A Espanha contra-ataca: Intervenção financeira e ação policial em jornais para barrar referendo na Catalunha

Com a medida, governo espanhol quer impedir uso de recursos na organização do referendo de 1º de outubro, considerado ilegal. Policiais fizeram batidas em gráficas atrás de material de propagando e foram a redações de jornais entregar notificações judiciais

Como a estratégia judicial empreendida para impedir a organização do referendo sobre a independência não está surtindo efeito, o primeiro ministro espanhol Mariano Rajoy decidiu intervir na gestão de recursos do governo catalão. Por outro lado, a Guarda Civil fez busca de material de propaganda eleitoral em gráficas e entrou em redações de jornais de Barcelona para entregar notificação sobre a proibição de veicular anúncios sobre a consulta popular.

Ministro da Fazenda, Cristóbal Montoro, deu 48 horas para governo catalão prestar esclarecimentos sobre orçamento

O anúncio da intervenção no caixa catalão foi feito nesta sexta-feira (14) pelo ministro da Fazenda, Cristóbal Montoro, após reunião do conselho de ministros. O grupo aprovou um sistema de controle de pagamentos que impede o uso de recursos para financiar a organização da votação prevista para 1º de outubro.
O sistema servirá para que o estado espanhol substitua o governo catalão na maioria dos pagamentos. A medida foi tomada um dia após o vice-presidente da Catalunha, Oriol Junqueras, avisar que não enviaria mais informes a Madri sobre as finanças catalãs.
Montoro exigiu que o governo catalão comunique toda previsão orçamentária num prazo de 48 horas, a contar a partir da publicação do acordo no Boletim Oficial do Estado (BOE). Caso não responda à solicitação, fará a intervenção econômica nas contas do governo catalão de maneira imediata.
Segundo Montoro, a partir de agora os pagamentos essenciais – salários, saúde educação e serviços sociais – serão feitos diretamente pelo governo espanhol. O ministro também anunciou que qualquer solicitação de endividamento a curto prazo necessitará de aprovação do conselho de ministros.
“A cada mês a Catalunha recebe 1,4 milhões de euros de orçamento com a condição que haja um controle da legalidade. A quem molesta o controle da legalidade? Que coisa rara querem fazer com o orçamento?”, questionou o ministro. O governo espanhol também solicitou aos bancos que denunciem qualquer movimento de dinheiro vinculado ao referendo.
AÇÃO POLICIAL – A movimentação de efetivos da Guarda Civil foi ostensiva nesta sexta-feira em Barcelona e cidades vizinhas. Agentes a paisana foram enviados às redações dos jornais do El Punt Avui, Vilaweb, Racó Català, El Nacional e Nació Digital para entregar resolução do Tribunal Superior de Justiça da Catalunha (TSJC) dirigida ao diretor de cada meio de comunicação.
A notificação requer que se abstenham de incluir propaganda ou publicidae relativa ao referendo. E adverte que em caso de não cumprimento, poderão incorrer em responsabilidades penais.

Em protesto em uma das gráficas vasculhadas pela polícia, manifestantes exibiam urna, em referência ao direito a voto

Brigadas policiais estiveram em gráficas Artyplan, em Sant Feliu de Llobregat, e Marc Martí, nas sedes de Hospitalet de Llobregat e de Barcelona.  Buscavam cédulas eleitorais e cartazes de propaganda do referendo. Numa das sedes da Marc Martí apreenderam cem mil cartazes. Na Artyplan, onde a busca durou cerca de três horas, dezenas de pessoas se concentraram na frente da empresa. Com bandeiras independentistas e flores nas mãos, os manifestantes protestaram entoando frases como “Onde estão as cédulas?” e despendindo-se com um “Passem bem!”.

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