Pedro Sánchez vence eleições gerais na Espanha, mas sem ampliar resultados do PSOE em comparação com o pleito de abril, enquanto extrema direita tem resultado histórico com ascensão de Vox

Os sete primeiros colocados nas eleições gerais da Espanha

Com 99,91% dos votos computados, o resultado das eleições gerais realizadas neste domingo (10) mostra uma Espanha ainda mais fragmentada políticamente, sem que nenhum bloco tenha obtido o número de deputados suficiente para formar governo. Pedro Sánchez, do Partido Socialista Obreiro Espanhol (PSOE), voltou a ficar em primeiro lugar, com 120 deputados, três a menos que os 123 conquistados na eleição de abril passado. Contudo, muito distante dos 176 necessários para conseguir ser investido primeiro-ministro.

Pablo Casado, do Partido Popular, recuperou terreno obtendo 87 deputados, 21 a mais que em abril. Cidadãos despencou para dez parlamentares, 47 a menos que no pleito anterior quando a sigla de Alberto Riveira havia conquistado 57 assentos no Congresso. Pablo Iglesias, de Unidas Podemos, também baixou de 42 para 35 representantes. Em meio aos altos e baixos, o destaque ficou para Santiago Abascal, de Vox, que subiu de 24 para 52 o número de parlamentares, fazendo do partido de extrema direita se tornar a terceira força política do país.

Santiago Abascal (D) ampliou de 24 para 52 deputados a participação de Vox no Congresso

Na Catalunha, os partidos independentistas Esquerda Republicana (ERC), Juntos por Catalunha (JxCat) e Candidatura de Unidade Popular (CUP), obtiveram 23 cadeiras no Congresso, quase a metade das 48 que estavam em disputa na região. ERC elegeu 13 deputados, JxCat obteve oito e a CUP elegeu dois.

A leitura de analistas políticos e da maioria dos candidatos que lideraram as chapas é de que foi desastrosa a ideia de Pedro Sánchez de convocar novas eleições. O socialista teve a chance de formar governo com Unidas Podemos depois das eleições de abril, mas rechaçou todas as propostas do partido de esquerda. Sánchez tinha indicativos de que em um novo pleito poderia ampliar o número de deputados, estratégia que fracassou.

A aposta de Sánchez era de que sua popularidade aumentaria com o anúncio das duras penas contra os líderes catalães presos, oficializada em 14 de outubro passado. Nove políticos e ativistas foram condenados pelo Tribunal Supremo (TS) a penas que somam quase cem anos de prisão pela participação no processo de independência da Catalunha em outubro de 2017, sufocado pelo governo espanhol.

Sánchez também estava certo que a exumação dos restos mortais do ex-ditador Franco, do Vale dos Caídos, onde era venerado por multidões, para um cemitério comum, lhe traria louros. Estratégias errôneas, que só favoreceram a ascensão da extrema direita, que há onze meses não tinha nenhuma representação política no país.

O cenário para formar governo agora é ainda mais complicado do que depois das eleições de abril, pois a fragmentação política, com 17 partidos no Congresso dos Deputados, deixa poucas opções de pacto para Sánchez. Pablo Iglesias estendeu a mão mais uma vez ao socialista, mas mesmo que aceite os dois partidos não somam maioria.

Nesta fórmula, só poderia ser investido primeiro-ministro com os votos dos partidos independentistas catalães. Resta saber se estas forças vão querer dar apoio a Sánchez, que tem lançado mão da polícia para reprimir violentamente os independentistas catalães após o anúncio das sentenças. O número de feridos e presos nos protestos tem gerado muita indignação na Catalunha, onde as manifestações em solidariedade aos líderes políticos presos e exilados têm sido diários.

Outra opção seria uma grande coalizão com o PP, cenário que pode ser improvável por conta do crescimento da sigla de Pablo Casado e da pressão exercida por Vox. Os próximos dias prometem um xadrez político complexo no país e com poucas possibilidades de desbloqueio.