{"id":2590,"date":"2018-01-12T12:11:18","date_gmt":"2018-01-12T12:11:18","guid":{"rendered":"http:\/\/taizabritomundoafora.com.br\/?p=2590"},"modified":"2018-01-12T12:50:28","modified_gmt":"2018-01-12T12:50:28","slug":"1o-de-outubro-dia-marcado-na-minha-historia-para-chorar-de-emocao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/?p=2590","title":{"rendered":"1\u00ba de outubro, dia marcado na minha hist\u00f3ria para chorar (de emo\u00e7\u00e3o)"},"content":{"rendered":"<p><strong>*Por Fl\u00e1vio Carvalho<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><em>&#8220;Pero, en todo caso, estoy seguro que, tras todo esto, se trata sobretodo de emociones\u2026 Es como intentar convencer a un musulm\u00e1n que Dios no existe. Es casi un choque de civilizaciones\u201d<\/em>.<\/p><\/blockquote>\n<p>John Carlin, ex jornalista do El Pa\u00eds<strong>.<em> <a href=\"https:\/\/www.arte.tv\/es\/videos\/079502-000-A\/espana-al-borde-de-la-crisis-de-nervios\/\">Espanha, um pa\u00eds \u00e0 beira de um ataque de nervos.<\/a><\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Operaci\u00f3-Urnes.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2592 alignleft\" src=\"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Operaci\u00f3-Urnes.jpg\" alt=\"\" width=\"292\" height=\"419\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/www.grup62.cat\/llibre-operacio-urnes\/264018\">Operaci\u00f3 Urnes, de Laia Vicens e Xavi Ted\u00f3<\/a>,<\/strong> foi o meu melhor presente de natal. Um livro como fazia anos que eu n\u00e3o lia, de uma s\u00f3 vez.<\/p>\n<p>Esse livro ajudou-me a reafirmar uma sensa\u00e7\u00e3o: para mim, tudo que estamos vivendo politicamente na Catalunha \u00e9 quest\u00e3o de sentimentos. Isso passou a ser o principal.<\/p>\n<p><strong>Confian\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>Repete-se, neste livro, uma frase, entre os protagonistas. Uma pessoa pergunta, clandestinamente, se a outra est\u00e1 disposta a colaborar com algo importante e arriscado, em rela\u00e7\u00e3o ao Referendo convocado pelo Governo da Catalunha e amea\u00e7ado pelo Governo da Espanha. A resposta \u00e9 sim, de imediato, sem margem para hesita\u00e7\u00f5es. Produz-se um encadeamento de gestos de confian\u00e7a, em redes de sociabilidades nunca antes imaginada. Em consequ\u00eancia, muito mudou, em t\u00e3o pouco tempo, considerando a longa e arrastada hist\u00f3ria desse pa\u00eds.<!--more--><\/p>\n<p>Assisti com meus pr\u00f3prios olhos, no dia do Referendo, mudan\u00e7as de comportamento muito significativas em rela\u00e7\u00e3o ao pequenino munic\u00edpio catal\u00e3o onde eu vivo, um microcosmos catal\u00e3o. De fato, o menor em territ\u00f3rio de toda a Catalunha. Puigd\u00e0lber, assim se chama. Eu mesmo passei a ver vizinhos com outros olhos, em todos os sentidos. Para o bem e para o mal. Algo que \u201cbrotou\u201d naturalmente. Lament\u00e1vel? N\u00e3o. Prefiro aceit\u00e1-los, esses novos sentimentos, do que fingir que inexistem. At\u00e9 porque as novas confian\u00e7as superam com ampla maioria as novas desconfian\u00e7as.<\/p>\n<p><strong>Desconfian\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>Colegas, em Barcelona, pessoas comuns com as quais eu ent\u00e3o falava sobre pol\u00edtica, compartindo um mesmo referente quando pens\u00e1vamos que fal\u00e1vamos o mesmo idioma: democracia. Em um conflito (se somente o consideras como algo negativo, j\u00e1 n\u00e3o falamos o mesmo idioma), a melhor coisa a fazer \u00e9 nomear os sentimentos. A partir da\u00ed, prevalece o respeito, por mais que ambos apontamos coisas t\u00e3o distintas quando nos referimos a tal mesma palavra: democracia.<\/p>\n<p>Ando, no m\u00ednimo, com dois la\u00e7os amarelos, todos os dias. Um na mochila e um no casaco, que normalmente eu ponho na rua, pelo frio. Um s\u00edmbolo de exig\u00eancia de liberdade para os presos pol\u00edticos independentistas. Senti, n\u00e3o poucas vezes, o inc\u00f4modo em alguns olhares. Espantam-me. N\u00e3o esses olhares e sim o que podem representar: o n\u00e3o querer me deixar sentir. Ou pior: o n\u00e3o deixar-me expressar o que eu sinto.<\/p>\n<p>Por cinco vezes, desde novembro passado, um grupo de pessoas da minha cidade sai, \u00e0 luz do dia, em festa, colando cartazes, bandeiras, faixas e la\u00e7os amarelos em todas as pontes, \u00e1rvores, postes&#8230; Sempre com a mesma cor: o amarelo que para eles representa a liberdade. Por quatro vezes, sempre \u00e0 noite, anonimamente (eis aqui uma diferen\u00e7a fundamental), amanhece tudo destro\u00e7ado, arrancado, pelo ch\u00e3o.<\/p>\n<p>Esses falam em \u201cdelitos de \u00f3dio\u201d, \u201cfratura social\u201d ou at\u00e9 mesmo que uma pessoa como eu faria parte de um grupo de ing\u00eanuos, abduzidos, hipnotizados por um dominante fanatismo nacionalista. Dei-me ao trabalho de analisar minhas pr\u00f3prias interioridades, para saber se teriam, esses, um m\u00ednimo de raz\u00e3o. A mais sensata conclus\u00e3o a que cheguei foi que eles nunca fariam o mesmo por mim. E isso muito nos diferencia. Agora muito mais que antes.<\/p>\n<p>Coragem? Individual ou coletiva? Covardia? Na calada da noite ou \u00e0 luz do dia?<\/p>\n<p><strong>Quando algu\u00e9m pretende impor o \u201ccomo deverias sentir-te\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Coleciono frases e artigos de jornais espanh\u00f3is com afirma\u00e7\u00f5es como essa. \u201cLos catalanes no deber\u00edan sentirse&#8230;\u201d. Esse foi o mais perigoso terreno em que entramos: quando uma pessoa, um pol\u00edtico, um colega, primeiro sugere, depois induz, logo insiste e termina impondo a sua particular vis\u00e3o de como eu \u2013 ou qualquer catal\u00e3o &#8211; deveria sentir-se.<\/p>\n<p>Evidentemente, o pr\u00f3ximo passo seria o uso da for\u00e7a. \u201cComo n\u00e3o v\u00eas o que estou te mostrando?!\u201d. Num debate aberto, o maior desqualificativo ser\u00e1 dizer que o outro n\u00e3o est\u00e1 entendendo; quando o que est\u00e1 fazendo \u00e9 simplesmente n\u00e3o concordar (porque entender o entende perfeitamente).<\/p>\n<p>Como bom brasileiro eu ainda me surpreendo ao comparar que o processo de autodetermina\u00e7\u00e3o da Catalunha, se fosse no Brasil, haveria provocado mortos mil. Como felizmente n\u00e3o h\u00e1 sido, atrevo-me a pensar que todo o desgaste provocado (negar o conflito at\u00e9 que o mesmo transcende e supera todas as expectativas de quem tanto o negou), por n\u00e3o haver v\u00e1lvulas de viol\u00eancia expl\u00edcita, como mortes nas ruas, est\u00e1 travestido do que o fil\u00f3sofo Michel Foucault chamou de viol\u00eancias simb\u00f3licas.<\/p>\n<p><strong>O poder est\u00e1 em todas as partes. Somente temos que faz\u00ea-lo vis\u00edvel ou invis\u00edvel<\/strong><\/p>\n<p>A Opera\u00e7\u00e3o Urnas, na Catalunha, foi um \u00eaxito, por paradoxal. Cidad\u00e3os comuns, que nunca imaginaram abra\u00e7ar-se por uma mesma causa (j\u00e1 que ERA t\u00e3o diferente e incompat\u00edvel a luta pela mudan\u00e7a social e a autodetermina\u00e7\u00e3o), juntos operando na clandestinidade, para esconder urnas como se fossem uma arma delinquente! Como se fossem terroristas! A necessidade clandestina de esconder um s\u00edmbolo da express\u00e3o m\u00e1xima da democracia (o voto numa urna; que n\u00e3o \u00e9 tudo, mas \u00e9 MUITO) conferiu, pela violenta repress\u00e3o policial patrocinada pela monarquia espanhola, a maior visibilidade internacional que a Catalunha nunca teve e sempre mereceu. No hay mal que para el bien no venga.<\/p>\n<figure id=\"attachment_2593\" aria-describedby=\"caption-attachment-2593\" style=\"width: 722px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Documental-TV3.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-2593\" src=\"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Documental-TV3.jpg\" alt=\"\" width=\"722\" height=\"407\" srcset=\"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Documental-TV3.jpg 991w, https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Documental-TV3-300x169.jpg 300w, https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Documental-TV3-768x432.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 722px) 100vw, 722px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2593\" class=\"wp-caption-text\">Inagem do document\u00e1rio de TV3 sobre o referendo de 1\u00ba de outubro na Catalunha<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Esperan\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>Minha maior esperan\u00e7a \u00e9 que uma pessoa possa n\u00e3o dizer o que realmente sente, assistindo um v\u00eddeo como o que pode ver-se clicando <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?time_continue=2&amp;v=k_GkiEtxlSs\"><strong>aqui<\/strong><\/a>. Pode at\u00e9 guardar para si mesmo, se no fundo ainda n\u00e3o estiver convencido de que n\u00e3o sou um criminoso que mere\u00e7o ser preso por cometer uma ilegalidade inconstitucional (o que tenho sobradas raz\u00f5es para acreditar que isso n\u00e3o seja assim). Pode achar que fui enganado por fan\u00e1ticos nacionalistas. Pode! Pode achar que me equivoco. Pode!<\/p>\n<p>Mas, por favor, nunca despreze nenhuma l\u00e1grima de uma pessoa que diz o que sente, quando ela diz e quando ela sente, revestida de coragem pra expressar seu sentimento. Por favor.<\/p>\n<p>Esse texto, na verdade, foi inspirado numa revela\u00e7\u00e3o bem cotidiana.<\/p>\n<p>Um dia desses, o meu filho dizia que o rem\u00e9dio que lhe dei ardia no contato com a ferida na sua pele. Com a melhor das inten\u00e7\u00f5es, tentando dar-lhe for\u00e7as, argumentei que n\u00e3o podia ser, pois o estava curando e, afinal, \u201cn\u00e3o ardia tanto\u201d. Sua m\u00e3e me lembrou de nunca (nunca!) dizer a ele que ele n\u00e3o sentia o que ele estava sentindo.<\/p>\n<p>\u201cQuando a pol\u00edcia entrou na associa\u00e7\u00e3o de idosos da pequena cidade aos p\u00e9s dos Montes Pirineus, em busca das urnas, j\u00e1 bem escondidas, os organizadores do Referendo simularam estar jogando domin\u00f3. A foto dos policiais observando o jogo de domin\u00f3 deu a volta ao mundo. Tratava-se de ganhar tempo, para que as cidades vizinhas pudessem preparar-se e esconder suas urnas. Outro gesto de coragem extrema. Algumas urnas foram escondidas no santu\u00e1rio principal da igreja, a pedido do pr\u00f3prio padre, outras dentro de catacumbas do pequeno cemit\u00e9rio municipal. Enquanto isso, uma menina saiu correndo pela porta de tr\u00e1s da Prefeitura. Tentou correr. O medo a paralisou&#8230; Algumas urnas atravessaram a fronteira da Fran\u00e7a com a Espanha escondidas na mala de um carro velho, onde o transportador clandestino fez quest\u00e3o de levar os pr\u00f3prios filhos para passear e ajudar a disfar\u00e7ar ainda mais a preciosa carga&#8230; Um doador an\u00f4nimo havia decidido sozinho pagar todos os mais de cem mil euros pela compra das urnas chinesas que desembarcaram clandestinamente pelo Porto de Marselha. Um sindicalista independentista de extrema esquerda admitiu que sem o apoio de um burgu\u00eas como o mencionado, aquela \u201crevolu\u00e7\u00e3o\u201d n\u00e3o se haveria produzido&#8230; Uma m\u00e3e da associa\u00e7\u00e3o de pais de alunos aterrorizou-se ao ver que o comandante da Guardia Civil espanhola dirigiu-se exatamente para a sala onde estavam chorando, desesperadas, as crian\u00e7as mantidas longe dos golpes de cassetete da pol\u00edcia. Estavam sob a guarda de monitores volunt\u00e1rios e at\u00e9 hoje se perguntam qual imagem ter\u00e3o aquelas carinhas assustadas diante daquele raivoso policial&#8230;\u201d.<\/p>\n<p><strong>M\u00e3e, a pol\u00edcia est\u00e1 para nos proteger?<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.lavanguardia.com\/politica\/20180110\/434197040848\/documental-referendum-1-o-sense-ficcio-mas-visto-tv3-share.html\"><strong>No v\u00eddeo 1 de Octubre<\/strong><\/a>, depois do Presidente da Espanha afirmando que n\u00e3o haveria e n\u00e3o houve Referendo, a frase que mais me impactou foi essa:<\/p>\n<p>&#8220;Quando vimos os policiais saltando o muro da escola, nosso local de vota\u00e7\u00e3o, nos demos conta de que n\u00e3o se tratava de uma fortaleza intranspon\u00edvel. Claro: era somente uma escola&#8221;.<\/p>\n<p>Visca Catalunya. Viva a Catalunha.<\/p>\n<p>Puigd\u00e0lber, janeiro de 2018.<\/p>\n<p><strong>*Fl\u00e1vio Carvalho, soci\u00f3logo brasileiro, residente na Catalunha desde 2005.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>*Por Fl\u00e1vio Carvalho &#8220;Pero, en todo caso, estoy seguro que, tras todo esto, se trata sobretodo de emociones\u2026 Es como<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2591,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[256],"tags":[1362,50,998,809,1361,1360],"class_list":["post-2590","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","tag-1o-de-outubro-catalunha","tag-catalunha","tag-flavio-carvalho","tag-independencia-da-catalunha","tag-puigdalber","tag-referendo-1-de-outubro-catalunha"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2590","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2590"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2590\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2596,"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2590\/revisions\/2596"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/2591"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2590"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2590"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2590"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}