CUP frustra investidura de Turull à presidência da Catalunha

A abstenção dos quatro deputados da Candidatura de Unidade Popular (CUP), o partido independentista antissistema, frustrou a investidura de Jordi Turull à presidência da Catalunha. Turull obteve 64 votos favoráveis de Juntos por Catalunha, seu grupo político, e de Esquerda Republicana (ERC), e 65 contra de Ciudadanos, Partido Popular (PP) e Catalunha sim que se pode.

O resultado é uma derrota amarga para as forças separatistas que se mostram divididas desde a intervenção do governo espanhol na Catalunha e prisão e exílio de seus líderes. O cenário pode ainda ficar pior nesta sexta-feira, quando Turull e outros cinco independentistas de Juntos por Catalunha e ERC comparecerão à audiência no Supremo Tribunal de Justiça, em Madri.

O juiz Pablo Llarena, que conduz o processo por rebelião e sedição contra os políticos catalães que proclamaram a república em 27 de outubro passado, pode rever a liberdade condicional e enviar-los de volta à prisão. Além de Turull, que ocupou os cargos de secretário da Presidência e porta-voz do governo Carles Puigdemont, também podem ser encarcerados Josep Rull, Raul Romeva, Dolors Bassa, Marta Rovira e Carme Forcadell. As três últimas renunciaram ao cargo de deputadas pouco depois que foi encerrada a sessão de investidura, como estratégia da defesa para evitar a prisão.

Antes disso, Turull subiu à tribuna do Parlamento,  sabendo que não seria eleito. A CUP havia informado momentos antes da sessão a decisão do seu conselho político. “O programa de governo autonômico e sem compromisso com a implementação da república proclamada” foi a justificativa para a negativa. O porta-voz da CUP, Carles Rieira, disse claramente que considera o processo soberanista encerrado, as alianças desfeitas e que sem propostas republicanas “passariam humildemente à oposição”.

Fizeram falta a Turull os votos de Puigdemont e do ex-secretário Toni Comín, exilados na Bélgica, e do ex-vice presidente Oriol Junqueras e do ex-presidente da Assembleia Nacional Catalã (ANC), presos em Madri. Os quatro, eleitos deputados, não puderam comparecer à sessão, tampouco delegar a missão de votar a um representante legal.

Uma segunda investidura está marcada para o próximo sábado, às 10h, sob muitas incógnitas. Se for preso, Turull não poderá comparecer à sessão, e há pouca possibilidade de que a CUP volte atrás em sua decisão.

Caso não haja investidura até 22 de maio, a lei obriga à dissolução do Parlamento e a realização de novas eleições, que seriam realizadas em 15 de junho. Nesse novo cenário, os independentistas, sem estratégia conjunta, podem abrir caminho para ascensão dos partidos que apoiam o governo do primeiro-ministro Mariano Rajoy e soterrar de vez o sonho de uma Catalunha independente.

 

 

 

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