RESULTADO Desafio do partido de Pedro Sánchez agora é fazer acordo para governar

Matéria publicada em 29/04/2019 na editoria Internacional do Jornal do Commercio

Por Taíza Brito

Especial para o JC

BARCELONA – O Partido Socialista Obreiro Espanhol (PSOE), do primeiro-ministro Pedro Sánchez, é o vencedor das eleições na Espanha, com a conquista de 123 cadeiras no parlamento num pleito marcado pelo aumento da participação na votação (9%) em relação a 2016. São 39 deputados a mais que o obtido pelo partido em 2016, que há nove meses ascendeu ao Palácio da Moncloa com aprovação da moção de censura ao então primeiro-ministro Mariano Rajoy, do conservador Partido Popular (PP). À época contou com os votos de Podemos, de Pablo Iglesias, também de esquerda, que agora conquistou 42 cadeiras, e dos independentistas catalães de Esquerda Republicana (ERC) e Juntos por Catalunha (JxCat), que elegeram juntos 22 deputados.

Pablo Casado, a nova cara do PP que substituiu Rajoy, afundou com a sigla, que elegeu apenas 65 deputados contra os 137 de 2016. Atrás ficou Cidadãos, de Alberto Rivera (direita), com 57 cadeiras e Vox (extrema direita), com 24 deputados, que juntos não conseguiram somar os 176 votos necessários no Congresso para indicar um novo primeiro-ministro.

Assim a bola fica com Sánchez que ao ganhar musculatura em tão pouco tempo – vencendo em quase toda a Espanha, inclusive nas comunidades de Madri e Galícia, terra de Rajoy – soma força para pactar sua permanência no posto. A grande pergunta agora é com quem fará acordo.

Uma opção é manter a aliança com Podemos e buscar novamente acordo com ERC, sigla independentista com 15 deputados eleitos comandada pelo ex-vice-presidente da Catalunha, Oriol Junqueras (preso em Madri), que se mostra mais pendente em apoiá-lo e baixar a tensão do conflito catalão. Neste caso, pelo número de votos, não necessitaria dos deputados de JxCat (7), comandado pelo ex-presidente Carles Puigdemont, exilado na Bélgica, contrário a um pacto com Sánchez sem que a questão da autodeterminação esteja na mesa.

Outra alternativa seria fazer uma aliança de centro, buscando o apoio de Cidadãos. Mesmo tendo dito durante a campanha que jamais pactaria com Sánchez, isso pode ocorrer porque Rivera tem uma grande sede de poder e muita disposição contra os independentistas. Esta hipótese tomou corpo nos últimos dias de campanha, como forma de Sánchez não depender dos catalães para governar. Neste caso, com a escolha de um partido de direita para estar ao seu lado, teria o respaldo na Espanha daqueles que são contra qualquer tipo de diálogo com os soberanistas.

Neste caso, irá de encontro aos eleitores do PSOE, que durante a fala de Sánchez ao agradecer a vitória, gritavam “Com Rivera não”. Isso porque durante toda a campanha eleitoral, o PP, Cidadãos e Vox pregaram o voto contra Sánchez, alegando que ele estava ao lado dos independentistas. O que fez o primeiro-ministro recuar das poucas e incipientes conversas que manteve com as formações políticas catalãs.

FÊNIX Com esta vitória, Sánchez demonstra mais uma vez grande capacidade de ressurgir das cinzas. Depois de perder as eleições para o PP em 2016, foi relegado pelo PSOE, que lhe deu as costas e o destituiu da presidência do partido. Depois de uma campanha junto às bases da sigla em todo o país, reconquistou o posto. Em 2018, conseguiu aprovar a moção de censura contra Rajoy, assumindo a cadeira de primeiro-ministro. Com a eleição deste domingo, Sánchez conseguiu vencer em praticamente todas as comunidades espanholas, desbancando a hegemonia que o PP mantinha há duas eleições. Também conquistou maioria no Senado, arrebatando 140 vagas na Câmara Alta.