terça-feira, maio 5, 2026
Europa

Intervenção do governo espanhol rechaçada em manifestação gigante na Catalunha

Cerca de 450 mil pessoas se manifestaram contra intenção do governo espanhol de cessar presidente Puigdemont, controlar ações do parlamento e gerir meios de comunicação públicos. Ato em Barcelona foi convocado contra prisões de Jordi Sànchez e Jordi Cuixart, líderes independentistas acusados de sedição

Manifestação contra prisão dos Jordis, em Barcelona, voltou-se também contra governo espanhol, que pretende dissolver autogoverno da Catalunha

“Liberdade”. Este foi o grito ouvido nas ruas de Barcelona em resposta ao anúncio de intervenção no governo e no parlamento da Catalunha feito neste sábado pelo primeiro ministro da Espanha, Mariano Rajoy (PP). As 450 mil pessoas que compareceram à manifestação contra a prisão dos líderes independentistas Jordi Sànchez (Assembleia Nacional Catalã) e Jordi Cuixart (Òmnium) aproveitaram para expresar o repúdio à decisão.
Rajoy planeja cessar Puigdemont e seus secretários dos cargos, assumindo ele próprio o executivo catalão. Também o controle do parlamento, que ficaria impedido de tomar qualquer decisão sem anuência de Madri. O governo espanhol quer ainda gerir os meios de comunicação públicos, constituídos pelo canal TV3 e a estação Catalunya Ràdio.

Rajoy pretende assumir lugar de Puigdemont no governo da Catalunha, com deposição do presidente catalão

As medidas, que serão votadas pelo Senado, até a sexta-feira, foram anunciadas por Rajoy pela manhã após reunião do Conselho de Ministros da Espanha, em Madri. À tarde, as ruas centrais de Barcelona foram invadidos por um mar de gente, atendendo a convocação do moviminto Mesa pela Democracia em repúdio à prisão dos Jordis. Com a notícia dada por Rajoy, os manifestantes demonstraram ainda mais indignação contra o governo espanhol.

Manifestantes pedem libertação de Jordi Sànchez e Jordi Cuixart, presidentes da ANC e Òmnium, entidades que defendem a independência na Catalunha

Além das famosas bandeiras independentistas, muitos empunhavam cartazes com a mensagem: “Liberdade Jordis, presos políticos do estado espanhol”, escrita em catalão e em inglês. Outras diziam “Help Catalonia” e “Save Europe”. A multidão repetia a cada momento: “Liberdade, liberdade”, em referencia aos Jordis e à Catalunha.

Puigdemont e Forcadell estiveram na linha de frente da manifestação em Barcelona

O presidente Carles Puigdemont junto com a presidenta do parlamento, Carles Forcadell, membros do governo e deputados encabeçaram a linha de frente do ato. De frente para o palco, ouviram os discursos dos representantes da ANC, da Òminum e da Mesa pela Democracia. A manifestação contou com o apoio de mais de 140 entidades da sociedade civil.


SOBERANIA POPULAR – O porta-voz da Òmnium, Marcel Mauri, referiu-se aos Jordis como “dois homens bons, dois homens de paz”, que agora “são dois presos políticos”, acusando o governo espanhol não perdoá-los por organizarem manifestações pacíficas e defenderem a independência da Catalunha.
Mari disse que com a repressão o governo central não conseguirá nada e que com a decisão de hoje o que fez foi acabar com democracia na Espanha. “As instituições são nossas, somos nós, nenhum governo pode suspender a soberania popular”, enfatizou, arracando aplausos da multidão, que gritava “Não estão sozinhos”.
O vice-presidente da ANC, Agustí Alcoberro, se solidarizou com os familiares de Sànchez e Cuixart, referindo-se à prisão dos dois líderes como “ultrage e humilhação”. “Não haverá passos atrás. Aqui há uma pedreira”, disse em referência aos catalães.
Para Alcoberro, a aplicação do artigo 155 pleiteada hoje é um novo passo na escalada repressiva contra a Catalunha. “O governo espanhol quer nos liquidar (povo catalão), mas isso não acontecerá porque nós não deixaremos”, assegurou.
A atriz Lloll Bertran leu um manifesto em repúdio à prisão dos Jordis e contra o artigo 155. “Hoje também estamos aqui para repudiar o 155, que visa destituir um governo escolhido democraticamente e intervir nas instituições de maneira injustificada, deixando nas mãos de Mariano Rajoy todo o poder sem que ele tenha sido escolhido para isso”, disse.
“A Mesa pela Democracia não aceita esta decisão do Conselho de Ministros e continuaremos nos mobilizando nas ruas”, disse Bertran, ao pedir o retorno de Cuixart i Sànchez à casa.
A manifestação foi encerrada com a atuação da cantora Maria del Mar Bonet, que interpretou a canção “Que quer esta gente?”, escrita durante o período da repressão franquista, e com o Canto dos Segadors, mítico hino independentista. A interpretação fez muita gente ir às lágrimas.

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