Universidade de Barcelona inclui atenção a pessoas trans no programa de medicina

Disciplina será ministrada pela professora Pepita Giménez-Bonafé na Faculdade de Medicina da Universidade de Barcelona, numa iniciativa pioneira na Espanha

Numa iniciativa pioneira na Espanha, a Faculdade de Medicina da Universidade de Barcelona (UB) inicia nesta sexta-feira (29) as aulas da disciplina Diversidade de Gênero: Pessoas trans. Com todas as vagas preenchidas, a disciplina eletiva tem à frente Pepita Giménez-Bonafé, professora do Departamento de Ciências Fisiológicas e Ciêncies da Saúde.

Pepita Giménez-Bonafé
Pepita Giménez-Bonafé é professora do Departamento de Ciências Fisiológicas

A professora é responsável por uma oferta formativa inovadora em áreas específicas do conhecimento, como é o caso da disciplina de Aleitamento Materno, que também é oferecida na licenciatura em Medicina, que até agora não tinham sido abordadas no ensino da disciplinas de medicina e ciências da saúde.

A objetivo da nova disciplina é que futuros profissionais de saúde se aprofundem na “diversidade de gênero com uma visão biopsicossocial” que lhes permita cuidar de pessoas trans quando precisem de um serviço de saúde. Em matéria publicada na página da Universidade de Barcelona, Giménez-Bonafé  explica que até agora existia um vazio, uma falta de atendimento especializado e um desconhecimento das várias realidades e necessidades das pessoas trans na área médica. Uma realidade que inclui pessoas trans, transexuais, não binárias, fluídas e travestis.

É preciso corrigir o vácuo que é uma atenção deficiente que viola direitos”, diz Giménez-Bonafé. O tema será tratado numa perspectiva global, por isso abordará desde questões jurídicas, psicológicas, sociais e médicas. “O estigma deve ser eliminado e se deve acabar com as situações de transfobia na área da saúde”, acredita.

Há dois anos, Giménez-Bonafé começou a trabalhar no desenho da disciplina ao ver que em suas aulas, ao convidar um palestrante para falar sobre pessoas trans, os alunos sempre pediam mais informações. “Da mesma forma, as pessoas trans que participaram dos seminários para explicar sua experiência sempre relataram que os médicos não as entendiam, muitas disseram que se sentiam maltratadas. Fica claro que falta uma etapa no treinamento médico.”

Para desenvolver o programa da disciplina,  a professora contatou grupos de pessoas trans, que sempre viram o sistema médico com desconfiança. Nesse sentido, o programa de ensino destaca a necessidade de se obter conhecimentos básicos “da violação dos direitos fundamentais que envolve o atendimento precário”. E ressalta-se que devem ser tratados como “usuários e não como pacientes”.

O programa acadêmico abrange desde a compreensão do referencial teórico (o que é sexo, gênero, orientação sexual, identidade…), à história da transexualidade, as histórias vividas por mulheres e homens trans, as implicações na sociedade, a infância, os modelos de atenção à saúde, aspectos psicológicos, área médica (orientações hormonais e modificações cirúrgicas), reprodução e sexualidade. Questões legais também serão abordadas.

Com uma carga horária estimada de 50 horas para esta disciplina,ao longo do curso, os alunos poderão usufruir de master classes ou intervenções na temática de referências nacionais no coletivo trans, como Trànsit (que faz parte do Serviço Catalão de Saúde), Generem, EnFemme ou Chrysallis, esta última dedicada ao acompanhamento de menores trans.

Também participarão do curso Sofía Bengoetxea e Judith Juanhuix, referências no meio trans. Além de compartilhar suas experiências pessoais, proporcionarão um conhecimento bastante amplo que ajudará o aluno a conhecer a situação atual da diversidade de gênero na área da saúde.

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