Por Cesar Vanucci *

“Num país progressista a mudança é inevitável, constante.”

(Disraeli, em 1867)

 Para corações fervorosos a chegada de um novo ano acena sempre com benfazejas transformações. Mudanças positivas à vista! A esperança, esse impulso generoso que brota do fundo da alma, introjeta nas mentes de grande parte dos viventes a encorajante ideia de que um novo tempo, de feição certeiramente melhor do que a etapa ficada atrás, vem vindo aí. Com a benção dos deuses, tempo carregado de propostas e promessas alvissareiras. Esse estado de espírito chegado à euforia, mesmo que possa se revelar efêmero com o passar dos dias, tem o condão de espantar emoções negativas e de favorecer a reconexão de muita gente com nobres e generosas práticas de convivência comunitária. Uma pena que tais circunstâncias não se perpetuem, que acabem se esfarelando diante da habitual e fatalística prevalência, no cotidiano, das gritantes imperfeições da conduta humana. Imperfeições essas, como sabido, capazes de desencadearem atos, ditos e gestos, em elevada escala, por tudo quanto é canto, desapartados dos valores humanísticos e espirituais que recobrem de dignidade a jornada da vida. Mas o melhor mesmo a fazer é cuidar, da forma mais saudável possível, de nos agarrarmos às expectativas alentadoras que promanam, neste momento emblemático de alteração do calendário, do sentimento das ruas e lares.

No caso brasileiro, motivação muito especial contribui para tonificar o ânimo popular. Saído de uma eleição desenrolada em termos republicanos e democráticos satisfatórios, em que pesem um sem número de incidentes sumamente indesejáveis, repudiados pela consciência cívica, o cidadão brasileiro sente-se apoderado de grande confiança numa mudança de rumos. Crê, com ardente convicção, que os rumos políticos e administrativos possam ser exemplarmente alterados, de modo a assegurar ao país condição de ascender a outros patamares no avanço civilizatório. Clama por medidas administrativas e empreendimentos públicos e privados que imprimam ritmo de desenvolvimento social e econômico acelerado, consentâneo com as verdadeiras potencialidades do território e as virtualidades da brava gente brasileira.

Na manifestação das urnas, a comunidade expressou claramente sua aspiração em favor de mudanças essenciais. Sente-se empoderada do sagrado direito de pleitear dos dirigentes empossados, bem como dos integrantes das casas legislativas, ações que se coadunem por inteiro com a mensagem explicitada nos anseios da coletividade e acolhida nas propostas dos candidatos vitoriosos. Propostas voltadas para necessárias e urgentes reformas estruturais. Reformas genuínas, não aqueles simulacros de reformas que a demagogia costuma estabelecer pra não fazer reforma alguma.

Da parte da sociedade, independentemente das crenças, posturas e tendências políticas democraticamente assumidas por seus integrantes, não poderá faltar amplo crédito de confiança no trabalho dos que foram escolhidos, por inconteste vontade majoritária, para conduzir os destinos nacionais. Essa colaboração, mesmo em momentos que imponham manifestações críticas construtivas, faz-se imprescindível mode que seja implementado o vital programa de desenvolvimento concebido pelo nosso mais importante partido, o Brasil.

De outra parte, dos detentores do poder espera-se saibam projetar, nas iniciativas tomadas, consciência bastante nítida da relevante missão que se lhes é outorgada. Não lhes falte grandeza de espírito, bom-senso, inteligência e argúcia ao gerirem os negócios de sua alçada com isenção, respeito às opiniões alheias e desprendimento suficiente para mobilizar, quando necessário, vontades e esforços em torno das grandes causas nacionais. Em glorioso instante da história brasileira, o inesquecível estadista Juscelino Kubitscheck de Oliveira fez isso admiravelmente. Seus extraordinários feitos valem como exemplo permanente.

E, por derradeiro, não falte ao povo brasileiro também, nesta hora, bênçãos do Alto para que consiga executar a contento as tarefas que lhe estejam afetas, mirando o advento, para todos e em todos os lugares, de condições de vida mais fraternais, mais justas, verdadeiramente harmonizadas com os ideais democráticos e os valores humanísticos que engrandecem o ser humano.

 * O jornalista Cesar Vanucci (cantonius1@yahoo.com.br) é colaborador do Blog Mundo Afora.