Protesto acontece no próximo sábado, 7 de setembro, às 18h, na capital catalã para denunciar a “tragédia ambiental sem precedentes” estimulada pelo governo Bolsonaro na floresta Amazônica

A Assembleia Brasileiras contra o fascismo promove no próximo sábado, 7 de setembro, o ato “Lute pela Amazônia”, a partir das 18h, na praça Sant Jaume, em Barcelona. Antes haverá uma caminhada pelas ruas do bairro Gótico, prevista para iniciar às 17h30, com saída da praça Reial, seguindo pela rua Ferran até o local do protesto, no qual além dos parlamentos, estão previstas apresentações de música, dança, poesia, teatro e capoeira.

Durante o ato, será lido um manifesto, que pode ser acessado na página do Facebook das Brasileiras contra o Fascismo, no qual explicam que o Brasil está vivendo uma tragédia ambiental sem precedentes. “Os incêndios, que estão arrasando a floresta amazônica há cerca de um mes, têm um forte impacto, principalmente, sobre a biodiversidade e a vida das populações locais, como as indígenas, seriamente ameaçadas. Além disso, segundo especialistas, deverão causar mudanças climáticas irreversíveis em todo o mundo”, diz o documento.

O grupo entende que diante da gravidade da situação é preciso manifestar publicamente o repúdio ao desmonte promovido pelo presidente Jair Bolsonaro das políticas de proteção ambiental que haviam sido construídas nas gestões anteriores. “Pouco depois de assumir a presidência, Bolsonaro determinou drásticos cortes de até 95% no orçamento do Ministério do Meio Ambiente, o que vem propiciando a destruição do ecossistema de maneira crescente nos últimos meses”, informam.

Apesar de o mundo assistir incrédulo às imagens das queimadas, o grupo ressalta que o que está acontecendo não pode ser considerado uma surpresa. “Desde que estava em campanha eleitoral, Bolsonaro prometeu fortalecer o agronegócio e o extrativismo, que, por sua vez, atendem a interesses econômicos internacionais de exploração de todos os recursos da região amazônica”, afirma o manifesto.

E continuam: “Durante os primeiros oito meses de governo, o ‘Capitão Motoserra’, como ele mesmo se define, declarou ser favorável a ‘segurar’ multas ambientais e ‘fazer uma limpeza’ no Ibama, órgão estatal de fiscalização ambiental. De janeiro a abril deste ano, o número de operações deste órgão para fiscalizar o desmatamento caiu 58% em comparação com o mesmo período do ano passado.

O protesto é o segundo em menos de duas semanas em Barcelona. O primeiro aconteceu no último dia 23 de agosto, em frente ao Consulado do Brasil (acesse texto em catalão no blog La Forastera), cortando o trânsito na avenida Diagonal. O coletivo Brasileiras contra o Fascismo estava presente a manifestação, convocada pelos grupos Fridays for Future (Sextas pelo Futuro) e Rebel·lió o Extinció (Rebelião ou Extinção). Naquele dia se somaram a atos realizados diante de consuladas e embaixadas do Brasil em diversos países em defesa da Amazônia.

Brasileiras contra o fascismo estiveram presentes a protesto no último dia 23 de agosto diante do Consulado do Brasil em Barcelona, em defesa da Amazônia em manifestação que se multiplicou em vários países

Mesmo tendo determinado que as Forças Armadas atuem para combater os incêndios na Amazônia e de ter publicado decreto proibindo as queimadas na Amazônia, é difícil crer no presidente ultra brasileiro. No país é notório o seu discurso contra o trabalho dos órgãos de fiscalização do meio ambiente e de descrédito do INPE, instituto que monitora as queimadas na região. Além disso, se sabe do interesse que tem de abrir a possibilidade de mineração em terras indígenas, hoje proibida, e o desapreço que tem pelos temas ambientais.

Por conta disso, grilheiros e fazendeiros da região de Altamira, no Pará, promoveram o “Dia do Fogo”, no último dia 10 de agosto. Na ocasião, trouxeram gente de outros estados para tocar fogo nas matas às margens da BR-116, num ato em apoio a Bolsonaro. O governo do presidente ultra foi avisado três dias antes dos planos pelo Ministério Público e nada fez para impedir as queimadas criminosas, estimulando ainda mais os incêndios criminosos em outras áreas da floresta.