Em postagem no Facebook, Mariana Araújo destaca manipulação de informação em matéria do El País sobre protesto no Aertoporto de Barcelona e aponta links que mostram de onde vem a violência que querem reputar aos catalães

A advogada brasileira, Mariana Araújo, radicada em Barcelona, fez uma análise acurada no seu perfil no Facebook de matéria publicada pelo jornal El País (leia aqui) sobre a ação das forças de segurança contra os manifestantes que fecharam o Aeroporto do Prata, na última segunda-feira (14). A multidão, convocada pelo movimento Tsunami Democrático, que protestavam contra as duras sentenças contra os líderes catalães condenados pelo Tribunal Supremo, foi violentamente reprimida, com centenas de feridos, entre eles um jovem de 22 anos que perdeu a visão de um olho atingido por uma bala de borrcha.

Mariana chama a atenção para uma das informações publicadas no texto, que diz: “tanto a Policial Nacional espanhola atuaram (sic) pesadamente para conter as manifestações. Foram usadas munição de dispersão, como balas de borracha e uma versão mais “macia” (viscoelástica).” A advogada destaca o trecho para pedir aos brasileiros que estão recebendo notícias sobre os protestos na Catalunha fiquem em alerta para o relato da mídia espanhola.

É visível que a maioria dos meios de comunicação de Madri estão alimentando o relato de que o movimento independentista é violento. Quando o que se tem visto agentes policiais agredidindo de forma desproporcional os manifestantes, alimentando o relato do governo espanhol que quer apenas uma justificativa para fazer uma nova intervenção na Catalunha.

Num protesto ontem no centro de Barcelona, por exemplo, houve barricadas, conteiners foram queimados e suspeita-se que estas ações foram praticadas por infiltrados que querem criminalizar os independentistas. Há também registros em vídeos que mostra a polícia jpogando os carros em cima dos manifestantes, aumentando a tensão.

Mariana ressalta que “a atuação da polícia (qualquer uma) aqui não foi em momento algum para conter as manifestações. É uma polícia violenta que responde com ameaças, que amedronta, bate, destroça e atropela. Não existe outro nome para o que está acontecendo aqui que não terrorismo de Estado. É uma gentinha que bate em idoso, em mulher e em menor de idade”, explica a advocada no primeiro parágrafo da postagem.

Abaixo, com autorização de Mariano Araújo, reproduzo na íntegra a postagem, na qual a advogada, insere links que podem comprovar as afirmações que faz. E pede para que o conteúdo seja o máximo reproduzido para que fora da Catalunha não prevaleça um relato falso sobre um movimento que sempre se destacou pela não-violência.

“(As polícias) Respondem de maneira desproporcional e fora de qualquer protocolo de atuação. E ilegal: balas de borracha são proibidas na Catalunha desde 2014, ainda assim são centenas as pessoas atingidas nesses últimos dois dias – pela Polícia Nacional e pela catalã (Mossos d’Esquadra), importante saber.

Ilustro o que digo com notícias, fotos e vídeos, alguns de bons amigos:

– Um rapaz perde um testiculo depois de apanhar da polícia ontem:

– o relato de uma jovem que disse ter temido muito pela própria vida hoje, enquanto manifestava pacificamente com outros estudantes (em catalão, se alguém quiser traduzo):

Outro, também de uma menina:

– mossos d’esquadra em uma cidade do interior provocando catalães com gritos dos próprios manifestantes (“somos gente de paz”), enquanto riem:

– policia nacional na manifestação de hoje:

Muito importante também ter em conta a manifestação de hoje como estava antes que a policia entrasse, peço especial atenção na leitura desse fio do twitter, que explica como a ação policial converte uma manifestação de senhores e senhoras em uma cena de guerra:

 

e na manifestação de ontem:

Papai, me detruíram

– uma outra jovem que a policia joga no chão e continua batendo até quebrar uma perna:

https://twitter.com/angelgarcia…/status/1184111251028353027…

– um dos diversos jornalistas atacados pela polícia, mesmo com roupa e identificação de imprensa e autorizados a estar nos locais:

https://twitter.com/jordiborras/status/1183766308774645761…

– senhoras e senhores de idade fugindo da polícia:

– um menor de idade atendido depois de levar um tiro de bala de borracha no rosto:

– a policia perseguindo manifestantes dentro do McDonalds (aqui ao lado de casa, por sinal):

https://www.vilaweb.cat/…/policia-espanyola-hospital-santa…/

– policia atropela manifestantes hoje:

E ontem:

Técnica do “carrossel”, que há semanas a própria polícia disse que não usaria mais, e que consiste em dissolver as manifestações usando os carros e vans oficiais em cima das pessoas:

– ferido com bala de borracha no rosto ontem:

Correspondente da BBC denuncia violência policial nos protestos na Catalunha:

E a mais importante, a polícia impedindo socorro ao rapaz que atiraram no rosto e que veio a perder um olho:

E seguiria… Há quatro horas tínhamos notícia de mais de 60 pessoas atendidas pelos enfermeiros e médicos voluntários na manifestação do centro. Ontem só no aeroporto foram quase 120.

Muito além das razões que levaram os catalães a tomarem as ruas ontem (as sentenças com condenações fortíssimas para 9 dos que estavam sendo julgados pela participação direta e organização do plebiscito de 2017, inclusive dois ativistas sociais, notadamente pacíficos, por convocarem manifestações, também pacíficas) uma coisa à resposta espanhola deixa clara e é que sobram motivos pra que queiram sair do país como é hoje.

Todo o meu suporte, amor e orgulho por esse povo tão digno, desobediente e lutador. Não existe no mundo justificativa para a repressão como foi em outubro de 2017 e ainda menos agora. Sendo eu, não há no mundo a possibilidade de que deixasse de tomar partido. E sou categórica ao dizer que qualquer um com um mínimo de apreço pela democracia deveria se manifestar também. Todo ataque ao exercício de direitos fundamentais deveria ser rechaçado.

E amigos do Brasil, não acreditem sempre na notícia como a recebemos aí. Questionem, busquem se informar. Me ponho 100% a disposição para qualquer dúvida em relação aos fatos e acontecimentos porque eu, ao chegar aqui poucos dias antes do plebiscito, tinha também minhas dúvidas. O que está acontecendo aqui é gravíssimo e necessitamos uma maior visibilidade no cenário internacional.

Agradeço se puderem compartilhar.”