{"id":3005,"date":"2018-04-25T09:39:32","date_gmt":"2018-04-25T09:39:32","guid":{"rendered":"http:\/\/taizabritomundoafora.com.br\/?p=3005"},"modified":"2018-04-25T09:39:32","modified_gmt":"2018-04-25T09:39:32","slug":"ai-de-ti-rio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/?p=3005","title":{"rendered":"Ai de ti, Rio!"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por\u00a0Cesar Vanucci *<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;<em>Brasil, tira as flechas do peito de meu padroeiro que <\/em><br \/>\n<em>S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro pode ainda se salvar.&#8221;<\/em><br \/>\n(<strong>Aldir Blanc, no lind\u00edssimo &#8220;Querelas do Brasil<\/strong>&#8220;)<\/p>\n<p>Retiro do ba\u00fa um artigo de anos atr\u00e1s que se reveste ainda, sem que se precise dizer o motivo, de candente atualidade.<\/p>\n<p>O que diferentes administra\u00e7\u00f5es de not\u00f3ria inefici\u00eancia, mafiosos e bandoleiros de diversificados matizes, policiais despreparados ou corruptos e pol\u00edticos inescrupulosos ou desprovidos de esp\u00edrito p\u00fablico andam aprontando, n\u00e3o \u00e9 de hoje, com a mui leal e heroica S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro, s\u00f3 pode ser mesmo classificado de crime de lesa-p\u00e1tria.<\/p>\n<p>Sou de um tempo e perten\u00e7o a uma gera\u00e7\u00e3o que aprendeu a cultuar o Rio como o segundo rinc\u00e3o natal de cada brasileiro. Mesmo daqueles patr\u00edcios que s\u00f3 o conheciam \u00e0 dist\u00e2ncia. Melhor dizendo, daqueles compatriotas que se extasiavam com a soberba composi\u00e7\u00e3o entre a Natureza e o engenho humano refletida na cidade, sem nunca ter tido a chance de contemplar de perto as belezas sem par da cidade de encantos mil, cidade maravilhosa, cora\u00e7\u00e3o do Brasil, cantada na imortal melodia de Andr\u00e9 Filho.<!--more--><\/p>\n<p>Comprovo em sugestiva colet\u00e2nea de depoimentos anotados pelo renomado Paulo R\u00f3nai, no espl\u00eandido &#8220;Dicion\u00e1rio de Cita\u00e7\u00f5es&#8221;, que o encantamento e a magia do Rio de Janeiro s\u00e3o de tempos imemoriais, de abrang\u00eancia universal e de resson\u00e2ncia infind\u00e1vel. Vejam s\u00f3 o que a vis\u00e3o estonteante da paisagem inigual\u00e1vel arrancou de um versejador maior da l\u00edngua, Bocage (1765-1805): &#8220;Pus, finalmente, os p\u00e9s onde murmura \/ o pl\u00e1cido janeiro, em cuja areia \/ Jazia entre del\u00edcias ternura.&#8221; Apolin\u00e1rio Porto Alegre, nas &#8220;Brasilianas&#8221;, n\u00e3o faz por menos: &#8220;Vi dez s\u00f3lios; oitenta e seis cidades \/ Vi as do engenho humano maravilhosas \/ Pelas artes criadas em mil anos \/ Mas meus olhos n\u00e3o viram quem te iguale \/ Divina Guanabara, em teus encantos.\u201d<\/p>\n<p>Com certeira certeza, emo\u00e7\u00e3o parecida arrastou Paul Claudel a dizer que &#8220;o Rio \u00e9 a \u00fanica grande cidade que n\u00e3o conseguiu expulsar a natureza.&#8221;. Ou Genolino Amado a proclamar, deslumbrado, que os panoramas cariocas, inundando o cora\u00e7\u00e3o da gente, fornecem a sensa\u00e7\u00e3o do mundo em festa. Ou ainda Carlos Lacerda a garantir ser o Rio uma admir\u00e1vel s\u00edntese brasileira, cidade onde existe a ideia de que a amizade \u00e9 for\u00e7a essencial \u00e0 vida, arrematando assim a defini\u00e7\u00e3o de um Rio presente na saudade e na venera\u00e7\u00e3o dos brasileiros: &#8220;O que no Rio por dinheiro nenhum se consegue, com uma boa palavra se alcan\u00e7a. Ou um palavr\u00e3o, dito com ternura.\u201d<\/p>\n<p>Esse Rio lind\u00edssimo, terno, de imagens que comportam tantas grandezas, de abrasador calor humano, sinopse vibrante do sentimento nacional, parece n\u00e3o existir mais. Parece estar sucumbindo diante das flechadas letais disparadas pela viol\u00eancia e insensatez desabridas, estimuladas pelo despreparo e falta de criatividade governamentais no enfrentamento da bandidagem e corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No passado, tomava-se conhecimento com sintom\u00e1tica frequ\u00eancia de casos de conhecidos que se ligavam pela vida afora, movidos por contagiante entusiasmo, ao sonho dourado de terminar seus dias, \u00e0 hora merecida da aposentadoria, na assim denominada cidade-maravilhosa. Que diferen\u00e7a de hoje, santo padroeiro! Que diferen\u00e7a destes tempos ignominiosos das quadrilhas de traficantes; das mil\u00edcias corruptas de policiais; das unidades pacificadoras, nem sempre lamentavelmente \u201cpacificadoras\u201d; das balas extraviadas, das rajadas luminosas mort\u00edferas que enchem de pavor ruas, resid\u00eancias, estradas, bairros inteiros e que inspiram nas pessoas, ao reverso, a \u00e2nsia de sair \u00e0 cata de outros ref\u00fagios para terminar os dias de forma que n\u00e3o renda not\u00edcia dolorida em canto de p\u00e1gina policial.<\/p>\n<p>Os acontecimentos dos tempos cariocas de hoje dizem respeito a todos os brasileiros. O Brasil tem o direito e o dever de agir, se preciso for at\u00e9 com interven\u00e7\u00e3o federal. O Rio de Janeiro precisa desfazer-se de suas mazelas. Continuar lindo, para desfrute da humanidade. \u00c9 preciso que surjam pessoas interessadas em arrancar as flechas do peito do padroeiro, para que S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro possa ainda se salvar, como dito na bel\u00edssima can\u00e7\u00e3o de Aldir Blanc.<\/p>\n<p>Em tempo: O t\u00edtulo deste artigo foi inspirado por uma express\u00e3o que deu t\u00edtulo a um livro do magn\u00edfico Rubem Braga: \u201cAi de ti, Copacabana!\u201d.<\/p>\n<p><strong>* O jornalista Cesar Vanucci (cantonius1@yahoo.com.br) \u00e9 colaborador do Blog Mundo Afora. Artigo datado de 01\/03\/2018<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por\u00a0Cesar Vanucci * &#8220;Brasil, tira as flechas do peito de meu padroeiro que S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro pode<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3006,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[256],"tags":[338,1456,1455,465,1454],"class_list":["post-3005","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","tag-cesar-vanucci","tag-corrupcao-rio","tag-exercito-rio","tag-rio-de-janeiro","tag-violencia-rio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3005","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3005"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3005\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3007,"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3005\/revisions\/3007"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/3006"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3005"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3005"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3005"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}