Por Cesar Vanucci *

Falar em garimpar em território indígena serve a quem?  O governo deveria estar falando em processos para vigiar a Amazônia pra valer”. (Roberto Brant, presidente do Instituto CNA – Confederação Nacional da Agricultura)

A Amazônia é manchete mundial. Comportando incontáveis e bem diversificados enfoques, as considerações suscitadas pela momentosa questão são, que nem a fabulosa floresta, de vastidão imensurável. Cuidemos, neste comentário, de anotar três itens essenciais. Primeiro: a Amazônia é brasileira. Fim de papo. Ponto final. Segundo: são indisfarçáveis, estridentemente reconhecíveis, as demonstrações da inaceitável cobiça internacional pela fantástica reserva de recursos naturais valiosíssimos abrigada no solo e subsolo do dadivoso território. Terceiro: as queimadas e desmatamento, lastimavelmente crescentes, são realidade irrecusável. Geram compreensíveis preocupações. Carecem ser confrontadas com vigor, competência profissional e espírito crítico. Não com bravatas e espalhafato demagógico e inconsequente.

Postos assim os fatos, imperioso admitir que a opinião pública sente-se apoderada, na hora presente, de grande mal-estar e desconforto. E tudo isso por causa da notória inabilidade política e diplomática do governo brasileiro na condução do efervescente debate planetário travado, no momento, sobre os danos ambientais decorrentes da destruição de áreas de considerável tamanho da maior floresta tropical do mundo.

As repercussões estrondosamente negativas registradas dentro, mas, sobretudo, fora do país, por atos e declarações despropositados de elementos da cúpula governamental, a respeito do meio ambiente, clamam por reflexões responsáveis. E, também, por urgentes mudanças de rumos. O bom-senso, ancorado em legítimo sentimento nacional, recomenda que os desatinos e a intolerância cedam lugar a estudos e reavaliações conscientes de cunho político, diplomático, científico e técnico.

Tema de tamanha magnitude, no foco prioritário das preocupações da sociedade humana, a questão ambiental, como um todo e igualmente no importante caso específico da Amazônia, necessita ser encarada com suprema seriedade. Sem, logicamente, questionamentos ridículos e arrogantes por parte das lideranças providas de poder decisório. Sem arroubos demagógicos. Sem interpretações distorcidas dos acontecimentos, nem com o emprego de zombaria como réplica a pareceres emitidos por instituições com sólida reputação no monitoramento dos candentes problemas ecológicos.

A ameaça ambiental que ronda a humanidade é extremamente grave. A propagação sistemática, petuante, de versões desconexas a respeito é nociva ao interesse coletivo. Denota, no mais das vezes, imperdoável desconhecimento de causa. Completa ausência de sensibilidade social. De quebra, indigência intelectual.

Chegado o momento, sem mais delongas, de refrear o deletério processo do desmatamento na Amazônia. Urge colocar em execução, inteligentemente, políticas de desenvolvimento planejado, de sustentabilidade econômica, com positivos reflexos sociais, nesta prodigiosa região do mapa-mundi. Uma região que, por superiores desígnios, tocou ao Brasil e aos brasileiros – e tão somente a eles – administrar, pelo que é lícito se aguardar, com firmeza, competência e responsabilidade. Com atenção centrada no bem-estar de nossa gente e, por extensão, da coletividade humana de maneira geral.

As providências estratégicas reclamadas implicam – é o óbvio ululante – na defesa intransigente, indormida, dos direitos soberanos, inalienáveis, de que o nosso país é, legitimamente, detentor para com esta magnífica porção territorial do planeta. Cuidar bem da Amazônia implica em protegê-la, com uma combinação de medidas abarcando amplos setores operacionais, das ameaças externas inocultáveis, volta e meia detectadas, em pronunciamentos e atos descabidos, ostensivos ou dissimulados, constantes da atuação geopolítica das grandes potências. Mas implica, também, em colocar um definitivo basta nas criminosas devastações da floresta, desencadeadas por ganância negocial, em flagrante colisão com os interesses fundamentais da Nação.

Cuidar bem da Amazônia implica ainda em obstaculizar pra valer as práticas clandestinas predatórias, carregadas de violência contra nativos, envolvendo grileiros, madeireiros, garimpeiros e outros aventureiros engajados na exploração ilícita das riquezas concentradas no pedaço.

*  O jornalista  Cesar Vanucci (cantonius1@yahoo.com.br) é colaborador do Blog Mundo Afora

Artigo de 29/08/2019