O custo da guerra contra o Irã: bilhões gastos e impacto político para Donald Trump
Seis meses depois do início da ofensiva, o conflito se prolonga, os gastos militares disparam e a popularidade de Donald Trump despenca às vésperas das eleições de meio de mandato
Há seis meses, os Estados Unidos e Israel iniciaram uma campanha militar contra o Irã com o objetivo de derrubar o regime islâmico, eliminar seu programa nuclear e neutralizar as milícias aliadas ao país na região. Naquele momento, animado com o sucesso da operação que sequestrou e levou para os EUA o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, o presidente Donald Trump prometeu aos norte-americanos uma “excursão” com duração de “quatro ou cinco semanas”.
A promessa não foi cumprida. Apesar de ter matado o aiatolá e líder supremo iraniano, Ali Khamenei, o regime se mantém no poder, agora sob a liderança de seu filho, Mujtaba, e resiste aos ataques de duas das forças armadas mais poderosas do mundo. A estratégia de bloquear o Estreito de Ormuz mostrou-se eficaz contra o governo americano.

No final de março, quando o prazo expirou, Trump disse que levaria “talvez mais duas semanas para terminar o trabalho”. Desde então, tem declarado repetidamente a vitória do Pentágono, algo que, na prática, não se concretizou. Um cessar-fogo, acordado em abril e prorrogado em junho, permanece teoricamente em vigor, embora o documento tenha perdido a data de validade e tenha sido repetidamente violado por ambos os lados.
Teerã continuou atacando navios que transitavam pelo Estreito de Ormuz, assim como bases americanas no Golfo Pérsico. Washington respondeu às agressões reimpondo o bloqueio naval aos portos iranianos e bombardeando infraestruturas militares e civis no país.
Nesse intervalo, Trump ameaçou várias vezes “extinguir uma civilização inteira” da noite para o dia, realizar o “maior ataque desde a Segunda Guerra Mundial” ou “enviar o Irã de volta à Idade da Pedra”. No entanto, as ameaças não se concretizaram.
A conta do conflito é alta. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, informou ao Senado, em julho, que o custo estimado da guerra era de US$ 37,8 bilhões (R$ 211,7 bilhões). Os gastos, porém, podem ser ainda maiores. Segundo o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), eles já ultrapassariam US$ 100 bilhões (R$ 560 bilhões).
O Pentágono solicitou ao Congresso um financiamento adicional de US$ 73 bilhões (R$ 408,8 bilhões) para dar continuidade à operação. O pedido foi aprovado por uma pequena margem na Câmara dos Representantes, por 216 votos a 214, mas permanece travado no Senado.
CUSTO POLÍTICO
Além do custo financeiro e militar, o capital político de Trump está derretendo, com consequências também para a estratégia de guerra. Comenta-se que praticamente todos os mísseis de longo alcance e guiados com precisão dos EUA já foram usados contra o Irã. Os interceptores de mísseis posicionados na região também estariam se esgotando.
Como consequência, os EUA tiveram de transportar mais munições de outras partes do mundo, além de manter cerca de 30 navios de guerra posicionados no Golfo.
Até agora, 18 soldados americanos foram mortos e pelo menos 624 ficaram feridos, segundo dados oficiais. Além disso, foram relatadas condições insalubres em alguns dos porta-aviões posicionados na região, como o USS Abraham Lincoln, que, após a controvérsia, foi retirado de serviço e substituído pelo USS George Washington.
Com a aproximação das eleições de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro, a situação se complica para o Partido Republicano, que pode ser impactado pelos resultados da “excursão” ao Irã. Os índices de aprovação de Trump caíram para o nível mais baixo em sua década na política.
Apenas 31% dos americanos apoiam uma ação militar contra o Irã, segundo a pesquisa mais recente da Reuters/Ipsos. Em breve, será possível saber se o partido de Trump conseguirá ou não manter o controle das duas casas do Congresso.

