Independentismo cobra unidade a partidos políticos na Diada da Catalunha

Cidadania vai às ruas da capital catalã cobrar a políticos independentistas que retomem unidade de ação com objetivo de alcançar a independência da Espanha 

Manifestantes se espalharam no entorno da Praça Espanha

Apesar da desorientação dos partidos políticos, que abandonaram uma estratégia comum depois do referendo de 1º de outubro de 2017, o movimento independentista conseguiu reunir mais de 600 mil pessoas em Barcelona, segundo a Guarda Urbana, na 8ª edição da Diada da Catalunha.  Os manifestantes exigiram unidade a Juntos por Catalunha (JxCat), Esquerda Republicana de Catalunha (ERC) e Candidatura de Unidade Popular (CUP).

A oitava edição da manifestação, cujo público ficou abaixo de um milhão de pessoas, fato que não ocorria desde 2012, foi organizada pela Assembleia Nacional Catalã (ANC), com apoio de Òmnium Cultural e Associação dos Municípios pela Independência (AMI). Mesmo assim, contrariaram os que haviam previsto que não haveria quórum e se espalharam pelas ruas e avenidas no entorno da Praça Espanha.

Entre as reivindicações, a liberdade dos líderes políticos presos e a volta dos exilados. A expectativa é de que o Tribunal Supremo da Espanha divulgue em outubro a sentença contra os políticos e ativistas acusados de rebelião e sedição pela organização do referendo e posterior proclamação de república no outono de 2017.

 

Muitas famílies participaram do ato, de forma pacífica

Iniciado às 17:14 da tarde (12:14 no Brasil) em referência ao 11 de setembro de 1714, quando a Catalunha capitulou diante do exército Borbônico na Guerra de Secessão, o ato contou com a participação de famílias inteiras, muitas delas juntas com seus animais de estimação. A divisão dos partidos não se transferiu para os manifestantes, que gritavam “unidade” e “nem um passo atrás”.

O ato, cujo lema foi “Objetivo, Independência”, teve a apresentação do ator David Bagés, que se dirigiu ao público dizendo que “apenas a partir da unidade na nossa diversidade se poderia afrontar os desafios futuros e a sentença que está a ponto de tornar-se pública.  “Temos de estar à alçada e estaremos, não duvidem”, disse. Na sequência falaram o ator Jaume Comas e cantora Meritxell Gené. “Não estamos dispostos a voltar ao autonomismo, a retroceder. Quando nos emponderamos, podemos conseguir tudo”, disseram.

Depois foi a vez da atriz Carme Sansa, do advogado Jorge Domingo, da chef Ada Parellada, da cineasta Isona Passola e dos cantores Francesc Ribera e Lluís Llac subirem ao palco montado no Passeio Maria Cristina. “A sociedade civil, diversa, está decidida fazer a independência. Partidos e instituições, lhes instamos a tecer uma estratégia unitária”, destacaram. O maior recado dado pelos participantes foi de que “mesmo pensando diferente, se trabalham juntos por um objetivo comum, seremos imparáveis”.

As falas dos representantes da ANC, Òmnium e AMI seguiram no mesmo sentido de instar os partidos políticos a repreenderem uma estratégia conjunta. Josep Cervera, presidente da AMI, frisou que “é preciso recuperar o espírito do 1º de outubro”, quando mais de dois milhões de pessoas votaram no referendo de independência, apesar da violência policial contra os votantes, ferindo mais de mil pessoas.

Marcel Mauri agradeceu a participação do público na Diada 2019 e ressaltou quer o único caminho é a desobediência civil e pacífica

O vice-presidente de Òmnium, Marcel Mauri, mandou um recado para o estado espanhol. “Disseram que vocês não viriam (manifestantes), que ficariam em casa. Enchemos Barcelona de dignidade e de liberdade. Nos queriam parar? Aqui está a resposta. A repressão somente serviu para aumentar a nossa convicção”, declarou, ao acrescentar que “se querem condenar os que fizeram possível o 1º de outubro, terão que bater à porta de mais de dois milhões de pessoas que desobedeceram ao estado pacificamente”.

 

Elizenda Paluzie também cobrou estratégia de ação conjunta dos partidos independentiasta

A última a se pronunciar foi a presidente da ANC, Elizenda Paluzie. “Necessitamos daquela unidade que prioriza os objetivos políticos do movimento independentista. A que nos levou a grandes vitórias, a pesar da repressão, ameças e confiscos. Acabemos juntos o que começamos juntos”, convocou. Nos intervalos do atos, a ANC exibiu vídeo com imagens de outras ediçãoes da Diada.

De Madri, antes do início da manifestação, o primeiro-ministro Pedro Sánchez (PSOE) disse que gostaria que chegasse o tempo em que a Diada da Catalunha seja uma festa de todos catalães e não apenas uma parte dos catalães, numa crítica aos independentistas.

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