Na sessão constitutiva do Congresso e do Senado espanhol, os holofotes da imprensa, especialmente a internacional, se voltaram para os políticos catalães presos que tomaram posse nesta terça-feira (21). Jordi Sànchez, Jordi Turull, Josep Rull (Juntos por Catalunha) e Oriol Junqueras (Esquerda Republicana de Catalunha) juraram os cargos de deputados, enquanto Raül Romeva, da mesma sigla, cumpriu o ato como senador.

Ao entrarem no hemiciclo do Congresso, onde os 350 deputados eleitos em toda Espanha participaram da abertura da XIII Legislatura, os deputados catalães foram aplaudidos de pé pelos demais integrantes de ERC, JXCAT e do partido basco EH Bidu. Sànchez, Turull, Rull e Junqueras fizeram seus respectivos juramentos diante do presidente da sessão e depois participaram da votação na qual a catalã Meritxell Batet, integrante do PSOE do primeiro-ministro Pedro Sánchez, foi eleita presidente do Congresso.

Durante o juramento dos presos catalães, houve agitação no plenário, com os deputados do partido Popular, Cidadãos (direita) e Vox (estrema direita) dando golpes de punho nas mesas para sufocar a fala dos independentistas, enquanto seus companheiros de partido aplaudiam. Junqueras, ex-vice-presidente da Catalunha, aceitou a constituição “desde o compromisso republicano e por imperativo legal” e “como preso político”.

Oriol Junqueras na sessão constitutiva do Congresso espanhol

No Senado, o juramento de Raül Romeva também foi alvo de aplausos e protestos. Eleito com 928722 votos, o ex-secretário de Assuntos Exteriores da Catalunha jurou a constituição dizendo: “Até a proclamação da república catalã e sempre comprometido com a liberdade, a igualdade e a fraternidade. Como preso político, e por imperativo legal, prometo”.

No Congresso, o líder de Cidadãos, o catalão Albert Rivera, reclamou do juramento dos presos catalães, alegando que se tratava de uma ofensa à Espanha. Retransmitida ao vivo, o canal institucional responsável pela difusão, evitou os planos fechados nos deputados catalães e se esquivou de filmá-los, deixando quem assistiu à cerimônia sem a informação do que se passava dentro do plenário


O ex-presidente da Catalunha, Carles Puigdemont, falou com os deputados de JXCAT por telefone, fazendo o registro da conversa nas redes sociais. No Instagram, postou uma foto do momento, dizendo ter sido um prazer ver os parlamentares fora das grades e lutando pela democracia.

 

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L’alegria de poder parlar avui per telèfon amb en Jordi Turull, en Josep Rull i en Jordi Sánchez. Un goig sentir-los sense barrots, treballant per la democràcia. Però que aquest parèntesi no ens faci veure miratges: segueixen confinats en una cel·la, com la Carme, la Dolors i en Quim, acabaran vulnerant de nou els seus drets polítics, i la farsa del judici al Tribunal Suprem continuarà. Mentrestant, la repressió s’estén com una taca d’oli. Avui, per exemple, amb l’embargament de béns als 30 processats de l’#1oct ordenat pel jutjat 13 i l’inici del judici contra 7 activistes madrilenys que van participar en la manifestació contra la repressió a Madrid. Necessitem enormes dosis d’empatia, de resiliència i solidaritat. La lluita és dura, feixuga i complexa, però ni podem decaure ni ens podem rendir. Ens necessitem a tots i totes. Si hi ha esperança per la llibertat individual i col·lectiva és en la internacionalització política i jurídica, i en la capacitat de resistència i enginy del poble català. Guanyarem! #FreeTothom 🎗 #NoSurrender ✊ #CatalanRepublic 🗳

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Apesar da alegria expressada por ver os políticos catalães nas Cortes espanhola, Puigdemont resssaltou que “o julgamento farsa continua”. Também denunciou a perseguição as 30 pessoas, entre funcionários da Generalitat, que começaram a ter os bens embargados hoje por conta de um processo de malversação de fundos públicos por conta da realização do referendo de 1º de outubro de 2017.

Puigdemont ressaltou que a luta é dura e que é necessário doses de empatia e solidariedade para seguir adiante.

Os presos catalães não têm garantido poder exercer seus mandatos, uma vez que o Tribunsl Supremo, que está realizando o julgamento, entende que devem ser suspensos pelo parlamento pelo fato de estarem sendo julgados. A decisão está nas mãos do Congresso, que deve se pronunciar nos próximos dias.