{"id":496,"date":"2015-09-17T17:41:47","date_gmt":"2015-09-17T17:41:47","guid":{"rendered":"http:\/\/taizabritomundoafora.com.br\/?p=496"},"modified":"2015-09-17T17:41:47","modified_gmt":"2015-09-17T17:41:47","slug":"veredicto-inconfiavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/?p=496","title":{"rendered":"Veredicto inconfi\u00e1vel"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/Agencia-de-risco.png\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-497 aligncenter\" src=\"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/Agencia-de-risco.png\" alt=\"Agencia de risco\" width=\"540\" height=\"282\" srcset=\"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/Agencia-de-risco.png 540w, https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/Agencia-de-risco-300x157.png 300w\" sizes=\"(max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Por\u00a0Cesar Vanucci *<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cPor qual raz\u00e3o as ag\u00eancias de risco esqueceram-se de dar<\/em><br \/>\n<em> notas aos respons\u00e1veis pelo tsunami financeiro de 2008?<\/em>\u201d<br \/>\n(<strong>Ant\u00f4nio Luiz da Costa, educador<\/strong>)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse rebaixamento da nota de cr\u00e9dito do Brasil, de v\u00e1rios Estados e de um punhado de importantes organiza\u00e7\u00f5es empresariais d\u00e1 o que pensar. Oferece espl\u00eandida chance para elucidativos coment\u00e1rios a respeito de \u201cmeia d\u00fazia de seis ou sete revela\u00e7\u00f5es relevantes\u201d. Registros que costumam, teimosamente, ficar de fora do notici\u00e1rio de cada dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A maioria dos viventes n\u00e3o disp\u00f5e, compreensivelmente, de informa\u00e7\u00f5es suficientes sobre o que rola no peda\u00e7o. Mas, dos muitos cidad\u00e3os que t\u00eam amplo conhecimento das coisas, boa parte finge n\u00e3o saber, ou se esquiva, por motivos nem sempre aceit\u00e1veis eticamente, de mencion\u00e1-las quando a quest\u00e3o vem \u00e0 balha.<!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A legitimidade das \u201cag\u00eancias de classifica\u00e7\u00e3o de riscos\u201d \u00e9 universalmente questionada pelas lideran\u00e7as mais l\u00facidas do pensamento human\u00edstico. Seria instrutivo que a m\u00eddia procurasse se inteirar do que o Papa Francisco pensa a respeito. Uma interroga\u00e7\u00e3o perturbadora irrompe, impetuosamente, no esp\u00edrito dos estudiosos das quest\u00f5es econ\u00f4micas e sociais: que poder superior (divino ou super-humano) confere a tais ag\u00eancias as prerrogativas de sa\u00edrem por a\u00ed ditando regras a respeito do comportamento de pa\u00edses inteiros, de complexos produtivos comprometidos com a constru\u00e7\u00e3o humana, econ\u00f4mica e social?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por que, para certos setores \u2013 como se insinua em suspeitosas manifesta\u00e7\u00f5es midi\u00e1ticas \u2013, as pontua\u00e7\u00f5es desses \u00f3rg\u00e3os soam como vers\u00f5es de \u00e9ditos imperiais t\u00edpicos dos tempos medievais?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por que s\u00e3o propagadas como dogmas fundamentalistas de f\u00e9, a serem acatados por multid\u00f5es resignadas, sem choro nem vela? Por que s\u00e3o alardeadas como \u201cverdades intoc\u00e1veis\u201d? \u201cVerdades\u201d das quais meros mortais n\u00e3o podem, terminantemente, discordar, sob pena de castigo vindo do alto, ou pelo temor de serem indigitados, em doutos c\u00edrculos, como cidad\u00e3os de terceira classe intelectual?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A \u201cinfalibilidade\u201d das pontua\u00e7\u00f5es n\u00e3o passa de mito, astuciosamente sustentado por fac\u00e7\u00f5es neoliberalistas atendendo a conveni\u00eancias da megaespecula\u00e7\u00e3o no mundo dos neg\u00f3cios. A inamiss\u00edvel supervaloriza\u00e7\u00e3o dos \u201cratings\u201d parece perseguir o objetivo de criar em determinados momentos e \u00e1reas, clima de \u201cDeus nos acuda\u201d conflitante com os aut\u00eanticos interesses das sociedades alvejadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A credibilidade da \u201cpontua\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9 colocada em xeque permanentemente. Muitas as situa\u00e7\u00f5es comprobat\u00f3rias de que as ag\u00eancias se deixam emaranhar em ataques especulativos de dram\u00e1ticos efeitos. O exemplo mais loquaz \u00e9 de setembro de 2008. Nenhuma delas antecipou, diagnosticou, emitiu tempestivo alerta sobre o tsunami \u00e0 vista. O banco de investimento \u201cLehman Brothers\u201d, junto com numerosos \u201cparceiros\u201d, recebeu grau m\u00e1ximo de investimento em avalia\u00e7\u00e3o da \u201cStandard&amp;Poor\u2019s\u201d (a mesma que acaba de rebaixar as notas brasileiras), pouqu\u00edssimos dias antes do formidando estrondo financeiro que sacudiu o mundo. Seja lembrado que esse banco desempenhou papel de realce no enredo da desestruturante crise.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 agora mesmo, por raz\u00f5es que a raz\u00e3o desconhece, o manjado sistema de \u201cclassifica\u00e7\u00e3o de riscos\u201d mant\u00e9m-se mudo e quedo que nem penedo em rela\u00e7\u00e3o aos problemas ser\u00edssimos que afligem pa\u00edses da comunidade europeia. Nada de olvidar que v\u00e1rios deles se veem \u00e0s voltas com endividamentos bem acima dos valores do PIB.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De outro lado, a alega\u00e7\u00e3o de que o \u201crebaixamento\u201d concernente ao Brasil significou uma rea\u00e7\u00e3o ao an\u00fancio, realmente indesej\u00e1vel e critic\u00e1vel, do d\u00e9ficit or\u00e7ament\u00e1rio nas contas, torna oportuna a lembran\u00e7a de epis\u00f3dio ocorrido em 2011 envolvendo a mesma \u201cag\u00eancia\u201d e o Governo estadunidense. Reagindo, tamb\u00e9m, como dito na \u00e9poca, a um an\u00fancio de d\u00e9ficit no or\u00e7amento, o \u00f3rg\u00e3o classificador reduziu a nota dos EUA. O governo Obama, a m\u00eddia, as lideran\u00e7as do pa\u00eds n\u00e3o deram, como \u00e9 l\u00f3gico supor, aten\u00e7\u00e3o desmesurada e sensacionalista ao fato. O \u201crombo\u201d nas finan\u00e7as j\u00e1 era alto em 2009: 1.4 trilh\u00e3o de d\u00f3lares. Caiu um tanto em 2010: 1.3 trilh\u00e3o de d\u00f3lares. O valor manteve-se inalterado em 2011, quando do \u201crebaixamento da nota\u201d. Caiu um pouco mais em 2012: 1.1 trilh\u00e3o de d\u00f3lares. Chegou em 2013 a 680 bilh\u00f5es de d\u00f3lares e, em 2014, a 492 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, como fruto de bom trabalho de recupera\u00e7\u00e3o levado a cabo pelo governo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A conclus\u00e3o a extrair do que est\u00e1 dito \u00e9 uma s\u00f3: nota de \u201cag\u00eancia de risco\u201d n\u00e3o passa mesmo de um simples registro de uma \u201cag\u00eancia de risco\u201d. Nada al\u00e9m disso. Trata-se de um dado a mais no conjunto de elementos informativos enfeixados para formula\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica de diretrizes pol\u00edticas, econ\u00f4micas e sociais. N\u00e3o merece ser enxergada com \u00f3culos do doutor Pangloss, como senten\u00e7a fatal, inapel\u00e1vel, condenat\u00f3ria de uma Na\u00e7\u00e3o inteira. Sobretudo de uma Na\u00e7\u00e3o com a dimens\u00e3o da nossa. O acatamento pleno do \u201cveredicto\u201d de que tudo est\u00e1 perdido s\u00f3 faria algum sentido se nos deix\u00e1ssemos contaminar, desavisada e inconscientemente, por um complexo de viralatice derrotista irremedi\u00e1vel. O Brasil e suas s\u00f3lidas institui\u00e7\u00f5es, conscientes dos graves desafios a confrontar na busca por um pa\u00eds melhor, pairam acima, muito acima, dessas rea\u00e7\u00f5es de origens nada confi\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>* O jornalista Cesar Vanucci (cantonius1@yahoo.com.br) \u00e9 colaborador do Blog Mundo Afora<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por\u00a0Cesar Vanucci * \u201cPor qual raz\u00e3o as ag\u00eancias de risco esqueceram-se de dar notas aos respons\u00e1veis pelo tsunami financeiro de<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[256],"tags":[324,46,325],"class_list":["post-496","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigo","tag-agencia-de-risco","tag-brasil","tag-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/496","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=496"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/496\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":498,"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/496\/revisions\/498"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=496"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=496"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=496"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}