Cinco anos após morte de Aylan Kurdi refugiados permanecem à deriva

Afogamento de bebê sírio que fugia da guerra com a família chocou o mundo, que continua sem respostas aos refugiados

Em 2 de setembro de 2015, a imagem do pequeno Aylan Kurdi,  afogado em uma praia na Turquia, comoveu o mundo. O bebê morreu no Mediterrâneo junto com o irmão Ghalib e a mãe Rehanna e mais nove sírios que fugiam da guerra e tentavam chegar à Grècia. O bote, com capacidade para oito pessoas, no qual havia 16, virou logo após a partida matando mais outras nove pessoas.

Em entrevista à BBC, Tima, a tia do menino, que morava no Canadá, disse: “Deus colocou luz naquela imagem para acordar o mundo”. Naquele ano, os países europeus foram pressionados a repensar as políticas de imigração. Agora, no quinto aniversário da trágica morte, essa “luz” realmente acordou o mundo?

A Open Arms, organização sem fins lucrativos que salva vidas de imigrantes na mesma situação de Aylan, a situação permanece calamitosa. Em sua conta no Twitter, ao relembrar a morte do menino, remarcou: “Desde então, o Mediterrâneo tragou a milhares de crianças, mulheres e homens em sua fuga do inferno”, ao complementar que seguirá trabalhando enquanto hajam vidas em perigo de morte no mar.

A eurodeputada portuguesa Marisa Matias, do Bloco de Esquerda, também se mostrou cética com relação a política para refugiados ao lembrar a morte de Aylan. Através da rede social, ela escreveu: “Há 5 anos a morte do pequeno Aylan Kurdi numa praia turca comoveu o mundo e conseguiu que os governantes se anunciassem disponíveis para acolher refugiados. A espuma dos dias apagou a imagem demasiado rápido. As boas intenções morreram naquela praia também”.

Como frisa a deputada, naquele 2015, a União Europeia colocou em pauta o debate sobre o acolhimento de refugiados. A Alemanha, por exemplo, acolheu um milhão de refugiados. Contudo, muitos dos países que se comprometeram a abrigar estas pessoas ficaram apenas na promessa.

Hoje existem cerca de 80 milhões de pessoas deslocadas à força em todo o mundo, 1% da população total do mundo, de acordo com o relatório Tendências Globais do ACNUR. Este é o maior número de refugiados já registrado desde a Segunda Guerra Mundial, quando milhões fugiram da perseguição ao regime nazista.

A maioria está deslocada dentro de seu próprio país, mas mais de 4 milhões estão esperando que seus pedidos de asilo sejam decididos, enquanto 30 milhões são refugiados ou outros deslocados fora de seu país, principalmente originários da Síria, Venezuela, Afeganistão, Sudão do Sul ou Mianmar. Também há novos refugiados na República Democrática do Congo, Sahel e Iêmen.

A ACNUR lembra que mesmo depois de deixar suas casas, aqueles que viajam em busca de segurança estão “em risco de conflito em curso, graves violações dos direitos humanos e detenção arbitrária após o desembarque”.

Em 2020, os números oficiais informam que pelo menos 300 pessoas morreram tentando fazer a travessia da Líbia para a Europa em barcos, mas se sabe que o número real é muito maior. Em agosto, quase 50 pessoas, incluindo cinco crianças, morreram em um único naufrágio perto da costa da Líbia.

One thought on “Cinco anos após morte de Aylan Kurdi refugiados permanecem à deriva

  • September 3, 2020 at 12:11 pm
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    Essa cena é muito forte, e demonstra toda insensibilidade do ser humano com relação ao próximo. Isto, as migrações, ocorrem porque as nações destes pobres seres humanos, estão destruídas por guerras financiadas pelas nações ricas, por interesses diversos. Estas mesmas nações, agora, vendo os efeitos de suas ações ambiciosas baterem nas suas portas, não só batem as portas na cara destes infelizes, como estimulam seus cidadãos a fecharem seus corações com relação a este movimento, daí o crescente movimento covarde de direita, fascista, no mundo e talvez, possivelmente, a ira dos céus através dos vírus e outros fenömenos naturais que a partir de agora vai castigar a humanidade insensível e covarde.

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