{"id":2620,"date":"2018-01-16T11:17:23","date_gmt":"2018-01-16T11:17:23","guid":{"rendered":"http:\/\/taizabritomundoafora.com.br\/?p=2620"},"modified":"2018-01-16T11:17:23","modified_gmt":"2018-01-16T11:17:23","slug":"mano-augusto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/?p=2620","title":{"rendered":"Mano Augusto"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Neste post publicamos em sequ\u00eancia tr\u00eas artigos do jornalista mineiro Cesar Vanucci, colaborador do Blog Mundo Afora, em refer\u00eancia a momentos da vida do seu irm\u00e3o Augusto Cesar Vanucci. Os relatos foram escritos ap\u00f3s homenagem feita em novembro de 2017, no Rio de Janeiro, em memoria aos 25 anos de morte do ator de cinema, diretor e produtor de TV que marcou a comunica\u00e7\u00e3o brasileira.<\/strong> <\/em><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Augusto-C\u00e9sar-Vanucci-2.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2624 alignleft\" src=\"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Augusto-C\u00e9sar-Vanucci-2.jpg\" alt=\"\" width=\"425\" height=\"425\" srcset=\"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Augusto-C\u00e9sar-Vanucci-2.jpg 400w, https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Augusto-C\u00e9sar-Vanucci-2-150x150.jpg 150w, https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Augusto-C\u00e9sar-Vanucci-2-300x300.jpg 300w, https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Augusto-C\u00e9sar-Vanucci-2-200x200.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 425px) 100vw, 425px\" \/><\/a><strong>Por Cesar Vanucci *<\/strong><br \/>\n<em>\u201cAugusto Cesar Vanucci, um iluminado!\u201d<\/em><br \/>\n(<strong>Artur da T\u00e1vola, jornalista<\/strong>)<\/p>\n<p><strong>Amigos diletos, ex-colegas de trabalho, companheiros dedicados em bem sucedidas empreitadas culturais e de solidariedade humana reverenciaram a mem\u00f3ria de Augusto Cesar Vanucci, ao ensejo do transcurso do 25\u00ba anivers\u00e1rio de sua passagem para outro plano da exist\u00eancia.<\/strong> Uma s\u00e9rie de palestras, tendo como foco a vida e obra do vitorioso diretor de televis\u00e3o, acompanhada de representa\u00e7\u00f5es teatrais, comp\u00f4s a programa\u00e7\u00e3o levada a efeito no \u201cTeatro Vanucci\u201d, Shopping da G\u00e1vea, Rio de Janeiro, nas noites das quartas-feiras de novembro passado. Coube-me, por defer\u00eancia dos promotores do evento, a honra de fechar o ciclo de exposi\u00e7\u00f5es diante de plateia numerosa, de express\u00e3o afetiva e intelectual.<!--more--><br \/>\nSintetizo, a partir de agora, as considera\u00e7\u00f5es feitas na ocasi\u00e3o, naturalmente impregnadas de forte emo\u00e7\u00e3o.<strong> Mano Augusto foi uma criatura iluminada. Um contempor\u00e2neo do futuro, pode-se dize<\/strong>r. Algu\u00e9m notoriamente provido de dons deveras singulares. Tanto na vida mundana, de modo geral, como na profiss\u00e3o abra\u00e7ada, de modo particular. Desde meninote deu mostras de percep\u00e7\u00f5es invulgares. Passava sempre a sensa\u00e7\u00e3o de saber das coisas. Madrugou no conhecimento dos assuntos considerados essenciais ao processo de constru\u00e7\u00e3o humana.<br \/>\nConsiderado \u201cgaroto prod\u00edgio\u201d, pelos pendores art\u00edsticos aflorados desde cedo, arrancava entusi\u00e1sticos aplausos das plateias nas apresenta\u00e7\u00f5es que fazia, como cantor no r\u00e1dio, teatros e outros locais abertos a manifesta\u00e7\u00f5es culturais. Com 12 anos de idade, levado de Uberaba pelos pais ao Rio de Janeiro, concorreu \u00e0 premia\u00e7\u00e3o para cantores no programa \u201cHora do pato\u201d, conduzido por Heber Boscoli, na Tupi carioca. N\u00e3o deu outra: colocou o audit\u00f3rio em del\u00edrio interpretando a can\u00e7\u00e3o \u201cCanta Brasil\u201d, de Alcir Pires Vermelho e David Nasser. Passou a exibir o trof\u00e9u conquistado na r\u00e1dio em espet\u00e1culos a que era convidado a participar em cidades do Tri\u00e2ngulo Mineiro. O pintor C\u00e2ndido Portinari apreciava ouvi-lo nas visitas que fazia a amigos muito chegados em Uberaba. Convidou-o, certa feita, para apresenta\u00e7\u00e3o em sua terra natal.<br \/>\n<strong>Deu-se na sede da Uni\u00e3o da Mocidade Esp\u00edrita de Uberaba o primeiro encontro de Augusto Cesar, ginasiano, com Chico Xavier, de quem acabou se tornando, vida afora, fraternal amigo. O c\u00e9lebre sensitivo, ainda residindo em Pedro Leopoldo (s\u00f3 muitos anos depois transferiu o domic\u00edlio), visitava Uberaba pela vez primeira.<\/strong><br \/>\nMano Augusto foi convidado para um espet\u00e1culo em sua homenagem. D\u00e9cadas mais tarde, j\u00e1 tendo se tornado nome vitorioso na \u00e1rea do entretenimento art\u00edstico, primeiro brasileiro a ser agraciado com um \u201cEmmy\u201d nos Estados Unidos e um \u201cOndas\u201d na Europa (pelo programa \u201cArca de No\u00e9 \u2013 Vinicius para crian\u00e7a\u201d, levado ao ar pela \u201cGlobo\u201d), Augusto Cesar coordenou a campanha em favor da outorga do \u201cNobel da Paz\u201d a Chico Xavier.<br \/>\nA documenta\u00e7\u00e3o a respeito da hist\u00f3ria legend\u00e1ria do mais famoso m\u00e9dium brasileiro continha assinaturas de dois milh\u00f5es de cidad\u00e3os. <strong>Com o document\u00e1rio \u201cUm homem chamado amor\u201d, Augusto deu amplitude not\u00e1vel nos meios de comunica\u00e7\u00e3o \u00e0 obra de Chico.<\/strong> Ao mesmo tempo, adaptando para o teatro textos extra\u00eddos de livros do mesmo, lan\u00e7ou a pe\u00e7a \u201cAl\u00e9m da vida\u201d. Esta pe\u00e7a vem sendo encenada h\u00e1 um bocado de tempo, com p\u00fablico garantido, por grupos diferentes, em palcos de todo o pa\u00eds.<br \/>\nVoltarei, adiante, a falar da liga\u00e7\u00e3o estreita de amizade entre Augusto e Chico, detendo-me num epis\u00f3dio pra l\u00e1 de inexplic\u00e1vel \u00e0 luz do mero conhecimento consolidado que temos das coisas deste mundo.<br \/>\nRetorno \u00e0 cintilante carreira de Augusto no mundo das artes, para dizer que ele, aos 18 anos, foi tentar a sorte no Rio de Janeiro. Passou em primeiro lugar num teste no \u201cTeatro do Estudante\u201d, de Pascoal Carlos Magno. N\u00e3o concluiu o curso. \u201cOlheiros\u201d do setor teatral atra\u00edram-no para a lida profissional, importante para ele como meio de sobreviv\u00eancia.<br \/>\nEstreando numa pe\u00e7a produzida pelas grandes vedetes Renata Fronzi e Mara Rubia, ele foi chamado para o papel principal, logo depois, em \u201cFeiti\u00e7o na Vila\u201d, musical com repert\u00f3rio de Noel Rosa. Teve como parceiras no elenco Elizeth Cardoso e Mary Gon\u00e7alves. Contracenou, adiante, com Bibi Ferreira no musical \u201cAl\u00f4, Dolly\u201d. Estrelou outra pe\u00e7a origin\u00e1ria da Broadway: \u201cComo vencer na vida sem fazer for\u00e7a\u201d. \u201cVamos brincar de amor em Cabo Frio\u201d foi uma outra com\u00e9dia musical por ele protagonizada. Enveredando pelo cinema, atuou em 18 filmes.<br \/>\n\u201cEles n\u00e3o voltaram\u201d, primeiro celuloide sobre a participa\u00e7\u00e3o da FEB na campanha militar da It\u00e1lia, foi um deles.<strong> Obteve numerosos pr\u00eamios como ator de cinema e teatro. Assumindo na nascente Rede Globo de Televis\u00e3o a fun\u00e7\u00e3o de diretor da linha de shows e programas humor\u00edsticos, alcan\u00e7ou notoriedade nacional e arrebatou, como j\u00e1 dito, pr\u00eamios internacionais.<\/strong> Foi um craque de sele\u00e7\u00e3o na atividade a que se consagrou. Outras coisas que merecem ser ditas a respeito de sua marcante peregrina\u00e7\u00e3o pela p\u00e1tria terrena, inclusive, o epis\u00f3dio instigante acima aludido, ficam para a sequ\u00eancia, j\u00e1 que esgotado o espa\u00e7o de hoje destas maldatilografadas.<\/p>\n<h2><strong>Chico Xavier e Augusto Cesar<\/strong><\/h2>\n<p><em>\u201cEstou perplexo! O querido Chico anteviu este nosso encontro.\u201d<\/em><br \/>\n(<strong>Augusto Cesar Vanucci<\/strong>)<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Chico-xavier.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-2625 alignleft\" src=\"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Chico-xavier.jpg\" alt=\"\" width=\"496\" height=\"330\" srcset=\"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Chico-xavier.jpg 654w, https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Chico-xavier-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 496px) 100vw, 496px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Vejam s\u00f3 como s\u00e3o armadas nas latitudes transcendentes, impercept\u00edveis ao olhar humano, as sincronicidades capazes de influenciar atos decisivos na conduta cotidiana.<\/strong> Encontro casual, na sala de espera de uma companhia a\u00e9rea, no aeroporto de Congonhas, S\u00e3o Paulo, numa manh\u00e3 de setembro de 1980, criou as condi\u00e7\u00f5es prop\u00edcias para que uma recomenda\u00e7\u00e3o especial, de caracter\u00edsticas pode-se dizer m\u00e1gicas, desembocasse numa campanha humanit\u00e1ria de efeitos altamente positivos na hist\u00f3ria de benem\u00e9rita institui\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<strong>Os apoucados, posto que ass\u00edduos e atentos, leitores destes mal alinhados escritos recordam-se, por certo, do registro feito no coment\u00e1rio passado a respeito de um epis\u00f3dio instigante que me propus a novamente relatar.<\/strong> Eu estava falando da palestra que proferi no Rio de Janeiro, no Teatro Vanucci, Shopping da G\u00e1vea, na \u00faltima quarta-feira de novembro, ao ensejo da celebra\u00e7\u00e3o dos 25 anos de passamento do mano Augusto Cesar Vanucci, promovida por seus amigos e colegas de trabalho. Referindo-me \u00e0s estreitas rela\u00e7\u00f5es de amizade de Augusto com o c\u00e9lebre sensitivo Chico Xavier \u2013 rela\u00e7\u00f5es de amizade essas que, ambos, fi\u00e9is \u00e0s suas cren\u00e7as, costumavam dizer remontar a tempos bastante recuados \u2013, comprometi-me a contar, neste acolhedor espa\u00e7o, a historieta que se segue. Nada demais repeti-la. O toque edificante e, ao mesmo tempo, comovente que a envolve legitima o repeteco.<br \/>\n<strong>A convite do Lions, Augusto Cesar, \u00e0 \u00e9poca diretor do n\u00facleo de musicais e humor\u00edsticos da Rede Globo, fez uma exposi\u00e7\u00e3o, no m\u00eas e ano acima citados, para p\u00fablico numeroso, no audit\u00f3rio da \u201cCasa da Ind\u00fastria\u201d.<\/strong> Abordou as infinitas perspectivas que se estavam abrindo, na \u00e1rea da comunica\u00e7\u00e3o, em decorr\u00eancia dos velozes e inimagin\u00e1veis avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos da era eletr\u00f4nica.<br \/>\nPalestra j\u00e1 em andamento, os dirigentes do Lions foram procurados por Adalberto e Beatriz Ferraz, casal de saudosa mem\u00f3ria, que se fazia portador de uma postula\u00e7\u00e3o para aprecia\u00e7\u00e3o de Augusto. No pleito era descrita a situa\u00e7\u00e3o aflitiva vivida, naquela fase, pelo Hospital M\u00e1rio Penna. Pedia-se ao destinat\u00e1rio do apelo que se engajasse na busca de uma solu\u00e7\u00e3o para a tormentosa quest\u00e3o, j\u00e1 que a organiza\u00e7\u00e3o citada via-se amea\u00e7ada em sua sobreviv\u00eancia.<br \/>\nEncerrada a exposi\u00e7\u00e3o, grupo reduzido rodeou Augusto para r\u00e1pida troca de ideias sobre o angustiante problema enfrentado pelo M\u00e1rio Penna, um centro assistencial, como ele pode comprovar em visita feita na manh\u00e3 seguinte, mantido na base do idealismo e abnega\u00e7\u00e3o por um punhado de pessoas abrasadas pelo sentimento da solidariedade. <strong>Augusto Cesar ficou tomado de contaminante emo\u00e7\u00e3o com o relato ouvido na \u201cCasa da Ind\u00fastria\u201d. Saiu com uma revela\u00e7\u00e3o que deixou todos \u00e0 sua volta boquiabertos.<\/strong><br \/>\nCome\u00e7ou por dizer que desconhecia, at\u00e9 aquele momento, a exist\u00eancia do M\u00e1rio Penna. Informou, ao depois, que cruzando com Chico Xavier no aeroporto em S\u00e3o Paulo, este lhe pedira, com empenho, naquele tom suave de voz todo seu, que n\u00e3o deixasse de atender pedido angustiado que lhe iria ser formulado em favor de uma organiza\u00e7\u00e3o consagrada a assistir enfermos oncol\u00f3gicos carentes. \u201c<strong>Estou perplexo!\u201d, asseverou. \u201cO querido Chico anteviu este nosso encontro\u201d.<\/strong><br \/>\nEstes os desdobramentos do incr\u00edvel caso. Augusto atirou-se com ardor e entusiasmo a servi\u00e7o da causa. Tornou-se um de seus benfeitores. O \u201cFant\u00e1stico\u201d, programa que criou e dirigia, focalizou em edi\u00e7\u00f5es sucessivas as coisas do M\u00e1rio Penna, enfatizando suas dificuldades para sustentar-se financeiramente. A institui\u00e7\u00e3o foi inserida entre as benefici\u00e1rias do \u201cCrian\u00e7a Esperan\u00e7a.\u201d No Pal\u00e1cio das Artes e no Mineirinho foram levados a efeito, um atr\u00e1s do outro, espet\u00e1culos de artistas famosos, inclusive do exterior, com renda destinada \u00e0 obra. A s\u00e9rie de palpitantes reportagens na televis\u00e3o estimulou o aporte de recursos do governo federal. O hospital Luxemburgo surgiu dentro desse favor\u00e1vel contexto.<br \/>\n<strong>Desnecess\u00e1rio, a esta altura, sublinhar que, em momento algum, Chico Xavier veio a ser procurado, por quem quer que seja, para atuar como intermedi\u00e1rio no aux\u00edlio prestado \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o.<\/strong> Sua misteriosa intercess\u00e3o nasceu de des\u00edgnios superiores. Des\u00edgnios que constituem charada de dif\u00edcil decifra\u00e7\u00e3o para quem resista a admitir a infinitude dos territ\u00f3rios do conhecimento extra-sensorial a serem ainda desbravados pela intelig\u00eancia, percep\u00e7\u00e3o e curiosidade humanas.<\/p>\n<h2><strong>Augusto Cesar e a liberdade de cren\u00e7a<\/strong><\/h2>\n<p><em>\u201cEle apresentava acentuada preocupa\u00e7\u00e3o <\/em><br \/>\n<em>por tem\u00e1tica brasileira na programa\u00e7\u00e3o.\u201d<\/em><br \/>\n(<strong>Artur da T\u00e1vola<\/strong>)<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Liberdade-de-cren\u00e7a.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-2626 alignleft\" src=\"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Liberdade-de-cren\u00e7a.jpg\" alt=\"\" width=\"475\" height=\"285\" srcset=\"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Liberdade-de-cren\u00e7a.jpg 500w, https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Liberdade-de-cren\u00e7a-300x180.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 475px) 100vw, 475px\" \/><\/a><strong>\u00c9 prov\u00e1vel que, neste acolhedor espa\u00e7o do vibrante DC, nestes longos anos de enriquecedor contato, dia sim, dia n\u00e3o, religiosamente, com os leitores, j\u00e1 tenha surgido refer\u00eancia \u00e0 admira\u00e7\u00e3o suscitada, ao tempo de ginasiano no Liceu do Tri\u00e2ngulo Mineiro, Uberaba,<\/strong> pela erudi\u00e7\u00e3o revelada na a\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica do saudoso professor de Ci\u00eancias Jos\u00e9 Peres, por sinal, excelente pianista.<br \/>\nEu considerava o m\u00e1ximo, sem inten\u00e7\u00e3o de trocadilho, as \u201cm\u00e1ximas\u201d com que ele enfeitava as disserta\u00e7\u00f5es. Guardo ainda hoje v\u00e1rias delas na mem\u00f3ria velha de guerra. Revejo, saudosista, o momento em que ele &#8211; pron\u00fancia enf\u00e1tica, sincronizada com a gesticula\u00e7\u00e3o denunciando pendor teatral n\u00e3o demonstrado, ao que saiba, em palco &#8211; proclama em sala de aula intrigante senten\u00e7a: \u201cLouvor em boca pr\u00f3pria \u00e9 vitup\u00e9rio!\u201d Lembro-me de haver indagado: \u201cNa boca de parente pr\u00f3ximo, tamb\u00e9m?\u201d Ele titubeou, mas acabou dizendo que sim.<br \/>\nAbuso \u00e0 parte, que segundo o dicion\u00e1rio \u00e9 a express\u00e3o branda de sinon\u00edmia para vitup\u00e9rio, animo-me com disposi\u00e7\u00e3o a dar sequ\u00eancia aqui \u00e0 louva\u00e7\u00e3o da obra executada, em sua peregrina\u00e7\u00e3o na p\u00e1tria terrena, pelo saudoso mano Augusto Cesar Vanucci. Pelo que ele fez em vida n\u00e3o h\u00e1 como n\u00e3o classificar de justa a carinhosa manifesta\u00e7\u00e3o de saudade que amigos, ex-colegas de a\u00e7\u00e3o profissional lhe prestaram no Teatro Vanucci, Rio de Janeiro, em ciclo de palestras seguidas de encena\u00e7\u00f5es teatrais, no findo m\u00eas de novembro, focalizando sua vitoriosa trajet\u00f3ria humana e profissional.<br \/>\n<strong>Ocupo-me agora de um trabalho que ele realizou, como l\u00edder carism\u00e1tico e cidad\u00e3o possuidor de arraigadas convic\u00e7\u00f5es ecum\u00eanicas, em favor da liberdade de consci\u00eancia e de cren\u00e7a<\/strong>. Recorro a espl\u00eandido testemunho dado a respeito por ningu\u00e9m mais, ningu\u00e9m menos, do que Artur da T\u00e1vola, influente jornalista e parlamentar j\u00e1 n\u00e3o mais entre n\u00f3s.<br \/>\nOportuno anotar, antes desse testemunho acerca da atua\u00e7\u00e3o de Augusto Cesar em defesa dos valores human\u00edsticos e espirituais sublinhados, o retrato que ele, Artur, fazia de meu irm\u00e3o como ser humano e como exponencial figura na \u00e1rea da comunica\u00e7\u00e3o social e do entretenimento. \u201cUm iluminado!\u201d Assim o descrevia.<br \/>\nCompletava: \u201cSente-se na palavra de Augusto Cesar Vanucci comovente f\u00e9, vivida e exercida em tempos aparentemente impr\u00f3prios, pois materialistas; e numa atividade, a art\u00edstica, marcada por inusitadas expans\u00f5es existenciais, busca de prazer e mergulho nas patologias contempor\u00e2neas como corajosa forma de viver os impasses, dores e esperan\u00e7as de tempos ag\u00f4nicos.\u201d (&#8230;) <strong>\u201cVanucci viveu realidades paralelas aparentemente estranhas entre si, mas particuladas: intensa a\u00e7\u00e3o como homem de televis\u00e3o (um dos mais importantes, acrescento eu) e a atividade espiritual, marcada por contri\u00e7\u00e3o permanente, f\u00e9 inabal\u00e1vel, tendo que conciliar em seu interior, as exig\u00eancias do meio externo com recebimento de mensagens espirituais permanente.\u201d<\/strong><br \/>\nArtur da T\u00e1vola assevera ainda haver acompanhado, de perto e de dentro, em an\u00e1lises di\u00e1rias na televis\u00e3o, o percurso de Augusto como diretor de programas, \u201ccompletamente diferente dos demais\u201d. Augusto \u201cpossu\u00eda estilo (que a televis\u00e3o insiste em n\u00e3o permitir); apresentava acentuada preocupa\u00e7\u00e3o por tem\u00e1tica brasileira no conte\u00fado; buscava um formato para um show brasileiro de televis\u00e3o e sempre encontrava alguma forma engenhosa de colocar mat\u00e9ria de natureza m\u00edstica.\u201d Levava ao ar programas sobre a paranormalidade e a espiritualidade sem sensacionalismo, acrescenta.<br \/>\nO papel desempenhado por Augusto Cesar nas lutas pela liberdade de cren\u00e7a entra agora no registro de Artur da T\u00e1vola. Na Constituinte, magno momento da vida brasileira, Augusto ocupa a tribuna da C\u00e2mara. \u201cFalou bonito, forte e comovente\u201d, acusa o deputado T\u00e1vola. Prossegue: \u201cA Constitui\u00e7\u00e3o n\u00e3o saiu exatamente como quer\u00edamos, mas foi aprovado, gra\u00e7as a emenda de minha autoria e por influ\u00eancia dele, Augusto, um texto que l\u00e1 est\u00e1, oxal\u00e1 para sempre, o que garante a liberdade da pr\u00e1tica religiosa.<br \/>\nDiz o seguinte: \u201cArtigo 5, inciso VI \u2013 \u00c9 inviol\u00e1vel a liberdade de consci\u00eancia e de cren\u00e7a, sendo assegurado o livre exerc\u00edcio dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a prote\u00e7\u00e3o aos locais de culto e suas liturgias.\u201d T\u00e1vola relembra ainda que o texto sofreu amea\u00e7a de uma restri\u00e7\u00e3o que entregava \u00e0 pol\u00edcia a possibilidade de impedir, em avalia\u00e7\u00e3o inevitavelmente subjetiva, \u201cpr\u00e1ticas religiosas que viessem a ser consideradas perigosas.\u201d Explica: <strong>\u201cA restri\u00e7\u00e3o abriria porta ao arb\u00edtrio. Qualquer autoridade poderia (&#8230;) impedir a plena liberdade de culto.\u201d E arremata: \u201cDerrubamos a restri\u00e7\u00e3o, gra\u00e7as a emenda minha em \u00edntima articula\u00e7\u00e3o com Vanucci e outros.\u201d<\/strong><br \/>\n<strong>* O jornalista Cesar Vanucci (cantonius1@yahoo.com.br) \u00e9 colaborador do Blog Mundo Afora.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste post publicamos em sequ\u00eancia tr\u00eas artigos do jornalista mineiro Cesar Vanucci, colaborador do Blog Mundo Afora, em refer\u00eancia a<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2621,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[256],"tags":[1374,338,1376,1375,1377],"class_list":["post-2620","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","tag-augusto-cesar-vanucci","tag-cesar-vanucci","tag-chico-xavier","tag-dramaturgia-brasileira","tag-liberdade-religiosa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2620","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2620"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2620\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2627,"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2620\/revisions\/2627"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/2621"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2620"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2620"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2620"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}