Durante cerimônia da malhação do Judas, na cidade de Coripe, boneco representante ex-presidente catalão foi “assassinado” com munição cedida pela policia local

A malhação de Judas na cidade de Coripe, na Andaluzia, causou reações indignadas neste Domingo de Páscoa, na Catalunha. O boneco malhado, queimado e fuzilado com munição de verdade representava o ex-presidente catalão, Carles Puigdemont, atualmente exiliado na Bélgica. O ódio exposto publicamente nas ruas da cidade andaluza, chocou pelo fato da polícia local ter fornecido o armamento utilizado na cerimônia e por ter sido promovida por uma associação de pais da cidade.

Durante o ato foram proferidos diversos insultos contra Puigdemont, que se pronunciou no Twitter dizendo que normalmente tem tendência a respeitar “as mostras de ironia e sarcasmo” porque entende que formam parte da liberdade de expressão”. Mas que neste caso não pode respeitar “por dignidade pessoal e por decência democrática”.


O ex-presidente descreveu o ocorrido como “uma mensagem de ódio” em um ato do qual “participaram menores que assistiram como algo normal à orgia de violência desatada contra o que represento”. “É um ato indigno, imprópio de uma sociedade civilizada”, assegurou.

Puigdemont ressaltou o fato da cidade onde ocorreu o ato ter o prefeito do PSOE, o mesmo partido do atual primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez. “Hoje numa cidade da Espanha, governada pelo PSOE, decidiram fuzilar e queimar um boneco que representava a minha Pessoa e que levava um laço amarelo bem visível. Não quiseram fuzilar e queimar somente a mim, mas fazer burla da luta pela liberdade dos presos e exilados”.

O atual presidente da Catalunha, Quim Torra, também se pronunciou anunciando que denunciará o ocorrido. “Simplemente horrendo. Asco extremo, intolerável. Faremos uma denúncia”, escreveu na rede social.

A Queima do Judas é uma festa de Coripe é considerada de Interesse Turístico Nacional e no ano passado também gerou muita polêmica, quando o Movimento contra a Intolerância apresentou uma queija contra os organitzadores. Isso por um suposto matiz racista da festa, já que a figura “queimada” então representava a acusada do menino almeriense Gabriel Cruz, Ana Julia Quezada . O prefeito de Coripe, Antonio Pérez, e sua secretária de Festejos, Irene García, tiveram que prestar esclarecimentos ao Ministério Público acusados de um suposto delito de ódio. A causa depois foi arquivada.


Numa das publicações do Twitter que denunciaram o fuzilamento do boneco de Puigdemont, o do internauta Miquel Strubell alertava: “Atenção: Assim ‘assassinaram’  o homorável presidente Puigdemont na cidade de Coripe. A policia local local carregava a munição em um carro com logotipo da Junta da Andalusia. Perdão, mas isso é gravíssimo”.