{"id":4490,"date":"2019-11-10T01:36:00","date_gmt":"2019-11-10T01:36:00","guid":{"rendered":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/\/?p=4490"},"modified":"2019-11-10T01:36:00","modified_gmt":"2019-11-10T01:36:00","slug":"faces-do-brasil-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/?p=4490","title":{"rendered":"Faces do Brasil brasileiro"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por Cesar Vanucci *<\/strong><\/p>\n<p>\u201c<em>Meu Brasil brasileiro (&#8230;) vou cantar-te nos meus versos.\u201d<\/em> (<strong>Ary Barroso, em \u201cAquarela do Brasil\u201d<\/strong>)<\/p>\n<p><strong>Considerada pela Academia Brasileira de Letras como a obra musical que melhor reflete o esp\u00edrito nacional, a \u201cAquarela do Brasil\u201d, de autoria do genial Ary Barroso, mineiro de Ub\u00e1, completou este m\u00eas 80 anos.<\/strong> Seus lindos acordes e imponentes versos tornam-na amada e conhecida, no sentimento popular, como uma esp\u00e9cie de segundo hino nacional. <strong>N\u00e3o tem como n\u00e3o sentir certo fr\u00eamito c\u00edvico na espinha quando se alteiam os sons inconfund\u00edveis do \u201cBrasil brasileiro\u201d, do mulato inzoneiro, do samba e do pandeiro, exaltado em express\u00f5es de perene beleza e colorido humano.<\/strong> Cabe aqui rememorar singular emo\u00e7\u00e3o que vivi, em 2003, nas altitudes himalaianas de Lhasa, Tibete, ao ouvir, inesperadamente, num bar, um pianista extrair do teclado a nossa \u201cAquarela\u201d.<\/p>\n<p><strong>O grau de como\u00e7\u00e3o que experimentei alcan\u00e7ou tal magnitude que cheguei a imaginar a hip\u00f3tese de n\u00e3o conseguir resistir aos batimentos acelerados do cora\u00e7\u00e3o.<\/strong> Passei at\u00e9 a criar na mente os transtornos que poderiam resultar de indesej\u00e1vel eventual traslado de meu corpo, daquelas lonjuras, at\u00e9 Belo Horizonte. O estado de esp\u00edrito alterado foi, felizmente, desfeito com um ch\u00e1 terap\u00eautico. Cedeu lugar a prazerosa serenidade. Recomposto do abalo, pude at\u00e9 mesmo desfrutar da alegria de acompanhar, aplaudir, a ponto de cantar, outras melodias da incompar\u00e1vel m\u00fasica popular brasileira, sa\u00eddas magicamente do piano.<\/p>\n<p><strong> Para quem eventualmente ignore o fato, seja revelado ainda que Ary Barroso, seguramente o maior compositor brasileiro de todos os tempos, com lugar garantido no pante\u00e3o universal da cria\u00e7\u00e3o musical, comp\u00f4s quase 500 lind\u00edssimas can\u00e7\u00f5es.<\/strong> A \u201cAquarela do Brasil\u201d nasceu de um impulso \u00fanico, num momento de s\u00fabita inspira\u00e7\u00e3o. Numa reuni\u00e3o em sua casa, diante de reduzida plateia composta de familiares e amigos, ele sentou-se ao piano, arrancou da cachola f\u00e9rtil a linha mel\u00f3dica, foi encaixando sem vacila\u00e7\u00f5es as palavras e, pronto, em curto espa\u00e7o de tempo, inventou para embevecimento do mundo a melodia imortal.<\/p>\n<p><strong>Est\u00e1 certo, n\u00e3o h\u00e1 como desconhecer que as den\u00fancias do presidente Jair Bolsonaro foram feitas em instante de descomedida irrita\u00e7\u00e3o. Bem naquele manjado estilo belicoso, de fei\u00e7\u00e3o revanchista, por ele comumente empregado quando das dificuldades pessoais que encontra na lida com o contradit\u00f3rio<\/strong>. Mas, mesmo postas assim as coisas, imp\u00f5e-se admitir que os fatos narrados na fala do chefe do governo foram recebidos com vis\u00edvel desencanto pela opini\u00e3o p\u00fablica. Essa hist\u00f3ria, n\u00e3o devidamente contestada pelos interessados, de que alguns influentes personagens na \u00e1rea da comunica\u00e7\u00e3o social se deixaram tamb\u00e9m envolver em mutretas do tipo das que s\u00e3o praticadas por pol\u00edticos inescrupulosos, objeto naturalmente de condena\u00e7\u00f5es em suas pautas de divulga\u00e7\u00e3o, soou mal pr\u00e1 valer. E com agravante.<\/p>\n<p><strong>O sil\u00eancio tumular, de inilud\u00edvel cunho corporativista, que a m\u00eddia eletr\u00f4nica entendeu de estabelecer a prop\u00f3sito do assunto. T\u00e1 danado!<\/strong><\/p>\n<p>Integrantes dos poderes Executivo e Legislativo de Minas Gerais parecem mesmo firmemente empenhados em tocar pra frente, em que pese a manifesta discord\u00e2ncia da comunidade, a manobra da privatiza\u00e7\u00e3o da Cemig. Deixam expl\u00edcita, em reiteradas declara\u00e7\u00f5es, a disposi\u00e7\u00e3o de atropelar a norma constitucional que rege a mat\u00e9ria, na consecu\u00e7\u00e3o de seus objetivos. Ter\u00e3o que enfrentar, em determinada hora, um baita problema. <strong>N\u00e3o ser\u00e1 nada f\u00e1cil explicar ao respeit\u00e1vel p\u00fablico a transfer\u00eancia para o setor privado, de m\u00e3o beijada, de ativos estimados em 4 bilh\u00f5es de reais pertencentes a uma empresa estrat\u00e9gica e de conceito que, num um \u00fanico semestre apenas, acusa no balan\u00e7o, lucro superior \u00e0 metade desse valor. Ora, epa<\/strong><\/p>\n<p>\u201cEmpresas n\u00e3o s\u00e3o corruptas\u201d, este o t\u00edtulo de sugestivo artigo, estampado na \u201cCartaCapital\u201d, de autoria do jornalista Pedro Serrano. O cerne da argumenta\u00e7\u00e3o \u00e9 o seguinte: \u201cQuem comete crimes, muitas vezes por meio ou em nome das organiza\u00e7\u00f5es, s\u00e3o pessoas f\u00edsicas, que podem e devem ser punidas criminalmente ao praticar delito.\u201d<strong> Sublinhando que nos pa\u00edses mais desenvolvidos, em casos de corrup\u00e7\u00e3o, os indiv\u00edduos que representam as empresas s\u00e3o severamente punidos, mas essas, em fun\u00e7\u00e3o de respeit\u00e1veis interesses econ\u00f4micos e sociais, s\u00e3o sempre preservadas, o comentarista se reporta ao tratamento totalmente diferenciado que o Brasil adota em circunst\u00e2ncias an\u00e1logas.<\/strong><\/p>\n<p><strong> As san\u00e7\u00f5es aqui aplicadas s\u00e3o de um impacto tal que acabam excluindo as empresas de participar de processos licitat\u00f3rios, obterem cr\u00e9dito, tornando-as, irremediavelmente, insustent\u00e1veis.<\/strong> O Sindicato Nacional de Constru\u00e7\u00e3o Pesada e Infraestrutura promoveu, recentemente, um levantamento a respeito do que andou acontecendo com as maiores organiza\u00e7\u00f5es do setor que figuraram, pela irresponsabilidade de seus executivos, na lista das atividades il\u00edcitas investigadas pela Justi\u00e7a. A potencialidade econ\u00f4mica e social dessas companhias, todas legitimamente nacionais (esse \u00e9 um dado relevante a registrar), sofreu dr\u00e1stico encolhimento.<\/p>\n<p>Em quatro anos, a receita l\u00edquida despencou cerca de 85 por cento. Um milh\u00e3o de empregos formais foram riscados do mapa. Sobrou a contundente evid\u00eancia de que o peso maior das puni\u00e7\u00f5es aplicadas recaiu sobre a m\u00e3o de obra das companhias, alvejando trabalhadores comuns, chefes de fam\u00edlia, n\u00e3o implicados, em instante algum, nas conden\u00e1veis praticas desonestas perpetradas. O<strong> correto ser\u00e1 cogitar de uma reavalia\u00e7\u00e3o na metodologia do combate intransigente, do qual n\u00e3o se pode abrir m\u00e3o, \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o. Atender\u00e1 ao interesse nacional assegurar a empresas legitimamente brasileiras condi\u00e7\u00f5es de sobreviv\u00eancia.<\/strong> Garantia de espa\u00e7o no mercado de neg\u00f3cios, de modo a que possam se inserir no processo da necess\u00e1ria e urgente retomada do desenvolvimento.<\/p>\n<p><strong>*\u00a0 O jornalista Cesar Vanucci (cantonius1@yahoo.com.br) \u00e9 colaborador do Blog Mundo Afora<\/strong><\/p>\n<p>Artigo de 05\/09\/2019<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Cesar Vanucci * \u201cMeu Brasil brasileiro (&#8230;) vou cantar-te nos meus versos.\u201d (Ary Barroso, em \u201cAquarela do Brasil\u201d) Considerada<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4491,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[256],"tags":[1832,1830,1829,1831,338],"class_list":["post-4490","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","tag-aquarela-do-brasil","tag-ary-barroso","tag-blog-mundo-afora","tag-brasil-brasileiro","tag-cesar-vanucci"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4490","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4490"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4490\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4492,"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4490\/revisions\/4492"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/4491"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4490"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4490"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4490"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}