Saldo catastrófico na Catalunha após passagem da tempestade Glória

Evento climático que durou cinco dias provocou as precipitações mais intensas dos últimos 88 anos e deixou rastro de destruição em mais da metade dos 900 municípios catalães

A sexta-feira ensolarada de inverno na Catalunha encerra um período tempestuoso na região, que de domingo (19) até ontem (23) viu o clima afetado pelo fenômeno Glória, massa de ar fria que provocou tempestades marítimas, chuvas, nevadas e ventanias intensas em diversos municípios. A força dos temporais gerou ondas gigantes e fez o mar Mediterrâneo invadir ruas de diversas cidades na costa catalã e engolir o Delta do rio Ebre. Houve transbordamento de rios com destruição de trechos de rodovias, pontes e estradas de ferro, além de quatro mortes.

Diversos trechos de estradas de ferro foram interrompidos por conta dos alagamentos

Segundo o secretário de Território e Sustentabilidade, Damià Calvet, serão necessário 20 milhões de euros para recuperar os prejuízos causados apenas nos portos da Generalitat, sem incluir os de Barcelona, Tarragona, nem os danos no litoral e nas estradas. Já a prefeita de Barcelona, Ada Colau, estimou em 12 milhões de euros os prejuízos causados. Por isso, solicitará que o litoral da capital catalã seja declarado zona catastrófica. A estimativa é que mais da metade dos 900 municípios tenham sofrido prejuízos e mais de 18 mil hectares de plantações foram devastados.

Praia de Tossa de Mar desapareceu invadida pelo Mediterrânio durante a passagem de Glória

Balanço divulgado hoje pelo Governo da Catalunha hoje (24) mostra que entre os dias 19 e 23 de janeiro foram registradas precipitações de até 500 mm, ondas marítimas de até 7 metros, rajadas de ventos de mais de cem quilômetros por hora e acumulação de neve de até 150 cm. Os mapas das chuvas foram gerados a partir de dados coletados em 293 estações pluviométricas, sendo 177 da Rede de Estações Meteorológicas Automáticas e 116 da Rede de Observadores Meteorológicos. Segundo o governo catalão, para se encontrar uma distribuição semelhante de precipitações é necessário retroceder até a primeira metade do século XX. Concretamente, de 15 a 20 de dezembro de 1932, quando se superaram os 400 mm de chuva na área do Montseny, interior do Alt Empordà, Garrotxa, Pla de Estany e oeste do Ripollès.

Mapa divulgado pelo governo catalão mostra o acúmulo de precipitações no território

Ao longo do episódio se produziram acumulações de precipitações totalmente excepcionais para o mês de janeiro na região de acordo com os dados comparativos recolhidos por 71 das 96 Estações Meteorológicas Automáticas, que levam mais de 20 anos medindo as chuvas diárias. Além disso, foram registrados os dias mais chuvosos em 28 anos de registros nas localidades de Aldea, no Baix Ebre, (146,1 mm), e de Cassà de la Selva, no Gironès (129,4 mm), na na terça, 21 de janeiro.

A ocorrência é excepcional porque os meses de inverno costumam ser os mais secos do anos em boa parte da Catalunha, segundo os técnicos do governo. É possível haver episódios de precipitações abundantes, mas raramente intensas como as dos últimos dias. Entre a segunda e a quarta-feira, algumas tempestades descarregaram mais de 20 mm em apenas 30 minutos em setores do litoral e do pré-litoral. Superando assim o lindar de Situação Meteolológica de Perigo por intensidade de precipitação. Os valores mais destacados foram registrados em Aldea (31,4 mm) e em Cabrils, no Maresme (30,1 mm) no dia 21. Entre segunda e quinta-feira, houve tempestades de granizo. A Rede de detecção de Descargas Elétricas registrou um total de 5.514 relâmpagos nuvem-terra. As comarcas mais afetadas pelos raios foram as situadas no litoral e pré-litoral.

Além das grandes nevadas ocorridas a cotas altas no Pirineu e Prepirineu, com acumulações de até 1,5 m de neve nova na área do Ripollès, ocorreram nevadas em diversas outras partes entre os dias 19 e 23 de janeiro. Na segunda, a cota de neve se situou entre 200 e 400 m na Costa Brava e nas Terres de Ebre. Houve uma importante em toda região da Terra Alta, com 30 cm de neve em Horta de Sant Joan (488 m). No maciço dos Ports, a estação meteorológica da área situada a 1.055 metros mediu 55 cm de neve antes que a neve se convertesse em chuva na madrugada da terça-feira. Apesar da cota haver subido da madrugada de segunda para terça-feira, nevou em setores fora dos Pirineus, sobretudo no Montseny e nas montanhas na comarca de Osona, com acumulações de 20 a 50 cm a 900 ou 1.000 m. Foram registrados ainda 50 cm em Ciuret (1.176 m) e, Cantonigròs (945 m) e 45 cm de Rupit (855 m). Em muitas áreas da Catalunha, foram registradas temperaturas abaixo de zero.

Os episódios de neve e vento também foram intensos. Em Cambrils se registraram ventos de 116,6 km/h na madrugada de segunda-feira, a maior cota dos últimos 13 anos. No Delta do Ebre, a estação da Illa de Buda, que foi inundada, mediu 95,4 km/h de vento na terça pela manhã. dimarts al matí. O fator mais destacado pelos técnicos foi a persistência das ventanias, que na terça-feira alcançaram as médias mais altas dos últimos 10 anos. A virulência das tempestades no mar também foram destacadas no informe do governo catalão. Foram registradas ondas de 5 a 7 metros na costa durante dois dias seguidos (segunda e terça), com danos a muitas embarcações aportadas e invasão da água do mar em ruas de diversos municípios.

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