Foto de bebê em caixa de papelão vira ícone do drama de refugiados em Idomeni

Indomeni Bebe
A situação das quase 10 mil pessoas retidas no campo de refugiados de Idomeni, na fronteira entre a Grécia e a Macedônia, dos quais 40% são mulheres e crianças, é cada vez mais precária. Que o diga o fotógrafo Robert Astorgano, do coletivo Fotomovimiento, que tem registrado imagens no local. Uma delas, de um bebê dentro de uma caixa de papelão, viralizou na internet, e resume bem a situação dramática na área, onde estão sendo impedidos de seguir caminho em direção à Europa.
“Como não temos palavras para explicar o que passa em #Idomeni, difundimos nossas imagens. Quiçá contamos pouco. Contudo, é difícil descrever a situação”, revela Fotomovimiento em sua página no Twitter, onde a imagem do bebê foi publicada inicialmente. O número de refugiados em Idomeni tem se multiplicado desde a semana passada, após as restrições impostas pela Macedônia e países dos Balcãs e da União Europeia quanto ao número de pessoas autorizadas a entrarem nos seus territórios.
“Quero que minha fotografia transmita o que está passando, a falta de medidas, o desespero e o abandono”, explicou Astorgano em entrevista publicada na edição online do jornal espanhol El periódico desta segunda-feira (07). Os refugiados retidos não sabem quando vão cruzar as fronteiras ou se vão chegar a ter autorizada a passagem.
Enquanto isso esperam tentam levar uma vida “normal” em sua barracas de acampar, sacos de dormir e condições de insalubridade. Falta água, faz muito frio e há muita gente doente. “Como o menino da foto existem muitos outros. Na maioria são filhos de famílias sírias e afegãs. É chocante vê-los brincar e rir neste entorno. Contudo, têm uma vida e tentam aproveitar os mínimos recursos que dispõem. Fazem o que podem”, relata.
Segundo ele, todas as histórias são surpreendentes. “Temos ouvido tantas… Uma das que mais me impactou foi a de um afegão em cadeira de rodas, com um pé em feridas, carregando uma menina. Ao saber que não poderia ultrapassar a fronteira, rompeu a chorar. Não voltei a vê-lo”, conta.
Na legenda da publicação da foto do bebê sírio no Twitter do Fotomovimento, cuja hashtag é #Idomeni, lê-se: “Assim fica o seu olhar… Lhe vê @EU_Commission? Tens filhos? Podem dormir?”. As perguntas são inquietantes. As a elas respostas também.
O coletivo Fotomovimiento, sediado em Barcelona, cujas imagens podem ser acessadas também no site https://fotomovimiento.org, é composto por fotógrafos que dão seus testemunhos sobre problemas sociais através de imagens. Para financiar a viagem a Idomeni eles estão arrecadando recursos. As doações podem ser depositadas na conta bancária informada na conta @Fotomovimiento, no Twitter.

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