Catalães paralisam território em greve geral e realizam manifestação gigantesca em solidariedade aos políticos e ativistas condenados pelos feitos de outubro de 2017

Milhares de pessoas – 750 mil segundo os organizadores e 525 mil de acordo com a Guarda Urbana – se concentraram na tarde desta sexta-feira no Passeio de Gràcia, em Barcelona, para protestar contra a sentença aplicada pelo Tribunal Supremo (TS) aos líderes políticos catalães. O ato fez parte da greve geral convocada pela Intersindical-CSC e IAC, com apoio de diversas entidades e associações, que paralisou toda a Catalunha desde as primeiras horas da manhã.

A mobilização ganhou corpo com a chegada à capital das colunas multitudinárias das “Marchas pela liberdade” convocadas pela Assembleia Nacional Catalã (ANC). Vindas das cidades de Vic, Girona, Tarragona, Tàrrega e Berga, começaram a caminhada pelas principais rodovias catalãs há três dias e foram agregando mais participantes por onde passavam, chegando a Barcelona por volta das 13h.

Marchas pela Liberdade saíram há três dias de cinco municípios do interior e centram hoje em Barcelona parab se somarem à mobilização central da greve geral

As imagens das colunas que entraram pela capital por vias distintas são espetaculares, com mais de quatro quilômetros cheio de gente, perdendo-se de vista de fotógrafos e cinegrafistas, como mostra o vídeo abaixo publicado no Twitter pela Al Jazeera . Aplaudidos por onde passavam, se dirigiram aos Jardinets de Gràcia, na confluência com a Gran Via, uma das artérias mais movimentadas da cidade.

A manifestação ocorreu sob o lema “Pelos direitos e liberdades”, com uma pauta de reivindicação não somente em relação aos direitos políticos e a repressão de  estado, mas também com reivindicações trabalhistas ao governo central, como aumento do salário mínimo e derrubada da reforma trabalhista vigente há alguns anos.

A abragência da greve pode se sentir desde as primeiras horas da manhã, com rodovias cortadas, o porto de Barcelona paralisado, a maior parte do comércio fechado, indústrias com produções suspensas e serviços públicos operando com contigentes mínimos. A fronteira com a França, na região de Jonqueras, ficou bloqueada todo o dia por manifestantes, provocando engarrafamentos quilométricos dos dois lados da fronteira, especialmente de caminhões de carga. Equipamentos turísticos, como a Sagrada Família foram fechados, e o clássico BarcelonaXMadri, que ocorreria no sábado, 26, foi transferido para dezembro.

PROTESTO – No ato central, a multidão se espraiou por ruas e avenidas na confluência do Passeio de Gràcia com a Gran Via. Entoando lemas como “liberdade presos políticos”, “independência”, “as ruas serão sempre nossas”, “fora forças de ocupação” a manifestação ocorreu de forma pacífica. Famílias inteiras participaram do protesto, com grande predominância de jovens levando consigo a estelada – a bandeira independentista – e cartazes com mensagens com críticas ao governo espanhol.

Na manifestação, que se encerrou por volta das 20h, os representantes da ANC e Òmnium Cultural, que deram apoio ao ato, pediram aos políticos independentistas que chancelem a declaração de indpendência declarada pelo governo catalão em outubro de 2017. Isso num momento em que os partidos independentistas expressam publicamente divergências e parecem acuados pela repressão do governo, com receio de uma nova interveção do governo central na Catalunha, como a ocorrida há dois anos.

A presidente daANC, Elizenda Paluzie, mandou um recado ao governo espanyol e aos partidos independentistas. “Estamos de pé e não ajoelhados. As pessoas estão aqui para defender a independència desde a luta não-violenta. Pedimos unida de por um projeto coletivo, nos importa bem pouco quantos deputados serão eleitos no próximo 10 de novembro”, destacou, se referindo à eleição ao Congresso espanhol, da qual participarão as siglas independentistas.

Na mesma linha se pronunciou o vice-presidente de Òmnium Cultural, Marcel Mauri, cujo presidente Jordi Cuixart, foi condenado a nove anos de prisão por sedição. “Não pararemos até ganhar a liberdade. Os presos políticos não são a vizualização de nenhuma derrota, senão um passo mais até a vitória. Não há suficiente com as prisões para acabar com o nosso sonho de liberdade”, disse.