Um pouco sobre a história da prefeita eleita de Barcelona

Casada, mãe de Luca, de 3 anos, a ativista Ada Colau, de 41 anos, venceu as eleições para a prefeitura de Barcelona, capital da Catalunha, umas das cidades mais importantes da Espanha. Famosa pela militância na Plataforma de Afetados pela Hipóteca (PAH), da qual foi uma das fundadoras no ano de 2009, será a primeira mulher a comandar a administração da cidade.
Depois das 22h do domingo (24 de março), quando os resultados das urnas já a colocavam na frente do atual prefeito, Xavier Trias, do partido de centro-direita Convergência e União (CiU), fez um discurso emocionado. “Foi uma luta de Davi contra Golias”, disse, numa referência à campanha sem muitos recursos financeiros. E acrescentou: “Essa é a experiência mais fascinante que estou vivendo depois da maternidade”.
“Ganhamos com a gente comum, que acreditou no nosso projeto e não temeu o discurso do medo”, asseverou, sob aplausos da multidão que se aglomerou no bairro de Sant Andreu para recepcioná-la, sob as vistas de uma centena de jornalistas da imprensa local e internacional.
Durante a campanha, Ada Colau foi duramente atacada pelos adversários, especialmente nas redes sociais, onde foi alvo de humilhações, xacotas, ofensas e boatos de todo tipo. Contudo, como ela mesmo ressaltou, não se amedrontou e tocou para frente a campanha. Na qual entre suas bandeiras defendeu o coletivo dos imigrantes, alvo de uma política segregadora por parte do atual governo espanhol.

“Quem ganhou essa campanha foi Barcelona e sua gente”, disse entre lágrimas na coletiva de imprensa. “Que teve uma oportunidade histórica e soube aproveitar. Essa é uma vitória coletiva. É a vitória da esperança, daqueles que estavam cansados de ser governados por quem deu as costas à cidadania”, pregou, sob aplausos.
Acossada durante toda a campanha por não se posicionar como independentista, Ada Colau sinalizou que a população da Catalunha tem o livre direito de decidir o seu futuro político. Numa demonstração de que está disposta a apoiar uma consulta popular na qual a população se manifeste se quer ou não se separar da Espanha.
Ada Colau disse ainda que a cidadania está pedindo uma mudança real e convocou todos os eleitores a implicarem-se neste processo e a vigiar o seu governo. Entre as promessas que reiterou no discurso, está a transparência na gestão dos recursos públicos, o combate à corrupção e um governo com participação popular.

Ada Colau, que fez o curso de filosofia, mas desistiu no último ano, integra o Observatório de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais de de Barcelona. Foi a porta-voz da campanha “Stop Desnonaments” (Pare com os despejos), que conseguiu quase um milhão e meio de assinaturas para tocar um projeto de lei de iniciativa popular no Congresso de Deputados na Espanha em favor das pessoas que tiveram imóveis tomados pelos bancos por não conseguir pagar a hipoteca.
Apesar dos esforços, não conseguiu êxito porque o governo madrilenho, comandado por Mariano Rajoy, modificou todo o projeto, que tentava, entre outras coisas, impedir que os bancos continuassem cobrando a dívida dos proprietários que tiveram imóveis tomados. Durante o período mais crítico da crise econômica da Espanha muitas famílias foram despejadas por não ter mais como pagar o saldo devedor aos bancos.