Espanha repete eleição para escolha de primeiro ministro

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Os espanhóis vão às urnas neste domingo (26), pela segunda vez em seis meses, votar nos deputados encarregados de escolher o novo primeiro ministro do país. Na última eleição, em 20 de dezembro passado, o atual ocupante do cargo, Mariano Rajoy, do Partido Popular (PP), ficou em primeiro lugar, mas sem a maioria de cadeiras necessárias para a investidura. Sem apoio dos demais partidos foi impedido de renovar o mandato.
O candidato do Partido Socialista (PSOE), Pedro Sanchez, chegou a costurar acordo com o quarto colocado, Alberto Rivera (Ciudadanos), mas não obteve a chancela de Pablo Iglesias (Podemos), posicionado em terceiro. Assim, também teve seus planos de tornar-se primeiro ministro frustrados. Por isso, o rei Felipe VI dissolveu o parlamento no início de maio e convocou o novo pleito.
É provável que os conservadores do PP consigam o maior número de cadeiras, como apontam as sondagens eleitorais mais recentes. Contudo, como se verificou na primeira rodada de votos, o sistema bipartidário que imperou na Espanha democrática – com os socialistas do PSOE e os conservadores do PP (PP) dividindo o poder nos últimos 30 anos – está em xeque por duas recentes formações políticas. São a coligação Unidos Podemos, de esquerda; e o partido Ciudadanos, de inspiração liberal, ambas emanadas da sociedade civil.
Nas últimas legislativas, o Podemos e o Ciudadanos despontaram como terceira e quarta formações mais votadas, roubando do PP e PSOE uma quantidade sem precedentes de assentos parlamentares e deixando o país num impasse político.
As últimas pesquisas sugerem que o PP terá mais votos, mas com percentual semelhante ao obtido em dezembro (28,7%), ou seja, longe maioria absoluta. Já à esquerda, as sondagens apontam para uma alteração mais profunda do cenário político, com o PSOE podendo ser relegado à terceira força política na Espanha, trocando de posição com a coligação Unidos Podemos (em dezembro o Podemos, que concorreu sem coligação, obteve 20,7% dos votos, contra 22% dos socialistas).
Pablo Iglesias, líder do Podemos e agora da coligação Unidos Podemos, criada em 9 de maio, tem dito que se as intenções de voto se confirmarem nas urnas, tentará chegar a um acordo com o PSOE que permita a aprovação de um governo de coligação de esquerda. Mas há vários obstáculos importantes a um eventual entendimento, a começar pela intenção da Unidos Podemos levar por diante um referendo à independência da Catalunha, a que o PSOE se opõe. Mas, sobretudo, porque colocaria a formação liderada por Iglesias como principal força política da esquerda espanhola.
À direita, o Partido Popular, ainda que não conte com o apoio do Ciudadanos, deverá apresentar-se à aprovação do Parlamento com um Governo minoritário, sendo que, desta vez, e ao contrário do que aconteceu na sequência das legislativas de dezembro, poderá vir a ser viabilizado através de, pelo menos, a abstenção do PSOE.
Neste cenário, muitos analistas políticos preveem que Mariano Rajoy possa vir a ser fortemente pressionado a abandonar a liderança do PP. O partido está no Governo desde 2011, período marcado por cortes de despesas impopulares e repetidos escândalos corrupção envolvendo várias figuras do partido. Ainda que Rajoy nunca tenha sido implicado nos casos, os seus rivais atribuem-lhe a “responsabilidade política” dos mesmos.
Não está também excluído o cenário de Ciudadanos e PSOE virem a impor o abandono de Rajoy como condição para uma eventual abstenção no Parlamento e a viabilização, por esta via, de um governo minoritário do PP.
Se os socialistas saírem das eleições em segundo lugar, não está excluída a possibilidade de virem a estender a mão ao Unidos Podemos para uma coligação de Governo, desde que abra mão de um eventual programa de Governo a questão do referendo na Catalunha.
Porém, os próprios socialistas admitem em privado acreditar pouco neste cenário, suspeitando que o Unidos Podemos, no caso de não conseguir chegar já à posição de líder da esquerda espanhola, irá optar por ficar de fora de um Governo liderado por Sanchez e continuar a lutar por esse objetivo nas próximas legislativas.
Neste caso, e uma vez mais, Espanha ficará com apenas a opção de um Governo minoritário do PP, com ou sem o apoio do Ciudadanos, mas sempre com a abstenção do PSOE.
Os partidos prometem que não haverá uma terceira rodada das legislativas, uma vez que os eleitores estão saturados após seis meses de impasse político.

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