domingo, maio 3, 2026
Europa

Mesmo desaconselhado por Conselho de Estado, Rajoy arremete contra investidura de Puigdemont

Conselho de Estado desaconselha premier Mariano Rajoy de tentar impedir investidura de Carles Puigdemont, que têm a preferência da maioria do Parlamento para reassumir governo da Catalunha 

O governo espanhol foi aconselhado pelo Conselho de Estado a não atuar preventivamente por meio da justiça para impedir que Carles Puigdemont reassuma o governo da Catalunha. Deputado eleito nas eleições impostas pelo premier Mariano Rajoy após intervir na Generalitat e no Parlamento, Puigdemont é o nome escolhido para ser investido no cargo pelos partidos independentistas, que com 70 cadeiras detém maioria absoluta no legislativo catalão. A sessão de investidura está marcada para a próxima terça-feira, 30, a partir das 15h.

Torrent convocou sessão de investidura depois de ouvir grupos parlamentares. ünico candidato indicado foi Carles Puigdemont

Anunciada com alarde pela vice primeira ministra, Soraya Saenz de Santamaría, a impugnação através de recurso no Tribunal Constitucional (TC) foi o caminho escolhido para barrar o passo do líder catalão. Contudo, o Conselho de Estado, considera que neste momento não há fundamento para uma ação desta natureza. Os integrantes do órgão consultivo do governo espanhol argumentam que “não é possível interpor recursos a título preventivo ou a adoção de medidas cautelares porque até agora só se trabalham com hipótesis” e portanto não recomendável atuar contra atos futuros.

Linha em desacordo com a postura de Rajoy, que vê falta de amparo constitucional na decisão do presidente do Parlamento da Catalunha, Roger Torrent, de propor a candidatura de Puigdemont, e manterá a decisão de recorrer ao TC. O premier se baseia na ordem de prisão contra o líder catalão, atualmente exilado na Bélgica, que é acusado de sedição, rebelião e malversação de fundos públicos por conta da frustrada declaração de independência em outubro passado. 


Diante da possibilidade de Puigdemont ser investido, o governo espanhol reforçou o efetivo policial nas fronteiras e vigia o parlamento catalão 24 horas para impedir que o presidente cessado compareça à polêmica sessão. A desesperada caça a Puigdemont, inclusive, está gerando uma série de memes nas redes sociais sob a hashtag #OnESPuigdemont (Onde está Puigdemont), com publicações de montagens que com ironia e bom humor “indicam” a possível localização do líder catalão.
As medidas preventivas fizeram com que a polícia vistoriasse até a rede de esgoto em volta do Parlamento da Catalunha, situado dentro do parque Ciutatella, o que também gerou muitas piadas nas redes sociais.
Brincadeiras à parte, os defensores da investidura de Puigdemont alegam que não há amparo na lei que o impeça de asumir o cargo. Além de ter sido legítimamente eleito, o que também lhe confere imunidade parlamentar, não foi condenado pela justiça. Além disso, goza de livre trânsito fora da Espanha, uma vez que o governo decidiu retirar a ordem de prisão emitida contra ele. Isso porque a justiça belga, que avaliava o pedido, estava propensa a responder ao pedido descartando os crimes de rebelião e sedição, o que reduziria a pena proposta contra Puigdemont de 30 anos para seis meses, expondo a justiça espanhola.
A sessão de investidura promete chamar os holofotes da imprensa internacional e para a questão da Catalunha, que três meses depois do referendo de 1º de outubro tem a chama da independência mais acesa do que nunca.

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