Após encontro com Felipe VI, Pedro Sánchez anunciou novas eleições na Espanha

Na próxima segunda-feira, 23, a legislatura eleita em 28 de abril passado na Espanha – Congresso e Senado – será dissolvida e convocadas novas eleições para 10 de novembro. O anúncio foi feito na terça-feira pelo primeiro-ministro em funções, Pedro Sánchez (PSOE), após a última rodada de conversas dos líderes dos grupos políticos com o rei Felipe VI. Apesar de ter ficado em primeiro no pleito passado, o socialista  não conseguiu consolidar um acordo que facilitasse a sua investidura.

Ao fazer o anúncio Sánchez criticou as demais formações políticas dizendo que “fez de tudo” para formar governo e que as siglas “tornaram impossível a investidura”. Contudo, o que se percebeu nestes cinco meses de negociações, desde as eleições de abril até aqui, é que o socialista preferia ir a um novo pleito, na expectativa obter mais cadeiras no Congresso de Deputados.

Pesquisas internas do PSOE indicariam que Sánchez tem possibilidade de obter melhores resultados e se aproximar da maioria. Assim, rejeitou as diversas propostas de formar um governo de coalizão com o partido Unidas Podemos, comandado por Pablo Iglesias.

O líder do partido por fim disse que o bloco de esquerda manteria a abstenção caso o Congresso decidisse votar uma segunda investidura de Sánchez pela falta de acordo com o socialista. E reputou que se chegou a este cenário devido à “arrogância e ao desprezo pelas regras básicas de uma democracia parlamentària impostas sobre à sensantez”, numa referència ao primeiro-ministro em funções.

Já o Partido Popular, de Pablo Casado, e Cidadãos, de Albert Rivera informaram ao rei que suas bancadas votariam não a Sánchez. Com esse cenário, o socialista decidiu não se apresentar a uma segunda investidura. Na primeira, com este mesmo posicionamento dos partidos, Sánchez não obteve o número de votos necessários para formar governo.

Albert Rivera, que se negou até o último momento a apoiar Sánchez, ainda fez ontem uma proposta de desbloqueio da legislatura, que não prosperou. O líder de Cidadãos garantiria a abstenção do seu partido, permitindo a investidura, caso Sánchez concordasse em fazer uma intervenção na Catalunha. Rivera também exigiu que o PSOE cedesse o governo da comunidade de Navarra ao seu partido, saindo da coalisão atual no parlamento regional, e aceitasse não aumentar impostos.

Sánchez escreveu uma carta a Rivera garantindo que tais pontos eram viáveis, mas não convenceu o líder de Cidadãos. Que exigia um documento por escrito com as propostas “aceitas bem claras”. Com isso, a Espanha ruma para a quarta eleição geral em 4 anos (uma em 2015, uma em 2016 e duas em 2019), numa instabilidade política marcada pelo conflito com a Catalunha, tema que domina o debate polítíco Onde o partido Cidadãos crê necessária uma nova aplicação do 155 para suspender o Parlamento e o Governo da Generalitat, onde há maioria independentista, e utiliza isso como bandeira de campanha.

Diante do novo pleito, Sánchez pediu no pronunciamento oficial no qual anunciou a decisão que os eleitores  deixem sua posição mais clara em 10 de novembro, culpando as demais siglas pelo naufrágio da investidura. Analistas políticos, porém, consideram a aposta de Sánchez arriscada, visto que ele venceu as eleições com pouca margem de diferença para o PP, Cidadãos (direita) e Vox (extrema direita).