Bloqueio do Tsunami Democrático na fronteira entre Espanha e França começou na manhã desta segunda-feira com previsão de durar três dias

Em uma ação surpresa na manhã desta segunda-feira (11), o movimento independentista Tsunami Democrático fechou a fronteira da Espanha com França, na rodovia AP-7, na altura da Jonquera. Manifestantes da Catalunha Norte e da Catalunha Sul bloquearam os dois sentidos da pista, inicialmente com seus carros. No local foi montado um palco e levados mantimentos e material para uma acampada de três dias.

Outro grupo fechou a passagem em outro trecho da fronteira catalã com o estado francês na AP-9, na altura de Voló. A manifestação se dá em protesto contra a repressão do governo espanhol com o independentismo, em rechazo à condenação dos líderes políticos e perseguição aos exilados que em 2017 participaram da frustrada proclamação da república.

Um dos objetivos é chamar a atenção da União Europeia é forçar o governo espanhol a dialogar. O protesto acontece um dia depois das eleições gerais na Espanha, a quarta em quatro anos. O resultado do pleito aponta para a manutenção do bloqueio político, com poucas possibilidades de formação de governo para o vencedor Pedro Sánchez (PSOE).

O socialista ficou numa situação mais difícil que nas últimas eleições, em abril, quando elegeu 123 deputados. Agora elegeu 120 e viu a extrema direita liderada por Santiago Abascal, de Vox, que subiu de 24 para 52 deputados no Congresso, se tornando a terceira força política do país.

Sánchez também amargou ver crescer o número de deputados indepentistas no Congresso, agora com 23 parlamentares, somando mais uma cadeira em relação à eleição passada. Com isso, se quer formar um governo progressista, como prometeu nesta segunda-feira, terá que abrir diálogo não apenas com Pablo Iglesias, de Unidas Podemos, com que rechaçou acordo após o último pleito. Mas também sentar à mesa com as Esquerda Republicana (ERC)e Juntos por Catalunha. A Candidatura de Unidade Popular (CUP) defende o bloqueio da legislatura.

O protesto na fronteira com a França demonstra que a cidadania catalã está mobilizada e não vai parar de se manifestar até que se encontre uma solução política para o conflito. A meta é forçar o governo espanhol a realizar um referendo de autodeterminação pactado com o estado, o que tem sido rejeitado por Madri.

O Tsunami Democrático, que não tem até agora nenhum líder identificado, fez a convocatória do protesto através de uma aplicação na internet. O grupo foi o responsável pela ação multitudinária que fechou o aeroporto de Barcelona em 14 de outubro, em protesto contra condenação dos líderes independentistas. O movimento, que já tem 400 mil seguidores no Instagram, está pedindo que mais gente se junte à mobilização na fronteira.

A polícia francesa está tentando fazer o desbloqueio da área. Para o local foram levados banheiros públicos, mesas, grande quantidade de mantimentos. A ideia é manter os manifestantes realizando atividades lúdicas e esportivas no local enquanto durar o protesto.