Pedro Sánchez e Quim Torra terão encontro na próxima segunda-feira, em Madri, na qual líder catalão pretende colocar na mesa situação dos presos políticos catalães

Quim Torra (c), depois de visitar presos políticos, garantiu que transferência à Catalunha não significa moeda de troca nas negociações entre governos espanhol e catalão

Seis dos nove presos independentistas já estão na Catalunha. Oriol Junqueras, Raül Romeva, Jordi Cuixart e Jordi Sànchez foram levados à prisão de Lledoners (Bages) e Carme Forcadell e Dolors Bassa ao centro penitenciário de Puig de les Basses (Alt Empordà). A chegada ocorre a poucos dias do encontro em Madri, na próxima segunda-feira, entre o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, e o presidente da Generalitat, Quim Torra, no qual o líder catalão pretende tratar, entre outros assuntos, sobre a situação presos políticos e exilados.

“Acabou o trato discriminatório, mas não o compromisso vital com a sua liberdade”, declarou Torra, depois de visitar os presos, que também foram recebidos na frente das unidades por manifestantes com com faixas e cartazes pedindo a sua soltura. Nos trechos próximos às entradas dos dois centros penitenciários foram colocados laços amarelos, símbolo pela campanha pela libertação dos presos políticos, e pintadas no asfalto as palavras “Liberdade” e “Os queremos de volta a casa”.

Laços amarelos davam boas vindas aos presos catalães que estavam em prisões madrilenhas há mais de oito meses

A ex-presidente do Parlamento da Catalunha, Carme Forcadell, manifestou através do Twitter alegría por voltar à Catalunha, contudo destacou que está injustamente na prisão.  “Estou contente de estar na Catalunha. Com as pessoas que amo e que me amam. Com a minha gente e o meu país. Mas continuo injustamente na prisão. Perto de casa não é em casa”, tuitou.

O deputado da coligação Juntos pelo Sim e ex-presidente da Assembleia Nacional Catalã (ANC), Jordi Sánchez, também se expressou no Twitter: “Muito contente de voltar à Catalunha. A luz, o Mediterrâneo, tem uma outra cor, parece mais amarelo. O relato pelo qual nos acusam é falso, a liberdade chegará”.

“Apesar da grossura dos muros, agora os escuto com muito mais clareza. Vocês são imparáveis. Não se rendam porque nós jamais o faremos”, agradeceu o ex-vice-presidente Oriol Junqueras, também pela rede social. Na prisão de Lledoners estão sendo esperados nos próximos dias os ex-secretários do governo Joaquim Forn, Josep Rull e Jordi Turull, que na última terça-feira receberam autorização da justiça para tranferência de Madri à Catalunha. “É um direito e não uma concessão”, apontou Turull.

O presidente do parlamento da Catalunha, Roger Torrent, que esteve ao lado de Torra na visita de ontem aos presos também se manifestou. “Não nos conformaremos com menos”, declarou. Torra por sua vez asseverou que tanto a prisão como o exílio dos líderes catalães são “injustas, um castigo e motivo de vergonha para catalães, espanhois e europeus”. Torra insistiu que a transferência não significa um gesto político e nem fruto de uma negociação com o governo espanhol.

Além de tratar sobre a situação dos presos e exilados, o presidente catalão pretende colocar na mesa no encontro da próxima segunda-feira com o primeiro-ministro espanhol os temas autodeterminação e república, além de falar sobre as leis catalãs suspensas pelo Tribunal constitucional. “Estamos abertos ao diálogo”, garantiu.

Os presos independetistas, que estavam há mais de oito meses em prisões madrilenhas, estão respondendo à processo na justiça pela frustrada declaração de república realizada em 27 de outubro de 2017. Também estão sendo processados o ex-presidente Carles Puigdemont, que está no exílio, assim como outros políticos que eram membros do seu governo e correligionários.