Pedro Sánchez tomou posse hoje em Madri em cerimônia diante do rei Felipe VI, enquanto na Catalunha foi suspensa a intervenção em função da oficialização da equipe do presidente Quim Torra. Os mandatários têm como desafio encontrar solução dialogada para o conflito  

Pedro Sánchez toma posse diante do rei Felipe VI em cerimônia realizada em Madri

O socialista Pedro Sánchez tomou posse como primeiro ministro da Espanha na manhã deste sábado com o tema Catalunha como uma das questões mais urgentes a tratar no seu governo. Coicidentemente, a cerimônia em Madri ocorreu a poucos minutos de diferença do ato no qual os secretários do governo do presidente catalão Quim Torra assumiram formalmente os cargos no Palácio da Generalitat, em Barcelona.

Em Barcelona, simultaneamente, 13 secretários do governo Quim Torra foram oficializados no cargos dando fim à intervenção na Catalunha iniciada em dezembro passado com apoio de Sánchez

A oficialização do secretariado de Torra permitiu a suspensão automática da intervenção da Catalunha imposta desde em dezembro passado pelo então primeiro ministro Mariano Rajoy, exatamente com apoio de Sánchez. Contudo, as finanças da Generalitat ainda estão sob o controle de Madri e caberá do novo primeiro ministro decidir se mantém a medida.
O cerne da questão entre Catalunha e Espanha gira em torno do debate sobre o direito de autodeterminação defendido pelos independentistas, tabú para Sánchez. O socialista, que conseguiu chegar ao Palácio da Moncloa com votos de deputados soberanistas, vinha mantendo antes da eleição um discurso bélico contra defesores da independência. Nos últimos dias amenizou o tom, mas ainda não deu indicios se dará algum passo concreto para o distensionamento do conflito.
O certo é que os dois governos arrancam com a mesma prioridade, que é recuperar o diálogo perdido depois da frustrada proclamação da república na Catalunha em outubro de 2017. A prisão e o exílio dos líderes políticos soberanistas e a dura perseguição a entidades e cidadãos defensores da independência por parte de governo e justiça espanhola alimentaram durante estes meses um clima de tensão permanente que incomoda muitos parceiros europeus.
O desafio aos dois governos é qual o caminho seguir para uma eventual solução política do conflito entre a Generalitat e a Moncloa. A primeira incógnita a resolver será a data de uma reunião que Torra e Sánchez se comprometeram a fazer.
Na última sexta-feira, o presidente catalão reiterou a sua mão estendida ao diálogo. Contudo instou o novo chefe do executivo espanhol a “arriscar-se” e tomar a iniciativa com Catalunha. Torra já deixou claro em seus discursos que Sánchez foi “cúmplice” da aplicação do artigo 155 (intervenção) e da repressão estatal, “sem levantar o dedo para denunciar a existência de presos políticos e exilidos”.

Faixa na sacada do Palácio da Generalitat, em Barcelona, pede liberdade para os presos políticos e exilados

Depois da posse do seus 13 secretários na manhã de hoje, Torra autorizaou a colocação de uma faixa na entrada do Palácio da Generalitat, pedindo a libertação dos presos políticos e exilados. Sete políticos, entre eles o ex-presidente Carles Puigdemont, estão fora da Espanha para defender-se da repressão espanhola, e nove se encontram presos em Madri, entre eles o ex-vice-presidente Oriol Junqueras e a ex-presidenta do parlamento da Catalunha, Carme Forcadell. Todos são acusados de rebelião e malversação de fundos públicos no proceso que investiga a proclamação da república.
Diante deste cenário, os próximos dias serão de expectativa sobre quem dará os primeiros passos e se poderá prosperar a via do diálogo.