Primeiro-ministro Pedro Sánchez é recepcionado com protestos em Barcelona, onde movimento independentista mantém o fôlego mesmo com a repressão do estado e prisão e exílio de líderes

Conselho de Ministros presidido por Pedro Sánchez se reuniu no Palácio Llotja de Mar. Última vez que esteve em Barcelona foi em 1976

 O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, foi recepcionado com protestos em Barcelona, onde realizou nesta sexta-feira (21) o Conselho de Ministros. O rechaço popular se deve à data escolhida pelo mandatário, que coincide com o primeiro aniversário das eleições autonômicas impostas ano passado durante a intervenção após a proclamação da república. Na data, os partidos independentistas venceram o pleito, reelegeram como deputado o ex-presidente Carles Puigdemont, indicado novamente para o cargo, mas impedido de ser investido pela justiça apesar de contar com maioria do parlamento catalão.

Os manifestantes também reclamaram da inação do governo de Sánchez em relação a situação dos líderes presos e exilados e pelo fato de não aceitar um referendo acordado sobre o direito à autodeterminação. Boa parte das manifestações ocorreram nas imediações do Palácio Llotja de Mar, que teve todo perímetro isolado e patrulhado por dez mil policiais. Nove mil deles, pertencentes à Polícia Nacional e à Guarda Civil, vieram de outras parte da Espanha.

Manifestantes ocuparam ruas nas imediações da área onde se realizou o Conselho de Ministros

Com o forte aparato policial, os manifestantes se concentraram nas áreas paralelas ao local, nas imediações do Parque da Ciutadella e Passeio de Colombo. Em cima dos prédios se viam franco-atiradores e pelas ruas equipes com cães farejadores. Além dos protestos em Barcelona, foram registradas mobilizações em outras cidades, como Girona e Tarragona, corte no tráfego de rodovias e greve de alguns setores, como universidades e transporte público.

Ao chegar no local da reunião, Sánchez foi recepcionado com um grande panelaço promovido pelos moradores do prédios vizinhos. Nas imediações, alguns manifestantes encapuzados – que os independentistas acusam de infiltrados – tentaram ultrapassar a área de isolamento. O que provocou tensão e reação da polícia, que reagiu com violência. Em alguns locais foram disparadas balas de borracha, que tem o uso proibido por lei na Catalunha.

Òmnium Cultural realizou “Conselho de Ministros Popular” para debater temas de interesse dos catalães

Nas proximidades da Llotja de mar, a Òmnium Cultural, cujo presidente Jordo Cuixart está preso há mais de um ano acusado de rebelião, montou um palco onde promoveu o “Conselho de Ministros Popular”. Diante de uma multidão estimada em três mil pessoas, personalidades do movimento soberanista debateram tema de interesse da sociedade catalã, como forma de criticar a reunião de Sánchez em Barcelona.  

O Conselho de Ministros aprovou aumento de 100 euros no salário mínimo, que a partir de janeiro passa a valer 900 euros. Também anunciou a decisão de mudar o nome do Aeroporto do Prat, em Barcelona, por Aeroporto Josep Tarradellas, e uma declaração de reparação contra o julgamento e assassinato de Lluís Companys. Tarradelas e Companys foram presidentes da Generalitat da Catalunha e perseguidos pelo regime de Franco e defensores da república.   

Através do Twitter, Carles Puigdemont, exilado na Bélgica, disse: “Hoje, primeiro aniversário da vitória eleitoral do 155, é imprescindível recordar que o estado espanhol não respeitou o resultado das urnas”. O vice-presidente da Òmnium, Marcel Mauri, destacou que as ruas mostraram a dignidade de uma maioria cidadã. “Que de forma pacífica e determinada, saiu de casa para protestar contra um estado espanhol que não respeita os direitos e liberdades.

DIÁLOGO – Na quinta-feira, Sánchez se reuniu com o presidente da Catalunha, Quim Torra, com quem acordou abrir diálogo. Um novo encontro foi marcado para janeiro, entre os dois mandatários, sob críticas do Partido Popular (PP) e Cidadãos, opositores a Sánchez, a quem acusam de estar se humilhando diante dos independentistas