Proposta de proibir a entrada ao Velho Continente aos cidadãos extracomunitários durante ao menos 30 dias será votada pelos países sócios nesta terça-feira

As medidas de isolamento que vem sendo tomadas nos últimos dias na Europa para conter o avanço do COVID-19 não têm sido suficientes. A região, considerada novo epicentro da pandemia, já tem mais de 58 mil contagiados. Países como a Itália estão enfrentando uma situação caótica nos hospitais, seguidas por um crescimento exponencial dos casos nos demais países, a exemplo de Espanha e França. Por conta disso, nesta terça-feira (17) os países sócios votarão a proposta feita hoje (16) pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho, Charles Michel, aos membros do G-7.

Se a medida for aprovada em uma primícia histórica, ficará proibida a entrada ao Velho Continente aos cidadãos extracomunitários durante ao menos 30 dias e as pessoas que, de maneira excepcional, possam cruzar as fronteiras nos últimos dias serão submetidas a um extremo controle. O fechamento chega apenas uns dias depois do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, proibir a entrada em seu país de cidadãos procedentes da zona Schengen. Tal veto já foi ampliado a outros países europeus, como Reino Unido e Irlanda.

A proposta de Von der Leyen prevê excessões aos cidadãos europeus que se encontrem neste momento fora da região; para os cidadãos não europeus que sejam residentes de larga duração em território comunitário; para os familiares de cidadãos europeus; para diplomatas e autoridades e para pessoal médico e investigador.

O veto afeta sobretudo a turistas dos 62 países que podem entrar na zona Schengen sem necessidade de visto, assim como os milhões de cidadãos de ooutos países que solicitam visto de curta estada. Os sócios da zona Schengen concedem quase 14 milhões de vistos por ano, segundo dados da Comissão Europeia.

A progressiva paralisia do tráfico internacional de viajantes e a crescente aparição de restrições e proibições de entrada em numerosos países interrompe décadas de crescimento da conectividade entre continentes, em particular entre Europa e América. Somente a paralisação do tráfico transatlântico pode afetar a mais de 550 vôos diários e uns 46 milhões de passageiros, segundo dados da IATA.

A expêriencia recente mostra que o transporte e as relações internacionais se recuperaram rapidamente inclusive depois de acontecimentos dramáticos como os atentados do 11 de setembro, em 2001, e de crise tão profundas como a Grande Recessão de 2008. Contudo, por tudo que vem acontecendo é difícil de prever as feridas que deixarão a pandemia. Tampouco se sabe qual será seu alcance ou duração, além do enorme custo de vidas humanas.

No mundo o virus já se espalhou por mais de 130 países e afeta 170 mil pessoas, das quais mais de 6,5 mil perderam a vida.