A fonte de inspiração de Gandhi

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Por Cesar Vanucci *

“Cristo é a maior fonte de força
espiritual que o homem conheceu”.
(Mahatma Gandhi)

Em minha singela percepção, São Francisco de Assis e Mahatma Gandhi desempenhariam, com o mesmo fulgor que tanto os notabilizou, as missões executadas por um e por outro no vital processo da construção civilizatória, caso se lhes tivesse sido proposta uma troca de tempo na participação de cada um deles na historia do planeta. Gandhi, seguindo este entendimento, foi o Francisco de Assis do Século 20. Francisco foi o Gandhi do Século 12.
Ao animar-me a fazer tal comparação, estou convencido de que ambos beberam inspirações, para as edificantes tarefas levadas avante, numa mesma mensagem espiritual e humanística. A mensagem de que aqui se fala chega do fundo e do alto dos tempos para toda a sociedade humana, mas quem mesmo cuida de absorvê-la em sua pureza e plenitude são criaturas pacíficas e de coração fervoroso. Para vivenciá-la, em nada pesa a circunstância de, entre os dois personagens mencionados, um deles confessar-se cristão e outro declarar-se hinduísta. A mensagem de que se cogita não tem – pode-se afirmar com certeira segurança – “coloração partidária”. Não representa precioso e essencial acervo de valores transcendentes que possa ser requisitado como propriedade por nenhuma especifica corrente do pensamento filosófico. É patrimônio ecumênico. Destina-se ao desfrute amplo, geral e restrito de tantos quantos possuam olhos para enxergar, ouvidos para escutar, sensibilidade para compreender e voz para propagar. Encerra saberes que podem ser divulgados com eficácia por cristãos, hinduístas, budistas, islamitas, judeus e assim por diante…
Gandhi, a exemplo de Francisco, passou adiante a mensagem. Ela permitiu-lhe alcançar na veneração popular a condição de “Apostolo da Paz”. Adotando como mote um processo revolucionário estribado em princípios inseridos na chamada “Satyagraha” – princípios esses que consagram a não agressão e o repúdio à violência como instrumentos de protestos firmes e persistentes contra as injustiças sociais –, o Mahatma enfrentou, com raro desassombro cívico e pesados danos pessoais, a asfixiante opressão colonial do império inglês, emancipando a Índia e tornando-a potência com audiência universal.
Apreciando sua conduta e tomando ciência de suas ideias, aprendi a identificar nesse líder de arrebatador carisma alguém muitíssimo familiarizado com os ensinamentos do mais fabuloso e iluminado ser que já colocou os pés nos ásperos caminhos da jornada terrena, em todos os tempos. Ele, mesmo: Jesus de Nazaré!
Impressionaram-me vivamente as referencias de Gandhi ao Cristo reunidas na esplêndida biografia que Huberto Rohden, brasileiro de Santa Catarina, escreveu sobre o “pai espiritual da Índia”. O ilustre patrício, falecido em 1981, filósofo, teólogo, escritor com 70 obras editadas, aponta Gandhi como um fenômeno humano “de incrível força cósmica”. E no livro de 250 paginas, dedicado à sua reluzente trajetória, destina sugestivo capitulo às manifestações (cujo teor eu ignorava) feitas pelo mestre indiano acerca do “Mestre dos mestres”.
Para que meu leitorado possa compartilhar as emoções deixadas naturalmente por tais revelações, anoto na sequência conceitos de Gandhi sobre Jesus, extraídos da obra de Rohden.
Assim falou o Mahatma: ●“Cristo é a maior fonte de força espiritual que o homem até hoje conheceu”. ●“Vejo em Cristo o supremo modelo: manifestou, como nenhum outro espírito, a vontade de Deus”. ●“O Sermão da Montanha foi-me direto ao coração. Bebam nas fontes do Evangelho”. ●“Cristo não pertence só ao cristianismo, pertence ao mundo inteiro. Ele é todo amor. O amor no supremo mandamento é dirigido antes de tudo aos mais fracos, aos abandonados. Cristo não carregou a cruz somente há mil e novecentos anos. Carrega-a hoje e morre e ressuscita dia após dia”.
* O jornalista Cesar Vanucci (cantonius1@yahoo.com.br) é colaborador do blog Mundo Afora

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