Em Berlim, ex-presidente da Catalunha afirmou que trabalhará para cumprir o mandato do povo expressado em 1º de outubro e revelou desejo de realizar referendo acordado com governo espanhol

Carles Puigdemont retornará no próximo sábado à Bélgica onde retomará a atividade política

O ex-presidente da Catalunha, Carles Puigdemont, anunciou hoje (25) durante coletiva de imprensa em Berlim que retornará a Bruxelas no próximo sábado. Na capital belga, pretende ativar o chamado Conselho da República, que funcionará como caixa de ressonância internacional sobre a situação da Catalunha. “Minha atividade política se centrará na Bélgica, onde continuarei trabalhando pelos companheiros presos, para seguir o mandato do povo e pela normalidade também na minha vida”, explicou.

Puigdemont estava na Alemanha desde de março aguardando o trâmite na justiça do pedido de extradição feito pela corte suprema espanhola. A decisão de retornar à Bélgica foi tomada depois que o juiz Pablo Llarena retirou a ordem de detenção internacional por se recusar a receber Puigdemont em solo espanhol somente pelo crime de malversação de fundos públicos, uma vez que na Alemanha foi considerada inadmissível a acusação por rebelião.

Foi a primeira vez que o ex-presidente se pronunciou após o Tribunal Supremo espanhol renunciar à sua extradição. Puigdemont falou acompanhado dos seus advogados, a quem agradeceu o trabalho na causa. “Quero agradecer também aos representantes políticos e sociais que durante este tempo quiseram conhecer a situação e que se somaram às vozes que pedem uma solução política”.

Puigdemont explicou que Conselho da República, com sede em Waterloo, funcionará como um organismo unitário do movimento independentista para atuar na linha do resultado do referendo de 1º de outubro. Na votação, mais de dois milhões de eleitores compareceram às urnas e votaram pelo sim a independência da Catalunha, apesar a violência policial empreendida pelo estado espanhol.

REFERENDO – O ex-presidente revelou que o ideal seria realizar na Catalunha um referendo como o escocês. “Se tivéssemos contado todos os votos que foram sequestrados pela polícia, teríamos superado os três milhões”, afirmou. Para ele, a mudança no governo da Espanha significou uma mudança de clima e de linguagem. “Contudo, há de chegar o tempo dos feitos e não dos gestos”, afirmando que é necessário diálogo respeitando a vontade expressada nas urnas.

“Não há nenhum preceito na Constituição espanhola que proíba fazer referendos. Reconhece os tratados internacionais como parte do seu ordenamento e o estado é um dos signatários do Pacto de Direitos Civis e Políticos que reconhece o direito à autodeterminação”, sublinhou.

Questionado sobre o regresso à Catalunha, Puigdemont afirmou: “Não sei se levarei 20 anos para pisar em solo espanhol, mas que não levarei vinte anos para pisar em solo catalão”. Com a resposta, o presidente se referiu àqueles que afirmaram com a decisão da corte alemã ele poderá ficar livre no exterior, mas impedido de voltar à Espanha nas próximas duas décadas por conta do prazo de prescrição do crime de rebelião.