Manifestação na capital catalã exige que justiça espanhola liberte presos políticos e volta dos exilados depois de corte alemã derrubar acusação de rebelião contra ex-presidente Carles Puigdemont

Mais de cem mil pessoas se manifestaram na tarde deste sábado em Barcelona em solidariedade aos líderes políticos presos e exilados. Sob o lema “Nem no exílio nem na prisão, os queremos em casa”, o ato aconteceu poucos dias depois da justiça da Alemanha negar a extradição do ex-presidente Carles Puigdemont por rebelião e admitir o trâmite apenas por malversação. A decisão jogou por terra principal o argumento da acusação contra os independentistas presos em território espanhol, que teriam o direito de ter o auto de insrtução equiparado ao crime imputado a Puigdemont, com pena mais branda e possibilidade de responder em liberdade.

Fotos dos políticos exilados e presos que respondem a processo por rebelião, sedição e malversação

A manifestação, organizada pela Assembleia Nacional Catalã, Òmnium e Associação Catalã pelos Direitos Civis (ACDC), plataforma formada pelos familiares dos presos políticos, teve início às 19h (14h no horário de Brasília), seguindo da Praça Espanha à Prisão Modelo. Além das famosas esteladas, a bandeira independentista, muitos dos participantes levavam cartazes e faixas com as fotografias dos presos e dos exiliados. Mais de cem ônibus trouxeram manifestantes provenientes de vários municípios da Catalunha. 

Presidente Quim Torra (de camisa branca ao centro) encabeçou manifestação ao lado do ex-presidente Artur Mas (de azul) e de representantes de entidades da sociedade civil e familiares dos presos e exilados

Na linha de frente estavam políticos soberanistas, entre eles o presidente da Catalunha, Quim Torra, e o presidente do Parlamento, Roger Torrent, e os familiares dos presos e exilados, que caminharam até a Prisão Modelo. O local foi escolhido porque depois da sua conversão em espaço de memória virou símbolo contra a repressão.

A presidenta da Assembleia Nacional Catalã, Elisenda Paluzie, fez um repasse de todos os direitos vulnerados pelo Estado espanhol desde setembro de 2017 para frear o referendo de autodeterminação de 1º de outubro. “Não conseguiram, o referendo se realizou e o sim ganhou”, ressaltou. Segundo Paluzie, o Estdo mantém os político catalães como reféns na tentativa de acabar com o movimento independentista. “Não faremos isso, persistiremos”, concluiu, ao dizer que lutarão até efetivar a república proclamada em 27 de outubro passado.

 

O vice-presidente de Òmnium Cultural, Marcel Mauri, enviou uma mensagem ao primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, dizendo que a transferência dos presos a Catalunha, concluída semana passada, não é suficiente. “O único que vale é a liberação dos presos e o retorno dos exilados. Mauri instou o Ministério Público da Espanha a retirar as acusações “inventadas” contra os presos e exilados e que abandone a política judicial.

Meritxell Lluís (foto), representante da ACDC, leu um texto chancelado pelos presos no qual reiteram que o compromisso com a cidadania catalã fortalece as suas convicções e reafirmam que são inocentes, não reconhecento nenhum dos delitos pelos quais são acusados, além de pedirem o arquivamento da causa.