Campanha #FreeCarolaRackete invadiu as redes, com gente de diversos países pedindo liberação de alemã presa na Itália por salvar vidas no Mediterrâneo

Momento da prisão de Carola Rackete por salvar migrantes no Mediterrâneo

Uma onda de solidariedade à alemã Carola Rackete invadiu as redes sociais depois que a capitã do barco de resgate “Sea Watch 3” foi detida, no último sábado (29), na Itália. A ativista foi presa pela polícia do país após chegar ao Porto de Lampedusa para desembarcar 40 migrantes que havia salvado da morte no mar Mediterrâneo. O ministro de Interior italiano, Matteo Salvini, acusou a Rackete de comportar-se “como uma delinquente” antes de ameaçar a outras ONG, entre elas a catalã Open Arms, com aplicar-lhes o mesmo trato caso decidam entrar em águas italianas.


Em diversos países, houve demonstração de solidariedade à detenção de Rackete, entre eles em Portugal, França, Alemanha e Luxemburgo. A deputada Isabel Pires, do Bloco de Esquerda de Portugal protestou através do Twitter: “#CarolaRakete foi detida pelo governo fascista de @matteosalvinimi por resgatar, desta última vez, 40 pessoas à deriva no Mediterrâneo. A capitã do @seawatch_intl é a face do que deveria ser a verdadeira solidariedade. #FreeCarolaRackete #RefugeesWelcome”.

O ministro de Interior francês, Christophe Castaner, disse que “o fechamento dos portos é uma violação ao Direito do Mar”, enquanto o responsável de Exteriores de Luxemburgo denunciou que “salvar vidas é um dever e não pode ser nunca um delito ou um crime”. Nas redes sociais, imagens em solidariedade a Rackete se espalharam, especialmente ilustrações com mensagens de apoio à capitã.

A previsão é de que no início desta semana seja realizada a audiência em que tem que ser convalidada a prisão e na qual a ativista será interrogada. Salvini anunciou que em caso de que a capitã do Sea Watch seja liberada à espera do julgamento, será pedida sua expulsão imediata do país.

SALVAMENTO – Dos migrantes a bordo do Sea Watch, França se mostrou disponível a acolher 13 pessoas; Alemania a 10; Finlândia a 8, e os demais se repartirão entre Luxemburgo e Portugal. Sobre o feito de entrar em águas italianas sem autorização, Rackete, de 31 anos, declarou: “Minha vida tem sido fácil, pude frequentar três universidades, me graduei com 23 anos. Sou branca, alemã, nascida em país rico e com o passaporte correto. Quando me dei conta, senti a obrigação moral de ajudar a quem não tem as mesmas oportunidade”.