Nada melhor que viajar em companhia de quem tem experiência de sobra em roteiros Mundo Afora. Patrícia Cassemiro recomenda desbravar a Cuba e a apreciar um mojito en La Bodeguita del Medio e um Daiquiri en El Floredita…

Ao lado do marido Benjamin, Patrícia convida a experimentar a vida leve de Cuba entre driques e descontraídos passeios por Havana

Por Patrícia Cassemiro

A história recente de Cuba se assemelha com a de Davi e Golias. A pequena ilha guarda a memória da figura expoente do comandante Fidel Castro e de seu grande companheiro Che Guevara, que travaram uma luta vitoriosa contra os Estados Unidos. Comandar um levante contra o grande gigante vizinho e conseguir até hoje resistir ao atrativo comércio de uma das maiores potências mundiais é admirável, mesmo que não estejamos de acordo com uma ditadura e os meios que se utilizam em um sistema assim.

A pequena ilha cheia de contradições é um roteiro para ser realizado sem pressa. Tive oportunidade de visitá-la mais de uma vez com uma década de diferença entre uma viagem e outra. Algumas coisas mudaram, mas ainda continua sendo a ilha dos Castros. A que não perdoa os filhos que a abandonam, a que pode não garantir carne todos os dias no prato dos moradores, mas que com certeza não os deixa passar e garante saúde e educação a todos.
Sua população é tranquilamente alegre e ritmada, seja pelos santeiros, pela música percussionada ou pelos causos que qualquer cubano explicará sem olhar para o relógio sobre os encantos de sua terra. O idioma, um espanhol cantado e embalado pela cultura afroamericana, nos faz esquecer do tempo quando se chega em Cuba. É perceptível uma contradição entre os moradores em desejar o que é de fora e valorizar o que se tem.

Na praça maior, um painel de Che Guevara (foto) recorda o porquê da Cuba Libre. É impossível não fazer imediata associação ao drinque famoso no Brasil e em outros países. Entretanto aqui simplesmente não existe essa mistura de Coca-cola com o rum. A bebida proveniente da cana-de-açúcar merece mais respeito e tem até um museu que se dedica a explicar sua história. Nos bares, a mistura de frutas e ervas fez surgir alguns dos drinques tropicais mais famosos em todo o mundo, como o mojito com limonada e hortelã e o daiquiri, uma batida de gelo com limão ou com morango…

Tanto que um dos antigos moradores ilustres, o escritor prêmio Nobel Ernest Hemingway tinha uma predileção pelo mojito na Bodeguita do Meio (foto) e o daiquiri na Floredita, bares da Havana Velha que fazem parte do roteiro turístico.

Meu conselho é começar pela Bodeguita, um espaço super apertado que serve apenas para provar o mojito. Depois garantir mesa na Floredita, onde você pode repetir vários daiquiris e petiscar sob o embalo da música cubana. Sempre há algum grupo animando o ambiente, onde se pode tirar uma foto ao lado da escultura em homenagem ao escritor.

Cuba é um lugar para experimentar, sentir cheiros, degustar sabores, aprender e se inebriar com um outro ritmo de vida. Não há perigo em transitar por suas ruas, pois é extremamente segura como todo país que vive em uma ditadura.

Foi aqui que provei meu primeiro charuto. Só o cheiro já te embriaga e faz com que possa mandar para longe qualquer estresse. É quase impossível para os principiantes acabar um exemplar grande, que pode ser compartilhado. Mesmo para os não fumantes, vale provar. Ao tragar levemente, uma potência de fumaça sai e você se sente mais leve que nunca…embriagante.

A visita às fábricas de charuto é obrigatória. Nestes lugares, é possível ver senhores que têm como ofício amassar e enrolar os charutos, tudo de forma artesanal. Vale apena comprar uma caixa de Cohiba. Garante que é sempre uma boa forma de terminar um jantar entre amigos e lembrar um bom causo da vida para contar.

Para os que urtem o mar, Cuba tem o Varadero (foto) e outros balneários. Mas para um bom brasileiro o mais atraente na ilha é a história que está imortalizada em cada em cada esquina. Algumas mulheres seguem infelizmente vivendo da venda de seus corpos e ainda existe turismo sexual na ilha.

O colorido de seu povo, os carros antigos, alguns provenientes da Russia de outro século, faz o simples passear nas ruas uma volta no tempo a uma ilha sonhada por revolucionários. Há quem sonhe em pegar um barco e chegar a Miami, que está tão perto geograficamente, mas tão distante no modo de vida de ritmo lento e alegre de ser de todo cubano. Muitos não imaginam a grande cultura que todo esse isolamento proporcionou ao seus habitantes.

Conheço muitos cubanos, alguns que só podem visitar a ilha como turistas e sempre fazem isso quando podem. Outros não podem podem mais voltar e vivem com o banzo da terra deixada para trás…Como Cuba não existe igual.

Cuba é um roteiro obrigatório! Pois com tamanha globalização e massificação do consumismo, não sei até quando existirá um lugar assim. Por isso, se você não tem planos para as férias, inclua a ilha no seu roteiro antes que o governo dos Castros despareça. O comandante Fidel, odiado e amado por muitos já faleceu, mas o povo dali alimenta o amor. Assim, não perca tempo. Cuba te espera!