Erdogan promete eliminar “vírus” do golpe na Turquia

Endorgan
O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, prometeu neste domingo (17) continuar a purga contra quem participou do golpe de estado frustrado no país na última sexta-feira (15), apesar dos avisos de países europeus para que as regras do Estado de direito sejam cumpridas.
Falando de um “vírus” a erradicar de todas as instituições turcas, Erdogan voltou a acusar Fethullah Gülen, ex-aliado e agora seu “inimigo número um”, de estar na retaguarda da tentativa de golpe de estado. “Este não é um acontecimento de 12 horas”, acentuou, insistindo para que o povo se mantenha nas ruas e nas praças a apoiá-lo.
Neste domingo, na província de Denizli (Sudoeste) a polícia deteve um comandante de brigada e 50 oficiais, sefundo informações da BBC. O ministro da Justiça, Bekir Bozdag, confirmou que já foram detidas 6000 pessoas desde sexta-feira, e antecipou que esse número vai crescer nas próximas horas e dias.
“As operações de limpeza vão prosseguir”, declarou. Entre os detidos estará, segundo a Reuters, o general Bekir Ercan Van, comandante da base militar de Incirlik, no Sul do país, a partir da qual saem aparelhos da Força Aérea norte-americana na campanha contra o Estado Islâmico.
Erdogan admitiu reintroduzir a pena de morte para a aplicar a quem desencadeou a tentativa de golpe. “Queremos pena de morte!”, gritavam os apoiantes. Depois disso, a chanceler alemã, Angela Merkel, enviou mensagem ao presidente dizendo que Ancara tem de seguir “as regras do Estado de direito”.
A advertência contra as purgas foi reforçada neste domingo pela França. “Queremos que o Estado de direito funcione plenamente na Turquia, não é um cheque em branco ao senhor Erdogan”, preveniu Jean-Marc Ayrault, ministro dos Negócios Estrangeiros e ex-primeiro-ministro. A pena de morte foi abolida no país em 2002 para os crimes comuns e, dois anos mais tarde, para todos os crimes, ainda que a última a execução tenha sido em 1984.
Erdogan falou para uma multidão, afirmando que a tentativa de golpe foi orquestrada por uma minoria de militares das Forças Armadas, com apoio exterior. O imã Fethullah Gülen é a figura a quem o Governo aponta o dedo e há muito acusa de ter criado um “Estado oculto” na Turquia.
O presidente pediu aos Estados Unidos para deportarem ou extraditarem Gülen, que, auto-exilado nos Estados Unidos desde 1999, nega estar por detrás da tentativa de golpe. “Há um jogo com o Exército e isto está ligado a forças exteriores”, afirmou Erdogan, pedindo diretamente a Barack Obama para “extraditar esta pessoa que está na Pensilvânia”, onde vive Gülen.
De Washington, Erdogan recebeu apoio contra o golpe, mas ali também não passou em branco a insinuação de que os Estados Unidos seriam secretamente favoráveis aos militares que tentaram o golpe, condenado na Turquia pelos próprios partidos da oposição.
Em Istambul, as manifestações de apoio a Erdogan nas ruas, com milhares de pessoas envergando as bandeiras do país, foram-se repetindo ao longo do dia, enchendo a Taksim, a praça que há poucos anos foi o palco da repressão das manifestações contra Erdogan.
O balanço da tentativa de golpe, rapidamente contido por Erdogan, é duro. A Agência de Notícias France Press divulgou um balanço de que haveria 265 mortos e 1440 feridos, decorridos da noite de sexta em que houve confrontos nas ruas, bombas em Istambul e Ancara, e disparos contra civis.

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