{"id":3913,"date":"2019-04-19T16:34:46","date_gmt":"2019-04-19T16:34:46","guid":{"rendered":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/\/?p=3913"},"modified":"2019-04-19T16:34:46","modified_gmt":"2019-04-19T16:34:46","slug":"conspiracao-cartografica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/?p=3913","title":{"rendered":"Conspira\u00e7\u00e3o cartogr\u00e1fica"},"content":{"rendered":"<p class=\"x_ydp5c8fa15MsoNormal\" align=\"left\"><b><i>&#8220;O mapa mente!<\/i><\/b><\/p>\n<p class=\"x_ydp5c8fa15MsoNormal\" align=\"left\"><b>(Eduardo Galeano, escritor uruguaio)<\/b><\/p>\n<p class=\"x_ydp5c8fa15MsoNormal\" align=\"left\">\u201c\u00c9 loucura, mas h\u00e1 um m\u00e9todo nela!\u201d A sabedoria shakespeariana explica magistralmente a ins\u00e2nia das manobras desencadeadas por estrategistas da geopol\u00edtica em seus nefandos prop\u00f3sitos hegem\u00f4nicos de usurpa\u00e7\u00e3o, subjuga\u00e7\u00e3o e domina\u00e7\u00e3o. Nem os registros cartogr\u00e1ficos escapam da conspira\u00e7\u00e3o montada.<\/p>\n<div>\u00a0Confesso, honestamente, que nunca, jamais, em tempo algum, passou-me de leve pelo bestunto a estapaf\u00fardia ideia de que o mapa mundi utilizado em consultas, desde os come\u00e7os escolares, seja inexato, incorreto nas propor\u00e7\u00f5es, oferecendo uma no\u00e7\u00e3o falsa, superavaliada, da grandeza geogr\u00e1fica dos pa\u00edses do chamado primeiro mundo. Provocado pelo que conta a respeito Eduardo Galeano no livro &#8220;De pernas pro ar \u2013 a Escola do mundo ao avesso&#8221;, resolvi conferir e acabei me certificando, arregalado de espanto, que a revela\u00e7\u00e3o, den\u00fancia, ou o que quer que seja a informa\u00e7\u00e3o transmitida pelo saudoso pensador uruguaio, est\u00e1 absolutamente certa. A linha do equador n\u00e3o atravessa, realmente, a metade do mapa mundi, como se aprende na escola. O rei da geografia, como diz Galeano, est\u00e1 nu. E n\u00e3o \u00e9 que isso j\u00e1 havia sido constatado, na moita, debaixo de sil\u00eancio sepulcral, h\u00e1 mais de meio s\u00e9culo, por um cientista alem\u00e3o de nome Arno Peters?<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Mas o mais adequado nas circunst\u00e2ncias \u00e9 deixar a palavra escorrer pela boca do pr\u00f3prio escritor: &#8220;O mapa mundi que nos ensinaram d\u00e1 dois ter\u00e7os para o norte e um ter\u00e7o para o sul. (&#8230;) A Europa \u00e9 mais extensa do que a Am\u00e9rica Latina, embora, na verdade, a Am\u00e9rica Latina tenha o dobro da superf\u00edcie da Europa. A \u00cdndia parece menor do que a Escandin\u00e1via, embora seja tr\u00eas vezes maior.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Os Estados Unidos e o Canad\u00e1 ocupam no mapa mais espa\u00e7o do que a \u00c1frica, embora correspondam apenas a duas ter\u00e7as partes do territ\u00f3rio africano.\u201d<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Adotando-se a mesma perspectiva da an\u00e1lise de Galeano, d\u00e1 pra ver que a configura\u00e7\u00e3o do Brasil, detentor da quarta ou quinta maior extens\u00e3o territorial entre os demais pa\u00edses, est\u00e1 igualmente desproporcional no atlas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Isso posto, qual a raz\u00e3o dessa desconcertante distor\u00e7\u00e3o da geografia e da hist\u00f3ria, h\u00e1 tantos anos ignorada ou tolerada? Galeano n\u00e3o deixa por menos: &#8220;O mapa mente! A geografia tradicional rouba o espa\u00e7o, assim como a economia imperial rouba a riqueza, a hist\u00f3ria oficial rouba a mem\u00f3ria e a cultura formal rouba a palavra.&#8221;. Ele est\u00e1 a falar de um processo espoliativo incessante que tem como alvo os pa\u00edses do hemisf\u00e9rio sul. Um processo, como sabido e not\u00f3rio, inclemente do ponto de vista econ\u00f4mico e social com rela\u00e7\u00e3o ao chamado mundo subdesenvolvido, vez por outra apelidado de terceiro mundo, onde se costuma aplicar tamb\u00e9m a classifica\u00e7\u00e3o de &#8220;emergentes&#8221;, a crit\u00e9rio dos &#8220;donos do planeta&#8221;, a um que outro pa\u00eds provido de potencialidades imposs\u00edveis de passarem, o tempo todo, despercebidas aos olhares mundiais.<\/div>\n<p class=\"x_ydp5c8fa15MsoNormal\">Essa cabulosa hist\u00f3ria do atlas mundial mutilado deixa-nos com aquela mesma sensa\u00e7\u00e3o de insuport\u00e1vel desconforto trazida, tempos atr\u00e1s, pela revela\u00e7\u00e3o de que alguns livros did\u00e1ticos em escolas de ensino fundamental nos Estados Unidos mostram a Amaz\u00f4nia brasileira como regi\u00e3o sob controle internacional. Uma coisa parece ter tudo a ver com a outra coisa. O inacredit\u00e1vel, imoral e ilegal redimensionamento cartogr\u00e1fico h\u00e1 que ser visto como um instrumento a mais de irradia\u00e7\u00e3o de mensagens subliminares insistentes com prop\u00f3sitos que deixam sob amea\u00e7a, em seus direitos, sua cultura, soberania e integridade, os pa\u00edses da banda de c\u00e1 do equador. Essa a leitura a extrair dos fatos. Melhor dizendo, dos mapas.<\/p>\n<p class=\"x_ydp5c8fa15MsoNormal\"><strong>\u00a0*\u00a0 O jornalista Cesar Vanucci (cantonius1@yahoo.com.br)\u00a0\u00e9 colaborador do Blog Mundo Afora<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;O mapa mente! 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