celebrar algum triunfo militar e sim o triunfo das artes e da ciência, motivo principal da Exposição Universal.

Tudo construído às pressas. E, claro, à custa do sacrifício, acidentes de trabalho e mortes de muitos trabalhadores. Não é a toa que naquele ano fundou-se importante sindicato e o partido socialista, logo depois. E que Barcelona tornou-se cidade para turistas em prejuízo das condições de vida dos seus próprios habitantes. Igual que hoje. Legado histórico.

Em terceiro lugar o mais polêmico, em minha opinião, é o Passeio de Colombo e a estátua do dito cujo, ícone do colonialismo europeu. Dizem que não tiveram a coragem de que o dedo da estátua de Colombo apontasse para a América. Deve ser por vergonha de toda a desgraça que significou para as populações autóctones das Américas, “descobertas” (invadidas) por Dom Cristovão. Os povos indígenas exterminados que o digam. Foi ali que tudo começou.

A mencionada estátua de Colombo é onde acabam as famosas Ramblas. Quem pode imaginar que a Exposição Universal inaugurou o asfalto dessas Ramblas, que até então era coberta de barro? Esse é o quarto “monumento”. Poucos moradores de Barcelona sabem que quem mora fora da cidade, como eu, está acostumado a dizer que “baixa a Can Fanga”, quando vamos à capital. Fang, em catalão, quer dizer “barro”. Uma antiga referência ao lamaçal da velha Barcelona – desde tempos medievais. O Passeio de Colombo substituiu o Passeio de Mar, demarcando a cidade pelas antigas Muralhas de Mar, marco medieval de proteção e defesa.

Sim senhor! As Ramblas, para todos de Barcelona, sempre será muito mais que “aquele lugar do atentado terrorista”… Sempre considerei as Ramblas um museu de gente, à céu aberto.

E como não há fim sem começo, a última referência remete ao começo das Ramblas. Se no final está o mencionado pai do colonialismo, no começo das Ramblas há uma clara referência a uma forma mais saudável de conquistar o mundo (pelo futebol). Explico. Foi na Exposição Universal que se inaugurou a “moderna” iluminação das ruas de Barcelona. Por exemplo, as “farolas” de iluminação pública, como a que podemos encontrar na Font de Canaletes, famosa por dois motivos: quem bebe dessa água (com um gosto horrível, embora potável) não deixará de voltar a essa cidade; e é nela que os culers comemoram todas as muitas (!) conquistas do Futebol Clube Barcelona: o clube de futebol que é considerado “mais que um clube”.

Culers? Més que um club? Que história é essa? De onde vem isso? Não percam a próxima edição. Aqui mesmo no Blog Mundo Afora e em @quixotemacunaima. Aquele abraço.

*Flávio Carvalho é sociólogo (@1flaviocarvalho / @quixotemacunaima)