{"id":3029,"date":"2018-04-29T21:14:55","date_gmt":"2018-04-29T21:14:55","guid":{"rendered":"http:\/\/taizabritomundoafora.com.br\/?p=3029"},"modified":"2018-04-29T21:14:55","modified_gmt":"2018-04-29T21:14:55","slug":"a-carga-dos-problemas-sociais-cresce","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/?p=3029","title":{"rendered":"A carga dos problemas sociais cresce"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por\u00a0Cesar Vanucci *<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cLenha na fogueira da intranquilidade comunit\u00e1ria n\u00e3o anda faltando.\u201d<\/em><br \/>\n(<strong>Ant\u00f4nio Luiz da Costa, educador<\/strong>)<\/p>\n<p>A j\u00e1 avantajada carga de quest\u00f5es cruciantes, que alimenta o desassossego social na atualidade brasileira, ficou acrescida, nos \u00faltimos dias, de mais alguns perturbadores elementos. As manchetes assim falaram: 1. A \u201clista suja\u201d \u2013 imunda e indecente, acrescenta este escriba &#8211; do trabalho escravo no Brasil aponta Minas com um quarto do total das 165 \u201cempresas\u201d que se valem dessa apavorante pr\u00e1tica de aliciamento de m\u00e3o de obra; 2. Com a estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e o avassalador ritmo do desemprego, o rendimento m\u00e9dio mensal da faixa mais empobrecida da popula\u00e7\u00e3o \u2013 pasmo dos pasmos! \u2013 \u00e9 de 47 reais.<\/p>\n<p>O novo levantamento das organiza\u00e7\u00f5es flagradas pela fiscaliza\u00e7\u00e3o em raz\u00e3o do recrutamento de trabalhadores para a\u00e7\u00f5es consideradas an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o registra um acr\u00e9scimo de 34 \u201cempregadores\u201d, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 lista anterior. No tocante a Minas Gerais, as situa\u00e7\u00f5es levantadas d\u00e3o conta de que a parcela majorit\u00e1ria das v\u00edtimas desse esquema aviltante de explora\u00e7\u00e3o do labor humano executava tarefas na agropecu\u00e1ria e constru\u00e7\u00e3o civil. No interior est\u00e3o localizadas, preponderantemente, as organiza\u00e7\u00f5es autuadas em fun\u00e7\u00e3o da criminosa pr\u00e1tica.<!--more--><\/p>\n<p>O coordenador do projeto de combate ao trabalho escravo do Minist\u00e9rio do Trabalho em Minas, Marcelo Gon\u00e7alves Campos, em depoimento \u00e0 jornalista Juliana Gontijo, de \u201cO Tempo\u201d, explica que os dados alusivos ao Estado n\u00e3o significam necessariamente seja Minas possuidora de mais oper\u00e1rios submetidos a condi\u00e7\u00f5es humilhantes de trabalho que os demais Estados. O que acontece \u00e9 que a repress\u00e3o \u00e0 odiosa irregularidade mostra-se, por aqui, mais intensa e eficaz, gra\u00e7as \u00e0 melhor articula\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os incumbidos de promov\u00ea-la.<\/p>\n<p>Esclarecendo que o trabalho escravo \u00e9 caracterizado por jornadas exaustivas, acima dos limites suport\u00e1veis pelo ser humano e pelas condi\u00e7\u00f5es degradantes de habita\u00e7\u00e3o, alimenta\u00e7\u00e3o e resguardo da sa\u00fade, a Comiss\u00e3o Pastoral da Terra, vinculada \u00e0 Confer\u00eancia Nacional dos Bispos, salienta que a m\u00e3o de obra alvejada no ultrajante processo \u00e9 constitu\u00edda em 95 por cento de homens. Os analfabetos representam 31 por cento. Doze por cento das v\u00edtimas se consideram mulatos ou mesti\u00e7os. A m\u00e9dia de idade \u00e9 33 anos. Dado intrigante trazido a furo pela Pastoral: 23 por cento dos enquadrados nessa modalidade de servid\u00e3o humana procedem do Maranh\u00e3o. O universo pesquisado no estudo abrange 52.500 pessoas, todas elas resgatadas do regime escravizante de 1995 para c\u00e1. S\u00f3 em 2016 foram libertadas 831.<\/p>\n<p>A prop\u00f3sito da candente quest\u00e3o faz-se oportuno relembrar que, em outubro passado, ato governamental posteriormente sobrestado \u00e0 vista das justas cr\u00edticas recebidas estabeleceu o que se convencionou chamar de \u201cflexibiliza\u00e7\u00e3o do trabalho escravo\u201d. Restou comprovado que a portaria foi institu\u00edda com o objetivo de criar \u00f3bices nas autua\u00e7\u00f5es. O STF concedeu liminar suspendendo a norma, recha\u00e7ada por defensores dos direitos sociais e aplaudida por alguns setores ruralistas.<\/p>\n<p>O vis\u00edvel empobrecimento nacional \u00e9 outro problema\u00e7o que anda introduzindo ang\u00fastia nos lares. Estudo do IBGE aponta queda na m\u00e9dia de renda da popula\u00e7\u00e3o entre 2015 e 2016. A redu\u00e7\u00e3o foi de 0,56 por cento. Alcan\u00e7a todas as camadas da popula\u00e7\u00e3o, excetuando-se \u2013 t\u00e1 na cara \u2013 os bem-afortunados. Entre eles, naturalmente, seis patr\u00edcios que concentram riqueza correspondente \u00e0 renda de quase a metade da popula\u00e7\u00e3o, numa contundente demonstra\u00e7\u00e3o de que a brutal desigualdade continua sendo tra\u00e7o definidor de nossa realidade social. Mas \u00e9 bem no r\u00e9s do ch\u00e3o dos estamentos sociais que os fatos escancaram sua faceta mais deprimente.<\/p>\n<p>O rendimento m\u00e9dio mensal dos mais pobres passou agora a ser de R$ 47. Era de R$ 76. O contingente \u201cfavorecido\u201d por tais n\u00fameros \u00e9 de 4,5 milh\u00f5es de cidad\u00e3os. Representam 5 por cento da popula\u00e7\u00e3o provida de renda. O estudo do IBGE assinala ainda que o n\u00famero de fam\u00edlias auxiliadas pelo \u201cBolsa Fam\u00edlia\u201d caiu em 2017. S\u00e3o 9,5 milh\u00f5es os domic\u00edlios beneficiados. 326 mil a menos que no ano passado. O programa, como sabido, destina-se a n\u00facleos familiares catalogados como de extrema pobreza. A maior redu\u00e7\u00e3o ocorreu em Minas (63 mil domic\u00edlios).<\/p>\n<p>N\u00e3o d\u00e1 pra olvidar que tudo isso acontece num momento em que as estat\u00edsticas apregoam a cifra estonteante de 12 milh\u00f5es de desempregados.<\/p>\n<p><strong>* O jornalista Cesar Vanucci (cantonius1@yahoo.com.br) \u00e9 colaborador e escreve semanalmente para o Blog Mundo Afora<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por\u00a0Cesar Vanucci * \u201cLenha na fogueira da intranquilidade comunit\u00e1ria n\u00e3o anda faltando.\u201d (Ant\u00f4nio Luiz da Costa, educador) A j\u00e1 avantajada<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3030,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[791,256],"tags":[1476,46,338,1477,1475,1474],"class_list":["post-3029","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-america","category-artigo","tag-bolasa-familia","tag-brasil","tag-cesar-vanucci","tag-desemprego","tag-ibge","tag-trabalho-escravo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3029","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3029"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3029\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3031,"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3029\/revisions\/3031"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/3030"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3029"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3029"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3029"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}