A capitã do barco da ONG Sea Watch foi liberada pela justiça e suscitou ira do ministro Matteo Salvini

Prisão da capitã do Sea Watch que salvou 42 migrantes suscitou campanha de solidariedade na Europa

A justiça não viu delito na conduta da alemã Carola Rackete, 31, presa
em Lampedusa no último sábado após desembarcar 42 migrantes que
resgatou no Mediterrâneo desobedecendo ordem do governo italiano. A capitã do barco da ONG Sea Watch, solta na noite da terça-feira (02), havia sido presa pela polícia local acusada de “resistência ou
violência contra embarcação de guerra” e de “tentativa de naufrágio”
por haver chocado acidentalmente contra a patrulha de fronteira no
momento que atracava na ilha.
A juíza que tomou a decisão afirmando que “a resistência a um oficial
público foi devido a que a capitã atuou “para cumprir seu dever”, ou
seja, para salvar vidas humanas no mar. Ainda diz que a decisão de
desembarcar 42 migrantes em Lampedusa “não foi casual, senão porque era um porto seguro mais próximo”, assim como reza a lei de salvamento no mar.  “A capitã atuou para salvar os migrantes. Por esta razão as despesas com os danos de uma lancha policial foram desconsiderados. A lancha em questão, com matrícula 808, tentava impedir fisicamente que
o barco atracasse no molhe da ilha”, diz a sentença.
A soltura da ativista provocou a ira do ministro de Interior da
Itália, Matteo Salvini, que havia proibido o barco que estava há 17
dias no mar de atracar em solo italiano. “É um mal sinal”, declarou
através de comunicado no qual criticou a juíza. “Se um juiz não aplica
as leis, pode sempre abandonar a toga e meter-se em política com a
esquerda e mudar as leis. A festa terminou”, disse Salvini. O ministro
ainda ressaltou que na Itália as coisas mudaram. “Voltamos a levantar
a cabeça e estamos orgulhosos de defender nosso país e de ser
diferentes de outros pequenos líderes europeus que pensam que podem
nos tratar como uma colônia sua”.
Depois de saber da decisão, Salvini anunciou a expulsão imediata da
capitã de solo italiano. Contudo, a ordem não poderá ser cumprida
porque no próximo dia 8 de julho Carola Rackete deverá apresentar-se à
justiça para responder pelo segundo delito do qual é acusada. Ou seja,
pelo favorecimento de imigração clandestina. Se trata de um delito
aprovado por o governo de centro direita presidido por Silvio
Berlusconi que não existe em nenhum outro país europeu. Inclusive, que
poderia ser impugnado na Itália pelo Tribunal Constitucional visto que
contradiz todos os tratados internacionais sobre migrações que Roma assinou e que tem um valor superior às leis nacionais.
Um porta-voz da ONG informou que Rockete foi levada a um lugar secreto
“por ter recebido ameaças”