Campanha lançada no último dia 3 de maio pede ajuda ao governo brasilero e ao Legislativo e Judiciário para criar força-tarefa em defesa da população indígena frente à pandemia

Fui a pessoa número 226.877 a assinar o manifesto internacional lançado no último dia 3 de maio pelo fotógrafo Sebastião Salgado e a esposa Lélia Wanick Salgado pedindo ao governo brasileiro e aos poderes Legislativo e Judiciário proteção para os povos indígenas do Brasil. Sofrendo a muito tempo com o desmatamento, incêndios florestais, rios envenenados e invasão de terras, como explica o documento, agora essa população corre o risco de ser dizimada pelo Covid-19. “Ao menos que sejam tomadas medidas urgentes para protegê-los”, destaca o documento e o vídeo de divulgação, dirigido pelo cineasta Fernando Meirelles.

Ao me somar à campanha, sigo o apelo do prestigiado fotógrafo brasileiro e sua esposa e peço aos leitores do Blog Mundo Afora que assinem a petição “Lélia e Sebastião Salgado: ajude a proteger os povos e indígenas da Amazônia do Covid”, no site do AVAZZ.ORG. Especialmente hoje (07/05), quando a Fundação Nacional do Índio (Funai) decidiu “inexplicavelmente” devolver 15 quadros com imagens doados há dois anos por Salgado à instituição. Junto com um ofício no qual indica que “seja feito um leilão das obras para arrecadar dinheiro para os povos indígenas no contexto da pandemia da Covid-19”.

A medida, no mínimo mesquinha (uma pena), veio em resposta à campanha, que desde que foi lançada teve enorme repercussão. O problema é que com a ação Salgado pediu a mobilização do governo Jair Bolsonaro e do Congresso em defesa das etnias indígenas, especialmente as isoladas, por conta do novo coronavírus. Infelizmente, é público a orgeriza, para ser educado, que o atual mandatário do Brasil tem pelos povos indígenas.

As obras devolvidas estavam nas  salas na sede da fundação e foram retiradas (ver vídeo). As fotografias estão estimadas em R$ 1 milhão e o acervo é resultado do trabalho realizado por Salgado, em parceria com a própria Funai, junto à etnia Korubo do Coari, no Vale do Javari, extremo oeste do Amazonas.

A resposta do governo brasileiro dá mais brilho e dimensão à campanha de Salgado, que sensibilizou celebridades do mundo, entre eles Brad Pitt, Paul MacCartney, Gisele Bündchen, Caetano Veloso, Chico Buarque, Oprah Winfrey, o cinesta Pedro Almodovar e a atriz Meryl Streep. Durante os últimos 7 anos, Sebastião Salgado esteve na Amazônia fotografando diferentes etnias e foi informado do grave risco que os indígenas brasileiros estão correndo.

APOIO

Na semana passada, 21 entidades brasileiras enviaram nota ao governo federal exigindo medidas de proteção, frente à grave ameaça que a pandemia representa para os índios. “Essas pessoas pedem ao presidente da República e aos líderes do Congresso e do Judiciário do Brasil que criem uma força-tarefa para retirar das terras indígenas os invasores ilegais e possa garantir aos habitantes originais a proteção de sua saúde”, diz o vídeo de divulgação.

A campanha também incluiu jornais do Brasil e do exterior, incluindo a Folha de São Paulo, Frankfurter Allgemeine (Alemanha), El País (Espanha) e The Guardian (Reino Unido).

Foi publicado por estes veículos de comunicação o seguinte texto em forma de anúncio: “Diante da urgência e da seriedade dessa crise, como amigos do Brasil e admiradores de seu espírito, cultura, beleza, democracia e biodiversidade, apelamos ao presidente da República, sua excelência senhor Jair Bolsonaro, e aos líderes do Congresso e do Judiciário a adotarem medidas imediatas para proteger as populações indígenas do país contra esse vírus devastador”.

APELO

Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, Sebastião Salgado afirmou que em Roraima, cerca de 20 mil garimpeiros estão dentro do território ianomâmi. “Há madeireiros invadindo para todo lado. O contato hoje com o coronavírus é um perigo total. E, como eles não têm defesa imunológica, há um risco maior de genocídio. A minha preocupação é de defesa desses povos”, disse Salgado.

“Estamos solicitando uma intervenção, uma força-tarefa que entre nesses territórios e proteja essa população, como aconteceu nos meses de julho e agosto, nos incêndios florestais, quando houve uma enorme pressão internacional”, afirmou o fotógrafo. “Tenho esperança de que tenha repercussão principalmente do Legislativo e do Judiciário, pessoas com uma preocupação intelectual maior do que a Presidência da República.”