Mulheres saiam à rua para exigir seus direitos num 8 de março marcado por mobilizações multitudiárias em todo o mundo

Manifestação em Barcelona, onde protestos estão sendo registrados desde o início do dia

O Dia Internacional da Mulher de 2018 ficará marcado pelo alto grau de mobilização em todo o mundo. Protestos multitudinários e atos em mais de 170 países chamam a atenção para uma realidade longe de ser a ideal neste 8 de março. Segundo dados do Fórum Econômico Mundial, levará cem anos para que se alcance a igualdade entre homens e mulheres no trabalho, na política, no acesso à educação, na distribuição de tarefas domésticas. Além da desigualdade, muitos dos protestos denunciam a pandemia da violência contra as mulheres e convocam a somar-se aos movimentos contra a discriminação.
As imagens das manifestações já rodam o mundo e demonstram que as mulheres não estão para brincadeira. Na Espanha, as organizações de mulheres e alguns sindicatos convocaram legalmente uma greve geral sem precedentes de 24 horas, sob o lema “Se nós paramos, o mundo para”. As mobilizações tiveram início pela manhã e se estenderão pela tarde, com 120 mobilizações.
Os atos com maior visibilidade estão sendo registrados na capital Madri e em Barcelona, na Catalunha, com jornadas de paralizações trabalhistas, estudantis, de cuidados e de consumo. Há uma grande adesão dos meios de comunicação, com o silêncio das vozes femininas em emissoras de rádio e TV.
Na Croácia e na Turquia também estão acontecendo demonstrações em massa. Até as organizações iranianas pediram para demonstrar apoio ao movimento, apesar das proibições. Na Polônia, onde a ameaça do governo reformando a lei do aborto para torná-la ainda mais restritiva foi planejada há algum tempo, uma greve simbólica foi convocada para às 18h, no horário local. Na hora marcada, todos os poloneses estão convocados a sair para a rua. Nos Estados Unidos, mobilizações já estão em curso em várias partes do país.
AMÉRICA LATINA – A cada 10 minutos, uma mulher é assassinada nas mãos de seu parceiro ou ex-parceiro do mundo. Uma realidade aterradora que na América Latina, com uma taxa muito alta de feminicídio, é ainda mais grave. Na região, onde o movimento feminista está se tornando cada vez mais poderoso, há registro de greves e manifestações em quase todos os países.
Na Argentina, em meio a um debate também sobre a reforma da lei do aborto, as organizações feministas convocaram greve trabalhista, de cuidado e de consumo. No país a radiografia das mobilizações de hoje é diversificada. A maior união de funcionários do estado argentino convocou uma greve de 24 horas, já a de juristas paralisações parciais. No entanto, à noite é esperada uma manifestação gigantesca na capital, que denunciará os assassinatos de mulheres: 295 no ano passado.
No México, onde mais de sete mulheres são assassinadas diariamente e 23.800 perderam a vida na última década, a violência sexista também dificulta o progresso do país. Por esta razão, mas também para exigir mais representação na política, o fim do assédio sexual e medidas contra a diferença salarial, também estão programadas manifestações em várias cidades.
Em El Salvador, onde o aborto é proibido em todas as circunstâncias – mesmo para salvar a vida da mulher ou em caso de estupro – as mulheres estão exigindo a descriminalização. Também o fim da violência. Estima-se que dez assaltos sexuais por dia ocorrem em El Salvador.
Uma mulher é assassinada a cada duas horas no Brasil, de acordo com as estatísticas. No país, onde, embora as mulheres tenham um nível educacional superior, ganham, em média, 76,5% do salário masculino (dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a desigualdade está muito ancorada. Para erradicá-la, as organizações pediram demonstrações em mais de 50 cidades e, embora o lema da mobilização seja “Strike 8-M”, não são esperadas greves importantes, pelo menos nos serviços públicos e nos principais setores produtivos.